A culpada

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Nenhuma literatura está livre de ficção. E nem de verdade.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

07:42 da manhã. Ele na cama, acabando de acordar, ainda enrolado nos lençois. Ela de pé, se arrumando para trabalhar.
- Não entendo...
- O que, Otávio?
- Por que você não pode ser só minha.
- Mas eu sou só sua meu amor - deitou-se e deu-lhe um beijo na bochecha que desceu até o pescoço.
- Ah é? E o outro mané lá?
- Quando estou com você sou só sua, então ele não existe para mim neste momento.
- Mas pra mim existe. Poxa, Manu, pra que isso, hein? Você gosta de complicar as coisas, de me ver sofrer...
- Claro que não, meu amor.
- Claro que sim. Se eu fosse mesmo seu amor eu seria o único na sua vida.
- Mas está sendo.
- Estou sendo até você trabalhar. Devo lhe agradecer pela importância que me dá, Alteza?
- Ué, e não tá bom?
- Nossa, Manuela... Não tá, né. Larga esse cara, seja sempre minha, o que te custa?
- Quando você me conheceu já sabia sobre minha relação com o Roberto, não sabia?
- Sim, mas eu tinha esperança de que um dia você me amasse mais que a ele e quisesse ficar só comigo.
- Eu queria que fosse assim. Seria mais fácil até pra mim, porque eu sei que você me ama muito mais que ele, mas infelizmente não posso fazer nada.
- É claro que pode, você prometeu!
- Prometi que lhe daria atenção, carinho, cumplicidade... Acho que estou cumprindo a promessa. Ou não?
- Está sim... Me promete amor eterno, então.
- Desculpa, vou ficar lhe devendo essa.
- Por que, Manuela, por que?
- Eu posso prometer o que vou fazer, não o que vou sentir.
- Entendi... Bom, ao menos sempre foi honesta comigo.
- Pois é - riu amigavelmente - E prometo que serei sempre honesta!
- Só me resta acreditar, então.
- Não, você também tem a opção de não acreditar.
- Tenho? Não sabia.
- Sim, tem.
28 segundos de silêncio. Dois beijos  de aproximadamente 10 segundos cada.
- Bom, to indo. O trabalho me espera. Tchau, amor, beijos!
- Tchau, beijos. Te amo!
- Te amo pra sempre! Te ligo qualquer dia, quando bater saudade.
Fechou a porta, chamou o elevador e foi.

A saudade deve ter batido dia desses.

Um comentário:

Dinho disse...

Não entendir!!