A culpada

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Nenhuma literatura está livre de ficção. E nem de verdade.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Com o tempo, adquiri a maravilhosa e necessária habilidade de controlar palavras, mas controlar as lágrimas, em algumas situações, ainda me é impossível.

Meus olhos sempre disseram bem mais que a língua.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Às vezes quase escapa.
Normalmente é quando estou sobre o teu peito, ou segurando tuas mãos, ou quase pegando o telefone e discando teu número.
Quando você me abraça forte e com ternura, e me livra do frio constante que teimo em sentir ou quando acaricia meu rosto e me olha com os olhos marejados... Nessas horas, a vontade quase vira necessidade, e quase deixo escapar aquelas duas palavras. Mas ao voltar novamente o olhar para ti, entendo que você tem plena ciência do que lhe quero dizer, e posso ouvir a reciprocidade no seu olhar.

Não lhe preciso dizer aquilo que não dá pra esquecer.
Até porque diz muito pouco um "amo você".

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Parece que você tá bem.
Comigo tá tudo bem também.
Ou costuma estar.

É que às vezes me dá saudade. Dos teus cabelos, tua pele, teus desenhos e da tuas sardas. 
Lembra de quando passávamos horas falando besteiras e refletindo sobre a vida e iámos dormir sempre tarde? 
Gostava muito de dormir com você, mas acordar era ainda melhor. Nosos cabelos bagunçados e nossas caras amassadas, os sorrisos sinceros e carinhos que começavam logo cedo.
Nossos passeios simples sempre regados a risos e algumas piadas ruins. Nossa competição de cigarros... 

Às vezes sinto saudade. 
Não que seja ruim, mas dói.
Ruim mesmo só o arrependimento.

E a distância. 
Queria poder dizer "oi", já que não tive chance nem pro "adeus".

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Desabafo matutino

Às vezes incomoda. 
A gente tenta entender, tenta aceitar, tenta ignorar, mas parece que o pitaco alheio sempre vai existir em nossas vidas, sendo direcionadas a nós ou a uma ponte de informações - mas sempre chega.

Não me isento de pitacos, não. Já me peguei distribuindo alguns, gratuitamente, inescrupulosamente. Mas um dia muito me incomodou estar na boca de quem nem lembro que existe, e desde então pratico o exercício de não falar do que não me convém ou julgar quem também não convém.
Tendemos a basear nossas opiniões sobre as pessoas baseadas no que sentimos, e se sentimos coisas mesquinhas, projetaremos coisas mesquinhas nestas pobres pessoas também.
É preciso entender que ninguém sente igual. Quando dizemos entender o que uma pessoa sente, estamos imaginando como deve ser, mas não entendemos de fato por não viver naquele contexto. E se o contexto não nos cabe, por que cargas d'água entrometemo-nos na vida alheia? Por que nos sentimos no direito de dizer se alguém é bom ou mau com base nas informações superficiais que temos? 
Sei lá. Coisa de humano. Sempre tentei entender esse tipo de coisa, mas hoje entendo que há pessoas que sempre se disporão a gastar energia vital com pensamentos autodestrutivos e com comentários maldosos fantasiados de boa intenção.
Inveja, ganância, arrogância. Falta de fé, de amor e compaixão.
Falta leveza.

Tem gente que não entende é nada.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Presença pressentida

A gente vê que deixou de ser nada
Pela ansiedade pela hora da chegada.
Chegada sem hora marcada
Mas chegada planejada
E o corpo todo não pensa em mais nada.

Que angustia esperar
Não sei nem se vai demorar
Na mão o telefone
E na porta o olhar

Então a gente confirma que deixou de ser nada
Quando se recebe a presença esperada
Sorrio com os olhos
Respiro aliviada
Como é boa a tua chegada! 

terça-feira, 5 de abril de 2016

Memória sensitiva

É quando ela me anestesia que tudo começa.

Mal podia sentir meu pés ou minhas mãos, mas enquanto estas percorriam instintivamente seu corpo voluptuoso, sentia bem os lábios que percorriam meu pescoço.
Por vezes pensei ficar estático enquanto respiravas ofegante em meu cangote e acariciava meus braços firmemente: sentia apenas aquela pulsação ardente, e pensava apenas em tê-la ali, naquela hora, e consumi-la, também ali. 

Sinto-me imóvel.
Extasiado.
Anestesiado.

Mas parece que meu corpo ainda sabe os caminhos do teu. 

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Vício seletivo

Eu largo tudo!
Largo a cidade
Largo o emprego
E largo o tal do canudo

Largo a arrogância
E a intolerância
Abrindo espaço pra esperança
Apesar de toda aquela lembrança

Mas não largo o chá
O doce
E a bala.

Por puro prazer. 

Agora dá pra entender porque não largo de você?