Eu me arrumei toda, mas você não veio.
Usei aquela calça que você gosta porque destaca menos o meu bumbum, apesar de odiar abrir seus botões na hora de tirá-la. Usei também aquela blusa frente-única que você adora por poder ver melhor o formato dos meus seios e por poder acariciar minhas costas enquanto ainda a estou usando.
Usei pouca maquiagem, do jeito que você gosta: Pouco corretivo nos olhos, lápis apenas no canto externo até pouco antes da metade, mas sem pintar a linha d'água, delineado fino rente aos cílios e apenas uma camada de rímel. Sem batom, apenas com um pouco de brilho que sairia rápido, do jeito que você gosta.
Planejei tudo. Botei no celular umas músicas que queria te mostrar, pensei numa piada ruim pra te contar e pensei também num jeito sutil de te pedir para me levar pra sua casa.
Pensei até em confessar que estava com saudades.
Planejei sugerir uma bebida quando chegássemos em casa e sugeriria também que víssemos um filme. Qualquer um. Não o veríamos, o plano era esse. O filme seria só pra ser mais sutil quanto as minhas intenções.
Depois, faria com que me conduzisse até o quarto. Não sem antes me beijar ali mesmo na sala, me arrepiar a pele e me marcar o pescoço. E no quarto riria do jeito que você tanto gosta enquanto reclama da dificuldade para tirar minha calça. Eu o ajudaria e ajudaria também a tirar a sua. E aí te olharia ali de baixo por uns cinco minutos, até que minha boca procuraria a sua...
E depois de um tempo, quando me pedisse para que fizesse menos barulho, seguraria o apoio da cama com força na tentativa de me controlar.
E quando acabasse, ia deitar a cabeça no teu peito e fazer carinho na tua cabeça com a mão do braço que está por baixo do teu pescoço levemente arranhado e com marcas de dente. Mas não por muito tempo, eu sei, pois você me trocaria pelo maldito cigarro que você diz que te relaxa. E, mais uma vez, eu invejaria esse cigarro.
Mas você não veio...
Então eu realmente vi um filme.
E invejei o cigarro.
A culpada
terça-feira, 25 de junho de 2013
domingo, 16 de junho de 2013
III
Levei meu cão para passear na Lagoa Rodrigo de Freitas após voltar da faculdade.
Peguei um baita trânsito saindo da tijuca e precisava dar uma relaxada, só não sabia como. Antes mesmo de abrir a porta, já podia ouvir Edward arranhando a porta ansioso com minha chegada. Deparei-me logo com uma revista comida em cima do sofá. Recolhi, dei-lhe umas palmadinhas e logo depois, toda arrependida, pensei: "Como é bom ser recebida desse jeito! Não há nada melhor no mundo que sentir raiva por apenas um segundo e sentir um amor sem dimensão de tempo logo em seguida!".
Troquei de roupa, coloquei no Ed e fomos.
Chegando lá, soltei-o e me sentei para vê-lo brincar com seus amiguinhos. Naquele momento, me sentia como uma mãe que leva seu filho ao parquinho e fica toda boba vendo sua cria fazendo novas amizades. Depois de certo tempo, me juntei aos donos de alguns dos cachorros que ali brincavam e começamos a conversar sobre nossos amados animais. Uma história mais engraçada que a outra sobre celulares, bolsas, roupas, chinelos e até mesmo controles remotos destruídos. Eis que uma das donas se pronuncia:
- Vocês reclamam dos cachorros porque não experimentaram ainda ter cachorros e uma criança!
- Mas você não se sente sozinha ou vazia de modo algum, não é mesmo? - Respondi automaticamente e, com um enorme e espontâneo sorriso, a mulher retrucou:
- Não!
O dia se passou e pensei nisso até a hora da janta, que foi quando finalmente estive com minha mãe.
- Mãe, o que você acharia de ter um neto agora?
- Acharia engraçado.
- Engraçado por que?
- Porque não consigo imaginar essa hipótese.
- Por que? Por eu ser solteira?
- Não, não... Sei que isso não diz muito nos dias de hoje, e, bem, conheço a filha que tenho. E, por conta disso, acho que você não seria idiota de se descuidar quanto a isso.
- Como assim "me descuidar"?
- Ué, deixar isso acontecer!
