A culpada

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Nenhuma literatura está livre de ficção. E nem de verdade.

domingo, 22 de junho de 2014

Talvez seja bom o meu amor.
Talvez seja mesmo um amor.
Talvez não seja.
Talvez "gostar" baste.
Talvez contentamento seja o suficiente.
Talvez simplicidade signifique conforto.
Talvez conforto seja legal.
Talvez "legal" me cause um sorriso.
Talvez um sorriso seja legal.
Talvez dois sejam ainda melhor.
Talvez "melhor" não esteja em você.
Talvez você ainda esteja aqui.
Talvez tenha ido e está melhor.
Talvez ir seja o melhor.
Talvez eu deva ficar.
Talvez "ficar" seja melhor que te seguir.
Talvez "seguir" seja o único jeito de ficar.
Talvez a felicidade tenha ficado.
Talvez esteja ainda ao meu lado.
Talvez devesse se aproximar um bocado.
Talvez precise de um pouco de cuidado.
Talvez devesse saber que está tudo acabado.
Talvez fosse mais fácil se não tivesse tanto te amado.

Talvez esteja tudo em conformidade.
Talvez me falte um pouco de esperteza.

Talvez seja ânsia à perplexidade.
Talvez seja saudade da certeza.

sábado, 21 de junho de 2014

Quando não consigo assistir a um filme, mesmo que uma animação ou um romance.
Quando escuto o meu cantor favorito e lembro de ti.
Quando confundo o nome de outros amores com o teu.
Quando penso que minha felicidade seria muito mais feliz com você aqui.
Quando lembro do teu rosto, da tua voz e dos teus encantos.
Quando acordo e antes dormir.

Nesses momentos, em todos eles, meus dedos me traem e discam o teu telefone, e o coração anseia apenas por uma conversa amistosa ou uma data para um encontro de bons amigos. A mente quase superlota pensando no que dizer e como agir, mas a lágrima cai e o telefone retorna ao seu devido lugar quando o coração pensa na possibilidade de ouvir o silêncio na outra linha. 
Depois de muito soluçar e finalmente cessar o choro, ensaio um sorriso de canto ao pensar que poderia ainda escrever-te formalmente, e quem sabe assim receberia uma resposta. Mas a dúvida faz o corpo inteiro tremer e a espinha arrepiar.

Vivo bem.
Mas "bem" deixa de ser suficiente quando já se viveu no paraíso.
O que fazer? Como te encontrar? Aliás, que palavra usar?
"Encontrar" não serve mais. Acho que ainda não perdi.
Perdi apenas a mim em meio às dúvidas que se multiplicam a cada dia.

Socorro! Me encontre! 

Me encontre, porque sozinha vou demorar pra me achar.

Apelo com auxílio do Ruivo.

Penso tanto o tempo todo que já penso que não é pensamento.
Penso agora que pode ser instinto.
Ou castigo.
Ou carma.

Eu penso que eu não preciso de você e nem da sua companhia. Não preciso dos teu beijos, dos teus braços me cercando e nem do teu afago ou da escovação nos cabelos. Não preciso do teu sorriso, da tua atenção, da tua presença. Não preciso saber como foi seu dia e nem o quão cansado estás. Não preciso sentir teu cheiro e nem entrelaçar minhas pernas nas tuas durante o sono. Não preciso das brigas e nem das reconciliações calorosas antes de dormir, nem da gula compartilhada que sempre acabava sendo divertida.
Eu não preciso do teu amor, nem do teu carinho, nem da tua felicidade.
Mas eu quero.

Mas aí eu penso um pouco mais e não consigo pensar em nada para lhe dizer.
Cantarolo apenas uma canção: "será que você vai sacar que o vão que faz em suas mãos é só porque você não está comigo? Só é possível te amar".
E depois do sorriso marejado, vem a gargalhada pura lembrando da tua interpretação dos primeiros versos da canção.

Vem!
Não me deixa sozinha nessa multidão! Pra quê mudar novamente de lugar? Só quero me casar com alguém igual a você, e eu sei, alguém igual não há de ter.

Vem pro teu lar, que é o meu coração. É o lar que fiz pra ti. E eu cuidarei dele.
Cuidarei do seu jantar.
Do céu.
E do mar.
E de você.
E de mim.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Pois bem, recomendar-te-ei um amor.

