A culpada

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Nenhuma literatura está livre de ficção. E nem de verdade.

sábado, 16 de janeiro de 2016

Eu sei que não devia sentir saudade, por isso me obrigo a não sentir. Mas nos instantes em que ela persiste, parece que o teu cheiro invade minhas narinas e o vermelho transborda no meu ser.
Com as lágrimas emocionadas, lembro das que derramamos um pelo outro, e opto pela distância. É perigoso estarmos perto, a eternidade deixa faíscas também eternas. 

Foi eterno, só não durou muito. 

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Preciso fumar antes de dormir.

Deito, me cubro e acendo o abajur do criado-mudo que fica ao lado esquerdo da minha cama - justamente o lado no qual não durmo. Acendo a terceira e última parcela do cigarro que foi feito ao meio-dia e constato com um triste e verdadeiro sorriso: o gosto do teu cigarro não saiu da minha boca. O cheiro da tua fumaça ainda invade o meu quarto, mas se esvai pela janela... Aquela janela que você sentava pra fumar.

Acho que não fumo pelo vício, fumo mais pela lembrança.
Pelo menos antes de dormir.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Os mesmos

Virou rotina: toda noite eles brigam.
Uma extensa discussão, e cada um com suas motivações e justificativas.
Cada qual com suas armas, suas ofensas, seus medos e seus (res)sentimentos.

O que eles não sabem é que nem sempre alguém tem razão.


E continuam. 

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Ego

Às vezes penso sentir saudade
Mas logo vejo que não é

Penso então que é solidão
Mas logo vejo que não é

Quase acredito que é falta
Mas tenho certeza que não é

É que é muito estranho ser bunda,
quando sempre se foi pé.
Sonhei com você.
De novo.
E dessa vez nos abraçávamos tão forte e amorosamente que acordei com os olhos marejados e sentindo ainda mais  o vazio da cama.

Droga.

Nem em sonho é tão bom quanto já foi. 

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Ins(piração)

Eu procurava amor tranquilo
E fugia sempre da agonia
Mas nos meus amores calmos
Não sentia euforia.

Encontrava pelo mundo
Sempre uma boa companhia
E não importava se durassem
Uma década ou um dia.

Mas desde aquele beijo
Não te esqueço nem um dia 
Pois conheci muitos canalhas
Mas nem todos me rendem poesias.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Comecei um autoquestionário.

Enquanto lia meus lábios no reflexo do espelho, não encontrava as palavras que proferia: pareciam mudos.

Algumas lágrimas espaçosas caíam durante o exercício, e os olhos dos quais elas provinham pareciam não enxergar. Parecia que aqueles olhos só estavam ali pra ver e às vezes para derramar algumas patéticas lágrimas. 


Por que?

...


Por que?


A dúvida ecoava naquela alma vazia. Sem fé e sem intenção.

- Quem sou eu? O que sou eu?

E quase que vi chifres.