- Já parou pra pensar na possibilidade de eu querer que aconteça? - Mamãe, sem perceber, gritou com Edward, que estava dando a pata há séculos pedindo a comida. - Eita! Não precisa falar assim com ele!
- Como assim não precisa, Catarina? Quer dizer, realmente não preciso falar assim com ele, mas com você... Você merece uma surra! Tem noção do que disse? Que diabos você pensa da vida? Que pode ter um filho antes de terminar a faculdade? Com um cara qualquer? Você tem estrutura pra criar essa criança?
- Sei que não, mas mãe...
- Claro que não! Mas acha que a idiota aqui ia cuidar do seu filho enquanto a dondoca sai pras baladas e volta de manhã na hora de dar a papinha... Pelo amor de Deus, Catarina, pelo amor de Deus!
- Mãe, eu não disse que vou ter um filho.
- Sim, não disse porque ainda não está grávida.
- Sim. Não estou e vou me cuidar para me manter assim, pode ficar tranquila.
- Olha, eu acho bom, mesmo!
- Eu não... Mas infelizmente vai ser assim. Te garanto.
- "Infelizmente"... Que Deus não escute a besteira que você disse! E olha, nem pense em comentar isso com seu pai quando ligar pra ele. Sabe que ele é um imbecil e vai começar a dizer que isso é coisa minha, que eu não te criei direito, que não teve filha pra isso...
- É, sei...
- E aproveita e pede dinheiro pra ele, porque eu já não tenho mais pra te dar.
- Tudo bem. Boa noite.
- Ué, já vai dormir?
- Não. Vou só ficar no quarto. Só desejo que sua noite possa ser melhor que a minha, porque a minha já não tinha como ser boa, mas agora, depois de tudo que ouvi, não tem como não ser horrível.
- Ai ai... Coitadinha! Ainda tenho que ouvir uma coisa dessas... - Disse rindo ironicamente. - Ah, vai arranjar o que fazer, menina à toa! E limpa o xixi que o Edward fez na sala!
E a porta do quarto se fecha. E a do mundo, também.
Peguei um baita trânsito saindo da tijuca e precisava dar uma relaxada, só não sabia como. Antes mesmo de abrir a porta, já podia ouvir Edward arranhando a porta ansioso com minha chegada. Deparei-me logo com uma revista comida em cima do sofá. Recolhi, dei-lhe umas palmadinhas e logo depois, toda arrependida, pensei: "Como é bom ser recebida desse jeito! Não há nada melhor no mundo que sentir raiva por apenas um segundo e sentir um amor sem dimensão de tempo logo em seguida!".
Troquei de roupa, coloquei no Ed e fomos.
Chegando lá, soltei-o e me sentei para vê-lo brincar com seus amiguinhos. Naquele momento, me sentia como uma mãe que leva seu filho ao parquinho e fica toda boba vendo sua cria fazendo novas amizades. Depois de certo tempo, me juntei aos donos de alguns dos cachorros que ali brincavam e começamos a conversar sobre nossos amados animais. Uma história mais engraçada que a outra sobre celulares, bolsas, roupas, chinelos e até mesmo controles remotos destruídos. Eis que uma das donas se pronuncia:
- Vocês reclamam dos cachorros porque não experimentaram ainda ter cachorros e uma criança!
- Mas você não se sente sozinha ou vazia de modo algum, não é mesmo? - Respondi automaticamente e, com um enorme e espontâneo sorriso, a mulher retrucou:
- Não!
O dia se passou e pensei nisso até a hora da janta, que foi quando finalmente estive com minha mãe.
- Mãe, o que você acharia de ter um neto agora?
- Acharia engraçado.
- Engraçado por que?
- Porque não consigo imaginar essa hipótese.
- Por que? Por eu ser solteira?
- Não, não... Sei que isso não diz muito nos dias de hoje, e, bem, conheço a filha que tenho. E, por conta disso, acho que você não seria idiota de se descuidar quanto a isso.
- Como assim "me descuidar"?
- Ué, deixar isso acontecer!
- Já parou pra pensar na possibilidade de eu querer que aconteça? - Mamãe, sem perceber, gritou com Edward, que estava dando a pata há séculos pedindo a comida. - Eita! Não precisa falar assim com ele!
