A culpada

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Nenhuma literatura está livre de ficção. E nem de verdade.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Talvez a missão seja essa: morrer de amores para que os amores nunca morram e sejam sempre amáveis e amados.

domingo, 8 de junho de 2014

Resolvi assistir a um filme romântico. E, bem, você sabe como sou... Acabei chorando. Mas, sem querer menosprezar enredo, direção, figurino, atores e toda a produção, dessa vez não foi por conta da obra.
Foi por você.
No filme, a protagonista perdia seu amor. Eles não se separaram, não tiveram tempo para isso, a vida tratou de fazer isso com a morte. E sabe, aquilo me doeu profundamente. A mocinha, ao falar de sua dor, disse que esta aumentava a cada segundo.
A cada segundo.
A cada segundo.

Imagine a minha, que se multiplica a cada minuto.
A cada hora.
A cada dia.
A cada mês.
Por toda uma vida.

E ao tentar imaginar minha vida sem você, as lágrimas não cessaram mais.
Constatei que já levo uma vida sem você e que a consigo consigo levar. Mas pensar num mundo onde você não existe, me pareceu insuportável. Talvez se você nunca tivesse existido, o mundo não sentisse sua falta. E por um instante achei que sua existência era pura maldade.
Como ousa apresentar-se assim ao mundo sabendo que um dia ausentar-se-á dele e da vida dos que te conheceram? Como ousa ausentar-se antes mesmo que a vida determine isso? Como ousa encantar, se sabias que o pra sempre era breve?
Eu não sabia!
Como ousa me ensinar? Como ousa tentar fazer com que isto pareça simples?

Triste.
Mas esta demasiada tristeza jamais se comparará à tristeza geral do mundo sem sua ousadia.

Agora imagine como anda a minha vida sem você.

sábado, 7 de junho de 2014

Nós num nó sem nós

É angústia, tristeza, medo ou agonia
O pescoço esquenta, a pele arrepia
Os olhos pesam, a coluna se destrói,
O suor é frio e a cabeça dói.

A dor no peito hoje já é literal
As mãos às vezes tremem
O olho sempre pisca
E digestão anda bem mal.

No coração, pontada.
No estômago, fisgada.
Na cabeça, além de você, nada.

Tudo e nada ao mesmo tempo
Um confusão que só
Só pode ter sido um marinheiro
Quem fez esse nó.

Covarde!
Como foi embora assim?
Alegou que estava tarde
Mas ora, se o senhor o fez,
Exijo que desate!

Desatou a minha vida
De uma vez só
Tão rápido, mas tão rápido
Que me senti um simples nó.

E em meio aos nós
Olhei além e entendi o descompasso:
Virei mesmo simples nó
Porque deixamos de ser um laço.

A lágrima desce
E com uma risada triste eu imploro:
"Oh, Senhor, nos dê apenas um "s""!

terça-feira, 3 de junho de 2014

Lembra quando um dia, no carro, em frente ao meu portão, despediu-se com um beijo e logo em seguida convidou-me para assistir um filme qualquer dia?
Não achei que fosse verdade, mas disse que sim, e foi nesse momento em que apaixonei. 
E a cada dia, com cada gesto e palavra, o sentimento se confirmava e aprofundava. A cada sorriso largo e fechado, a cada ajeitada no chapéu que sempre estava ao contrário e a cada comentário risonho em meio às seriedades do dia-a-dia. 
A cada olhar reluzente, a cada declaração muda ou gritante, a cada beijo longo e forte e até mesmo com as tuas juras tão falsas de que todo cigarro seria o último. 
A cada vez que se sujava com a comida e cada vez que ria de mim quando eu fazia o mesmo. Cada vez que falava meu nome com receio quando achava que me chatearia, e a cada vez que me chateava e me fazia ameaça-lo pífiamente só pra dizer que não era boba.
Ao abraçar toda a tua causa e querer exterminar tudo o que lhe fazia derramar lágrimas tristes, pois me apaixonava a cada lágrima de alegria ou de emoção.
Me apaixonava quando demonstravas nobreza, ombridade, lealdade, humildade e uma bondade enorme que nem se sabia de onde vinha, e mais ainda quando alegrava-se da minha alegria e orgulhava-se na minha vitória. Me apaixonava por cada detalhe que sabia da sua vida, mesmo os condenáveis, pois era com essas pequenas coisas que eu entrava cada vez mais na sua história. Me apaixonava por toda flor que vinha de surpresa, por cada beijo ao acordar, por toda confiança que em mim parecia depositar.

Quem poderia dizer que hoje, quem tanto amei, é um completo estranho com os olhos entristecidos e com a cabeça sempre baixa ao se pronunciar? Que mal consegue aproximar-se e que conversa quase que monossilabicamente somente quando lhe é extremamente necessário?

O tempo às vezes é infeliz.
Da mesma forma que promove encontros, faz com que as pessoas, mesmo tendo sido um dia grandes confidentes, se tornem meros conhecidos cada vez mais desconhecidos.

Acho na verdade que o tempo não passa de um infeliz querendo deixar as pessoas que nem ele.

Ainda bem que não consegue com todos! Eu é que não tenho tempo pra essa tal infelicidade! Só tenho tempo pra me apaixonar por outros detalhes e fazer minha parte numa outra história.

domingo, 1 de junho de 2014

A falta que fazes nas noites frias só não se classifica como a coisa mais dolorosa do mundo porque a manhã vem e consegue ser ainda mais impiedosa.
Durante a noite, desejo-te ansiosa e com ardor.
Anseio pelo teu cheiro, teu toque e tua língua. Todo o meu corpo grita e arde implorando pela tua boca e pelo calafrio que acompanha seu toque em minha pele. A nuca se arrepia ao pensar em ti e imaginar a tua voz bem próxima ao meu ouvido dizendo loucuras entre uma mordiscada e outra. Os olhos se fecham e o pescoço se alonga enquanto a minha mão percorre o corpo com firmeza, como se fossem as tuas. Massageio-me gentilmente, mas desejando na verdade que me maltratasse com tua mão estalando em minha pele, apertando o meu seio, com teus puxões de cabelo e com as tuas mordidas acentuadas nos lábios. Delicio-me pensando nos teus movimento impetuosos e na tua demasiada fome, e desejo mais que tudo poder saciar-te e até mesmo dar-te doses exageradas do meu querer tão descomunal. Desejo-te a cada segundo, e quando desejo não desejar-te, desejo-te dois segundos mais. Viro-me contra o travesseiro na desilusão de uma noite a mais sem ti e durmo, fadada a ver-te em meus sonhos e acordar injustamente deparando-me com a solidão.

Desperto com essa tão constante companhia e é com ela que desejo-te mais.
Ao banhar-me, ao me arrumar e ao tomar café.
Ao ver teu retrato, ler tuas palavras e mais ainda ao ouvi-las.
Ao piscar e ao respirar.
Ao andar e ao falar.
Ao parar e ao tentar seguir.
Ao desistir e ao lembrar que já não sei como viver sem ter você e te querer.
Ela nem é tão bela assim.
Anda meio sem jeito, com a roupa meio torta e não tem modos pra sentar.
A boca sempre está ocupada com um copo, um cigarro, o mau hálito matutino ou falando com sua voz enjoada.
Tem o sorriso pouco sincero e a pele cada vez com menos cor. Os olhos brilham cada vez menos e os cabelos... Destes eu não reclamo.
Suas ambições diminuem a cada dia, e sonha menos a cada noite, e quando sonha, acorda se debatento e lutando contra ele.

Coitada.

Nem é tão bela assim.

E por que eu não consigo resistir?

Coitado de mim!