Procure um amor prazeroso, que se encante com as pequenas coisas e que se agrade em encantar. Um amor evidentemente sincero, com os olhos dançantes e os lábios falantes. Um amor que use os lábios para proferir doçuras e bobagens, com voz infantil e engraçada, e que solte uma boa gargalhada sempre que você o fizer, porque é realmente divertido. Um amor que te acompanhe nos sonhos, objetivos, aventuras e até mesmo nos filmes bobos que queira ver, e que o faça sem reclamar. Um amor com vícios diferentes, para que um acompanhe o outro na fuga dos mesmos sem sentir falta ou recaídas. Um amor que lhe dê liberdade para lembrar saudosamente de um outro amor, mas que lhe tire essa vontade pelo fato de completar-lhe absolutamente. Um amor que lhe entenda, mas que brigue com você e por você sempre que precisar e que puder. Um amor que não passe a mão na tua cabeça, mas que saiba da tua bondade ofuscada. Um amor que lhe faça acordar sorrindo pela manhã, pois é simplesmente adorável. Um amor que te faça cantar dirigindo e andando por aí, que te encha de ciúmes e que ao mesmo tempo você queira ver livre, pois seria injusto demais com o resto do mundo, privar-lhe dele. Um amor que lhe prenda o pensamento e lhe liberte o coração de toda ansiedade e preocupação. Um amor que lhe massageie quando as costas doerem e que lhe afague os cabelos quando as coisas não correrem bem em seu lar. Um amor paciente, bondoso, simples e perdoador. Um amor sem orgulhos ou vaidades, restrições ou segredos. Um amor que ame e que aceite o teu amor. E que teu amor seja exagerado e descomunal, e que seu amor o aceite e ame esse amor mesmo assim.

Um amor que cure e faça bem.
Porque é assim que deve ser.

Ame!
Amem!
Amém!

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Final fora de ordem

Quem diria
Que um dia, assim,
Em paz,
Você me amaria?

Quem diria
Que depois da bela noite
Tornaríamos ainda melhor 
O dia?

Quem diria
Que na solidão
De uma multidão
Eu te acharia?

Quem diria
Que acharia um novo amor
Num que se dizia velharia?

Quem diria
Que sofrer pela distância
Um dia valeria?

Quem diria
Que seria você
De novo
A causa da calmaria?

Quem diria
Que mais uma vez
Por você eu cantaria
E a eternidade juraria?

Quem diria
Que dessa vez
Ela se concretizaria?

Eu diria!
E diria muito mais.
Diria até
Que não imaginaria jamais.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Talvez a missão seja essa: morrer de amores para que os amores nunca morram e sejam sempre amáveis e amados.

domingo, 8 de junho de 2014

Resolvi assistir a um filme romântico. E, bem, você sabe como sou... Acabei chorando. Mas, sem querer menosprezar enredo, direção, figurino, atores e toda a produção, dessa vez não foi por conta da obra.
Foi por você.
No filme, a protagonista perdia seu amor. Eles não se separaram, não tiveram tempo para isso, a vida tratou de fazer isso com a morte. E sabe, aquilo me doeu profundamente. A mocinha, ao falar de sua dor, disse que esta aumentava a cada segundo.
A cada segundo.
A cada segundo.

Imagine a minha, que se multiplica a cada minuto.
A cada hora.
A cada dia.
A cada mês.
Por toda uma vida.

E ao tentar imaginar minha vida sem você, as lágrimas não cessaram mais.
Constatei que já levo uma vida sem você e que a consigo consigo levar. Mas pensar num mundo onde você não existe, me pareceu insuportável. Talvez se você nunca tivesse existido, o mundo não sentisse sua falta. E por um instante achei que sua existência era pura maldade.
Como ousa apresentar-se assim ao mundo sabendo que um dia ausentar-se-á dele e da vida dos que te conheceram? Como ousa ausentar-se antes mesmo que a vida determine isso? Como ousa encantar, se sabias que o pra sempre era breve?
Eu não sabia!
Como ousa me ensinar? Como ousa tentar fazer com que isto pareça simples?

Triste.
Mas esta demasiada tristeza jamais se comparará à tristeza geral do mundo sem sua ousadia.

Agora imagine como anda a minha vida sem você.