- Como assim não precisa, Catarina? Quer dizer, realmente não preciso falar assim com ele, mas com você... Você merece uma surra! Tem noção do que disse? Que diabos você pensa da vida? Que pode ter um filho antes de terminar a faculdade? Com um cara qualquer? Você tem estrutura pra criar essa criança?
- Sei que não, mas mãe...
- Claro que não! Mas acha que a idiota aqui ia cuidar do seu filho enquanto a dondoca sai pras baladas e volta de manhã na hora de dar a papinha... Pelo amor de Deus, Catarina, pelo amor de Deus!
- Mãe, eu não disse que vou ter um filho.
- Sim, não disse porque ainda não está grávida.
- Sim. Não estou e vou me cuidar para me manter assim, pode ficar tranquila.
- Olha, eu acho bom, mesmo!
- Eu não... Mas infelizmente vai ser assim. Te garanto.
- "Infelizmente"... Que Deus não escute a besteira que você disse! E olha, nem pense em comentar isso com seu pai quando ligar pra ele. Sabe que ele é um imbecil e vai começar a dizer que isso é coisa minha, que eu não te criei direito, que não teve filha pra isso...
- É, sei...
- E aproveita e pede dinheiro pra ele, porque eu já não tenho mais pra te dar.
- Tudo bem. Boa noite.
- Ué, já vai dormir?
- Não. Vou só ficar no quarto. Só desejo que sua noite possa ser melhor que a minha, porque a minha já não tinha como ser boa, mas agora, depois de tudo que ouvi, não tem como não ser horrível.
- Ai ai... Coitadinha! Ainda tenho que ouvir uma coisa dessas... - Disse rindo ironicamente. - Ah, vai arranjar o que fazer, menina à toa! E limpa o xixi que o Edward fez na sala!
E a porta do quarto se fecha. E a do mundo, também.
terça-feira, 11 de junho de 2013
II
Sim.
Passei o dia dormindo. Acordei ao meio-dia, vi o sol, fechei as cortinas e voltei-me ao travesseiro para continuar o sono.
Sono sem sonho, aliás.
Acordei às 16h para tomar remédio e também para ver se conseguia não dormir tão tarde por conta da aula no dia seguinte.
Passei o dia no computador tentando escrever, falando com gente desinteressante e morrendo de vontade de falar com quem me interessa e se interessa por mim, mas, por algum motivo sobrenatural, não o fiz. E nem ele.
Esse domingo foi mais um daqueles dias em que você se força tanto para esquecer uma única coisa que acaba lembrando de várias outras.
Lembrei-me de um dia em que minha então paixão bateu com a cabeça em meus lábios e fiquei parecendo um monstro com uma bola na boca, e, ao pedir desculpas, o mesmo disse que eu ficava linda até daquele jeito. Na hora, não sabia se achava aquilo lindo ou se achava ridículo de tão forçado que era, afinal, estava realmente horrível.
Hoje tenho vontade de matá-lo por ter me machucado (fiquei levemente deformada por uma semana) e mais ainda por ter dito aquilo. Devia ter tido essa vontade desde sempre? Sim, mas eu tinha 16 anos.
Lembrei também do amor platônico que arranjei na internet e nunca nem vi a cara pessoalmente. Fazia juras de amor, declarava-me com fervor... Que engraçado lembrar do Miguel! E sabe o que é pior? Até hoje juro que foi o meu primeiro amor.
E foi mesmo.
Só tive dois amores: Miguel e meu atual amor.
Às vezes penso que uma outra paixão também foi amor, porque suportei tanta coisa, ouvi tanta coisa, me privei de tanta coisa... Mas, ao mesmo tempo que penso isso, não consigo me lembrar de um momento sequer que tenha sentido um quarto do que sinto agora ou do que sentia em 2007.
Parei com a nostalgia e ri de minha atual vida amorosa.
A ironia reina em minha vida: Estou com as decisões nas mãos e o destino sempre calha de botar uma consequência extraordinariamente inesperada para a situação, fazendo com que eu tenha vontade de bater em mim mesma, aumentando assim a enxaqueca que teimou em aparecer de um tempo pra cá.
