É angústia, tristeza, medo ou agonia
O pescoço esquenta, a pele arrepia
Os olhos pesam, a coluna se destrói,
O suor é frio e a cabeça dói.
A dor no peito hoje já é literal
As mãos às vezes tremem
O olho sempre pisca
E digestão anda bem mal.
No coração, pontada.
No estômago, fisgada.
Na cabeça, além de você, nada.
Tudo e nada ao mesmo tempo
Um confusão que só
Só pode ter sido um marinheiro
Quem fez esse nó.
Covarde!
Como foi embora assim?
Alegou que estava tarde
Mas ora, se o senhor o fez,
Exijo que desate!
Desatou a minha vida
De uma vez só
Tão rápido, mas tão rápido
Que me senti um simples nó.
E em meio aos nós
Olhei além e entendi o descompasso:
Virei mesmo simples nó
Porque deixamos de ser um laço.
A lágrima desce
E com uma risada triste eu imploro:
"Oh, Senhor, nos dê apenas um "s""!
A culpada
sábado, 7 de junho de 2014
terça-feira, 3 de junho de 2014
Lembra quando um dia, no carro, em frente ao meu portão, despediu-se com um beijo e logo em seguida convidou-me para assistir um filme qualquer dia?
Não achei que fosse verdade, mas disse que sim, e foi nesse momento em que apaixonei.
E a cada dia, com cada gesto e palavra, o sentimento se confirmava e aprofundava. A cada sorriso largo e fechado, a cada ajeitada no chapéu que sempre estava ao contrário e a cada comentário risonho em meio às seriedades do dia-a-dia.
A cada olhar reluzente, a cada declaração muda ou gritante, a cada beijo longo e forte e até mesmo com as tuas juras tão falsas de que todo cigarro seria o último.
A cada vez que se sujava com a comida e cada vez que ria de mim quando eu fazia o mesmo. Cada vez que falava meu nome com receio quando achava que me chatearia, e a cada vez que me chateava e me fazia ameaça-lo pífiamente só pra dizer que não era boba.
Ao abraçar toda a tua causa e querer exterminar tudo o que lhe fazia derramar lágrimas tristes, pois me apaixonava a cada lágrima de alegria ou de emoção.
Me apaixonava quando demonstravas nobreza, ombridade, lealdade, humildade e uma bondade enorme que nem se sabia de onde vinha, e mais ainda quando alegrava-se da minha alegria e orgulhava-se na minha vitória. Me apaixonava por cada detalhe que sabia da sua vida, mesmo os condenáveis, pois era com essas pequenas coisas que eu entrava cada vez mais na sua história. Me apaixonava por toda flor que vinha de surpresa, por cada beijo ao acordar, por toda confiança que em mim parecia depositar.
Quem poderia dizer que hoje, quem tanto amei, é um completo estranho com os olhos entristecidos e com a cabeça sempre baixa ao se pronunciar? Que mal consegue aproximar-se e que conversa quase que monossilabicamente somente quando lhe é extremamente necessário?
O tempo às vezes é infeliz.
Da mesma forma que promove encontros, faz com que as pessoas, mesmo tendo sido um dia grandes confidentes, se tornem meros conhecidos cada vez mais desconhecidos.
Acho na verdade que o tempo não passa de um infeliz querendo deixar as pessoas que nem ele.
Ainda bem que não consegue com todos! Eu é que não tenho tempo pra essa tal infelicidade! Só tenho tempo pra me apaixonar por outros detalhes e fazer minha parte numa outra história.
domingo, 1 de junho de 2014
A falta que fazes nas noites frias só não se classifica como a coisa mais dolorosa do mundo porque a manhã vem e consegue ser ainda mais impiedosa.
Durante a noite, desejo-te ansiosa e com ardor.
Anseio pelo teu cheiro, teu toque e tua língua. Todo o meu corpo grita e arde implorando pela tua boca e pelo calafrio que acompanha seu toque em minha pele. A nuca se arrepia ao pensar em ti e imaginar a tua voz bem próxima ao meu ouvido dizendo loucuras entre uma mordiscada e outra. Os olhos se fecham e o pescoço se alonga enquanto a minha mão percorre o corpo com firmeza, como se fossem as tuas. Massageio-me gentilmente, mas desejando na verdade que me maltratasse com tua mão estalando em minha pele, apertando o meu seio, com teus puxões de cabelo e com as tuas mordidas acentuadas nos lábios. Delicio-me pensando nos teus movimento impetuosos e na tua demasiada fome, e desejo mais que tudo poder saciar-te e até mesmo dar-te doses exageradas do meu querer tão descomunal. Desejo-te a cada segundo, e quando desejo não desejar-te, desejo-te dois segundos mais. Viro-me contra o travesseiro na desilusão de uma noite a mais sem ti e durmo, fadada a ver-te em meus sonhos e acordar injustamente deparando-me com a solidão.
Desperto com essa tão constante companhia e é com ela que desejo-te mais.
Ao banhar-me, ao me arrumar e ao tomar café.
Ao ver teu retrato, ler tuas palavras e mais ainda ao ouvi-las.
Ao piscar e ao respirar.
Ao andar e ao falar.
