A culpada

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Nenhuma literatura está livre de ficção. E nem de verdade.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Trauma

Tropeçando pelas escadas
Me arrastando pelo chão
Sentindo tremer a perna
E doer o coração

Tento passar pela varanda
Tua mão quase me alcança
E enquanto perco o fôlego
Você quase nem descansa 

Finalmente me puxa pela blusa
Me derruba tão grosseiro
Deixando cheio de sangue
Todo o piso do banheiro

E te vendo assim de cima
Sentindo na garganta o teu dedo
Parecia que nunca senti tanto medo

É complicado explicar o quanto foi real
Ver-te de novo assim
Me causando tanto mal
Se bem que,
dadas as corcuntâncias,
se fizesse-me bem, 
é que seria anormal.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

O retrato

Todo santo dia há um momento no qual me arrependo de ter tua foto exposta no meu quarto. É ruim demais sentir a tua ausência.
Mas a sinto inevitavelmente, e torno a olhar o retrato com o coração trabalhando arduamente para recompor-se.

Ao menos vejo teu sorriso todo dia.

Saudade.

terça-feira, 28 de julho de 2015

A cigana

Ofereci os meus melhores beijos
Meus melhores sorrisos
Meus melhores quereres
E tudo o que fosse preciso

Ofereci conforto
Carinho
Abrigo 
E um vinho

Convidei prum chalé
Com jantar bem gostoso
E pra sobremesa, café

Esperei na escada
Mesmo na chuva
Toda arrumada
Mas não recebi nada:
Nem tua presença,
nem uma chamada. 

E ainda tive que vê-lo com ela
Bem ali, de mão dada
Como se eu não fosse nada

Talvez tenha sido isso
Devo ter sido muito dada

Ou a sorte na minha mão que tava errada.

Puta cigana dissimulada!

domingo, 19 de julho de 2015

Confiar

Quando dei por mim
Estava imersa
Em sentimentos
Em pensamentos
Em planos

E não senti medo.

Até estranhei.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Se tem gente
que prende passarinho
bichinho voador
livre
conhecedor da imensidão,
por que seria diferente 
com o amor?

sábado, 4 de julho de 2015

Paladar

Os dentes mordem os lábios
Sutilmente
Perceptivelmente
Fortemente

O pescoço se alonga
Pra direita
Pra esquerda
E volta

A pele se arrepia
Na nuca
Nos braços
Nas coxas

Os olhos alternam
Hora se curvam
Hora se fecham
Hora insinuam

Os dedos, por entre os cabelos
Puxando
Acariciando
Puxando

E eu sentindo aquele gosto
Lambendo
Chupando
Gostando

Insanidade

O frio
O calor
O arrepio
E a azia

Parecia que era amor
tudo aquilo que sentia

A moleza
A sonolência
Os devaneios
E a quentura 

Logo se via que era
sinal de loucura


Parou de ser sentido
Passou a ser sintoma.