Um exemplo disso é a minha aparência. Sempre fui muito vaidosa e, ultimamente, ando muito determinada a ser mais bonita, emagrecer e coisa e tal. A autoestima tava pedindo socorro e me senti na obrigação de socorre-la, mas, ao mesmo tempo que me ajuda muito, também prejudica.
Gosto de me sentir desejada, atraente, sexy... Mas é horrível me sentir apenas isso. Às vezes penso que todos os elogios sobre meu intelecto são papo-furado para conseguir uns beijos ou algo mais. E o pior: Conseguem.
Ando muito vulnerável. Alguns preferem dizer "fácil", mas é como diz a canção: "Não dou pra ficar só".
Não quero um companheiro fiel, leal, que me traga flores num dia ruim, que me dê carinho e sexo na hora que eu ligar ou que diga que me ama antes de desligar o telefone. Quero um parceiro.
E tá tão difícil de encontrar, tão difícil de saber quem é quem.
Ou quem é o que.
Passei o dia dormindo. Acordei ao meio-dia, vi o sol, fechei as cortinas e voltei-me ao travesseiro para continuar o sono.
Sono sem sonho, aliás.
Acordei às 16h para tomar remédio e também para ver se conseguia não dormir tão tarde por conta da aula no dia seguinte.
Passei o dia no computador tentando escrever, falando com gente desinteressante e morrendo de vontade de falar com quem me interessa e se interessa por mim, mas, por algum motivo sobrenatural, não o fiz. E nem ele.
Esse domingo foi mais um daqueles dias em que você se força tanto para esquecer uma única coisa que acaba lembrando de várias outras.
Lembrei-me de um dia em que minha então paixão bateu com a cabeça em meus lábios e fiquei parecendo um monstro com uma bola na boca, e, ao pedir desculpas, o mesmo disse que eu ficava linda até daquele jeito. Na hora, não sabia se achava aquilo lindo ou se achava ridículo de tão forçado que era, afinal, estava realmente horrível.
Hoje tenho vontade de matá-lo por ter me machucado (fiquei levemente deformada por uma semana) e mais ainda por ter dito aquilo. Devia ter tido essa vontade desde sempre? Sim, mas eu tinha 16 anos.
Lembrei também do amor platônico que arranjei na internet e nunca nem vi a cara pessoalmente. Fazia juras de amor, declarava-me com fervor... Que engraçado lembrar do Miguel! E sabe o que é pior? Até hoje juro que foi o meu primeiro amor.
E foi mesmo.
Só tive dois amores: Miguel e meu atual amor.
Às vezes penso que uma outra paixão também foi amor, porque suportei tanta coisa, ouvi tanta coisa, me privei de tanta coisa... Mas, ao mesmo tempo que penso isso, não consigo me lembrar de um momento sequer que tenha sentido um quarto do que sinto agora ou do que sentia em 2007.
Parei com a nostalgia e ri de minha atual vida amorosa.
A ironia reina em minha vida: Estou com as decisões nas mãos e o destino sempre calha de botar uma consequência extraordinariamente inesperada para a situação, fazendo com que eu tenha vontade de bater em mim mesma, aumentando assim a enxaqueca que teimou em aparecer de um tempo pra cá.
Um exemplo disso é a minha aparência. Sempre fui muito vaidosa e, ultimamente, ando muito determinada a ser mais bonita, emagrecer e coisa e tal. A autoestima tava pedindo socorro e me senti na obrigação de socorre-la, mas, ao mesmo tempo que me ajuda muito, também prejudica.
Gosto de me sentir desejada, atraente, sexy... Mas é horrível me sentir apenas isso. Às vezes penso que todos os elogios sobre meu intelecto são papo-furado para conseguir uns beijos ou algo mais. E o pior: Conseguem.
Ando muito vulnerável. Alguns preferem dizer "fácil", mas é como diz a canção: "Não dou pra ficar só".
Não quero um companheiro fiel, leal, que me traga flores num dia ruim, que me dê carinho e sexo na hora que eu ligar ou que diga que me ama antes de desligar o telefone. Quero um parceiro.
E tá tão difícil de encontrar, tão difícil de saber quem é quem.
Ou quem é o que.
domingo, 9 de junho de 2013
I
Às vezes eu saio, às vezes eu fico em casa.
Às vezes eu gosto, às vezes eu não gosto.
Às vezes eu rio às vezes eu choro.