Ao parar e ao tentar seguir.
Ao desistir e ao lembrar que já não sei como viver sem ter você e te querer.
Durante a noite, desejo-te ansiosa e com ardor.
Anseio pelo teu cheiro, teu toque e tua língua. Todo o meu corpo grita e arde implorando pela tua boca e pelo calafrio que acompanha seu toque em minha pele. A nuca se arrepia ao pensar em ti e imaginar a tua voz bem próxima ao meu ouvido dizendo loucuras entre uma mordiscada e outra. Os olhos se fecham e o pescoço se alonga enquanto a minha mão percorre o corpo com firmeza, como se fossem as tuas. Massageio-me gentilmente, mas desejando na verdade que me maltratasse com tua mão estalando em minha pele, apertando o meu seio, com teus puxões de cabelo e com as tuas mordidas acentuadas nos lábios. Delicio-me pensando nos teus movimento impetuosos e na tua demasiada fome, e desejo mais que tudo poder saciar-te e até mesmo dar-te doses exageradas do meu querer tão descomunal. Desejo-te a cada segundo, e quando desejo não desejar-te, desejo-te dois segundos mais. Viro-me contra o travesseiro na desilusão de uma noite a mais sem ti e durmo, fadada a ver-te em meus sonhos e acordar injustamente deparando-me com a solidão.
Desperto com essa tão constante companhia e é com ela que desejo-te mais.
Ao banhar-me, ao me arrumar e ao tomar café.
Ao ver teu retrato, ler tuas palavras e mais ainda ao ouvi-las.
Ao piscar e ao respirar.
Ao andar e ao falar.
Ao parar e ao tentar seguir.
Ao desistir e ao lembrar que já não sei como viver sem ter você e te querer.
Ela nem é tão bela assim.
Anda meio sem jeito, com a roupa meio torta e não tem modos pra sentar.
A boca sempre está ocupada com um copo, um cigarro, o mau hálito matutino ou falando com sua voz enjoada.
Tem o sorriso pouco sincero e a pele cada vez com menos cor. Os olhos brilham cada vez menos e os cabelos... Destes eu não reclamo.
Suas ambições diminuem a cada dia, e sonha menos a cada noite, e quando sonha, acorda se debatento e lutando contra ele.
Coitada.
Nem é tão bela assim.
E por que eu não consigo resistir?
Coitado de mim!
quarta-feira, 28 de maio de 2014
- Olha, olha aqui o Fernandinho brincando com aquela amiguinha dele, a Dora, no quintal daquela casa de praia... Todos sujos, olha só.
- É mesmo! Por onde anda a Dora, hein? Nunca mais ouvi falar!
- Ah, menina, não sei. E ela era tão
Amiga do Fernando... Jurava que eles iam namorar!
- Todo mundo, né?! Eles não se desgrudavam, e agora, veja você, nem se veem mais.
- É, minha filha, cresceram! Cada um fazendo uma faculdade diferente, morando longe... Cada um foi pro seu canto.
- Doideira. E nessa foto aqui, quem é ao lado do Caio?
- Nunca vi mais gorda! Não faço ideia de quem seja essa criança.
- Mas ela está em outras fotos também, olha.
- Ah! É a filha daquela amiga da Lúcia, tá lembrada?
- To, sim! Onde foi parar essa cadeira que ela tá sentada, hein?
- Ah, também não sei que fim levou, sei que sumiu.
- Deve ter se perdido em alguma mudança.
- Provável... Ih, olha a gente nessa foto! Olha o seu cabelo, Deus me livre!
- Não ri, não! E essa sua calça nos peitos?
- Era moda, meu bem!
Depois de muitas risadas revendo aquelas fotografias e entre um gole e outro no vinho tinto seco...
- Muito bom ver essas fotos! Olha como a gente mudou!
- Graaaaaças a Deus, né? Imagina se você tivesse aquele cabelo de poodle até hoje, jamais andaria com você.
- Palhaça! Pior que é mesmo... Mas há quanto tempo não riamos assim, hein, irmã?
- É, acho que perdemos esse hábito em alguma mudança... Da vida.
segunda-feira, 26 de maio de 2014
É inegável: eu não a esqueço.
Sonho com ela às vezes e constantemente chamo por seu nome.
Sinto seu cheiro antes de dormir, mas já não o reconheço nela quando passa rapidamente.
Todo dia lamento sua mudança e minha falta de evolução. Fossemos sempre iguais, ainda estaríamos juntos, e que se danem as brigas.
Nas ruas, nos bares e botequins, menosprezo todos os sorrisos. Jamais se igualarão ao dela, pois se bastam com os lábios. E os olhos, cadê?
Juro a cada pensamento amoroso que este será o último, e que então a quererei ver feliz e completando a vida de outrem.
Invejo a cada batimento cardíaco os que a cercam e os que ainda poderiam cercá-la, e incompreendo cada dia mais os que não o fazem.
Morro um pouco a cada devaneio da sonhada realidade que jamais retornará. Ressuscito quando penso que assim é melhor pra minha menina.
Mas o coração quase para quando percebo que errei.
Já não posso chamá-la de "minha".
Perdi.
E já posso chamá-la de "menina".
Perdeu-se.
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