Às vezes eu sei lidar bem com situações inusitadas, na maioria das vezes, não sei.
Independente do meu nome, da minha idade, de onde vim, de onde estou ou de onde me criei, eu sou como você. Somos idênticos, eu diria.
Talvez você esteja pensando que estou escrevendo para uma pessoa em específico ou que apenas estou exagerando quando falo de toda essa igualdade, mas, pensando qualquer uma dessas opções, está enganado.
Às vezes eu gosto, às vezes eu não gosto.
Às vezes eu rio às vezes eu choro.
Às vezes eu sei lidar bem com situações inusitadas, na maioria das vezes, não sei.
Independente do meu nome, da minha idade, de onde vim, de onde estou ou de onde me criei, eu sou como você. Somos idênticos, eu diria.
Talvez você esteja pensando que estou escrevendo para uma pessoa em específico ou que apenas estou exagerando quando falo de toda essa igualdade, mas, pensando qualquer uma dessas opções, está enganado.
Eu escrevo para todos.
Acredito numa diversidade existente em cada um de nós que age de forma diferente em cada ser, mas acredito que somos essencialmente iguais.
Acho que essa questão de fé não se deve explicar ou discutir muito. Não estou a fim de convencer ninguém de que estou certa ou que o outro está errado. Só estou falando tudo isso para que não haja surpresas ao longo da história. Não falo apenas de surpresas de identificação, mas também de surpresas surpreendentes, mesmo.
Enfim...
I
Acho que essa questão de fé não se deve explicar ou discutir muito. Não estou a fim de convencer ninguém de que estou certa ou que o outro está errado. Só estou falando tudo isso para que não haja surpresas ao longo da história. Não falo apenas de surpresas de identificação, mas também de surpresas surpreendentes, mesmo.
Enfim...
I
O mal que me assombrava há cerca de 5 meses parecia voltar. Não conseguia suportar a ideia de ter que encará-lo de novo, quanto mais tê-lo de novo. Afastei-o, então, me afastando.
Sim, fugi e usei uma metáfora para fugir de novo deste fato.
Pois bem, peguei meu celular, me arrumei, me maquiei e fui rumo a distração. Desde o início sabia que era momentânea, mas quem liga? Pelo menos por momentos o mal iria embora - ou pelo menos se camuflaria com um sorriso vazio, um coração cheio e uma boca quase explodindo com tanta coisa que precisava ser dita.
Peguei um táxi e fui.
Cheguei.
Entrei.
Elogios, brincadeiras, dança, bebidas, cigarros e beijos a noite toda. A tristeza se camuflou bem até demais, confesso.
Os planos de voltar pra casa acompanhada não foram bem sucedidos - não sei se por sorte ou falta dela - e, ao deitar-me para então descansar, a maldita retornou. Lembranças com forma, conteúdo, cores exatas e até mesmo com cheiros que até mesmo meu nariz entupido por conta do repentino frio que fazia ultimamente em minha cidade, que é quente por natureza, podia sentir. E sentia de longe!
E sentia muito...
Sentia muito por tê-lo deixado. Sentia muito por tê-los deixado, aliás.
Estava perdendo os homens de minha vida: O amor, as paixões, os amigos e o pai, que não ia lá muito bem de saúde.
Tinha como recuperar todos eles? Não. Tinha como recuperar a maioria? Facilmente, mas dificultava.
Sim, fugi e usei uma metáfora para fugir de novo deste fato.
Pois bem, peguei meu celular, me arrumei, me maquiei e fui rumo a distração. Desde o início sabia que era momentânea, mas quem liga? Pelo menos por momentos o mal iria embora - ou pelo menos se camuflaria com um sorriso vazio, um coração cheio e uma boca quase explodindo com tanta coisa que precisava ser dita.
Peguei um táxi e fui.
Cheguei.
Entrei.
Elogios, brincadeiras, dança, bebidas, cigarros e beijos a noite toda. A tristeza se camuflou bem até demais, confesso.
Os planos de voltar pra casa acompanhada não foram bem sucedidos - não sei se por sorte ou falta dela - e, ao deitar-me para então descansar, a maldita retornou. Lembranças com forma, conteúdo, cores exatas e até mesmo com cheiros que até mesmo meu nariz entupido por conta do repentino frio que fazia ultimamente em minha cidade, que é quente por natureza, podia sentir. E sentia de longe!
E sentia muito...
Sentia muito por tê-lo deixado. Sentia muito por tê-los deixado, aliás.
Estava perdendo os homens de minha vida: O amor, as paixões, os amigos e o pai, que não ia lá muito bem de saúde.
Tinha como recuperar todos eles? Não. Tinha como recuperar a maioria? Facilmente, mas dificultava.
Senti tanto que senti até dor de cabeça. Bebida e choro são coisas que nunca combinaram. Tomei 30 gotas de seu calmante após ler na bula do mesmo que a superdosagem poderia apenas causar um coma de algumas horinhas. Sei que pode não ser algo bobo e insignificante. Sei, aliás, que é algo bastante sério, mas nada me poderia ser mais tentador que algumas horas sem lembrar de nada, sem pensar em nada... Quero dizer, toda uma eternidade desta forma parecia, sim, mais tentador. E coragem para levar-me a esta eternidade, muito mais.
sábado, 8 de junho de 2013
10.080 / 7
Durante os 5 dias da semana, ao deitar a cabeça no travesseiro antes de dormir, penso no dia que está por vir.
Durante os outros 2 dias, penso na noite que acabara de passar. Normalmente é divertido.
Durante os 7 dias que compõem a semana, após desligar o despertador, penso em você.
Penso em você enquanto procuro coragem de levantar, pisar neste chão de taco não tão frio, andar pelo quarto vazio, abrir a porta, percorrer a casa até o banheiro e então começar, efetivamente, o meu dia.
E quando ele começa, eu penso mais. Divido a atenção, graças a Deus, mas penso.
E é assim durante todos os dias, as horas e minutos da minha semana.
Das suas semanas.
Durante os outros 2 dias, penso na noite que acabara de passar. Normalmente é divertido.
Durante os 7 dias que compõem a semana, após desligar o despertador, penso em você.
Penso em você enquanto procuro coragem de levantar, pisar neste chão de taco não tão frio, andar pelo quarto vazio, abrir a porta, percorrer a casa até o banheiro e então começar, efetivamente, o meu dia.
E quando ele começa, eu penso mais. Divido a atenção, graças a Deus, mas penso.
E é assim durante todos os dias, as horas e minutos da minha semana.
Das suas semanas.
sábado, 18 de maio de 2013
O lado direito da cama. O lado esquerdo do peito.
Eu sinto saudades de dormir com você. Na verdade, eu sinto saudades de dormir acompanhada. Não precisa ser necessariamente com você, qualquer um serve.
Eu só queria virar para o lado direito da cama e sentir a respiração forte de alguém em direção a mim. Queria ter alguém para empurrar com o joelho, alguém pra tentar dormir de conchinha nos dias frios (apenas tentar, jamais conseguirei. Fica quente de mais).
Sinto falta de abraços e beijinhos durante a noite, enquanto troco de posição. Sinto falta até da dor que sinto quando meus cabelos ficam presos em baixo de seus braços.
E, por mais que eu odeie, sinto falta de bater discretamente em alguém para que esse alguém pare de roncar.
Sabe, pode ser qualquer um... Qualquer um mesmo.
Qualquer um que tenha carinho e que me aceite.
E que eu aceite.
Mas venha pela manhã, por favor!
Não aceito e nem quero outro sorriso que não seja o teu e nem outra voz que não seja a tua me perguntando as horas.
Vem?
Eu só queria virar para o lado direito da cama e sentir a respiração forte de alguém em direção a mim. Queria ter alguém para empurrar com o joelho, alguém pra tentar dormir de conchinha nos dias frios (apenas tentar, jamais conseguirei. Fica quente de mais).
Sinto falta de abraços e beijinhos durante a noite, enquanto troco de posição. Sinto falta até da dor que sinto quando meus cabelos ficam presos em baixo de seus braços.
E, por mais que eu odeie, sinto falta de bater discretamente em alguém para que esse alguém pare de roncar.
Sabe, pode ser qualquer um... Qualquer um mesmo.
Qualquer um que tenha carinho e que me aceite.
E que eu aceite.
Mas venha pela manhã, por favor!
Não aceito e nem quero outro sorriso que não seja o teu e nem outra voz que não seja a tua me perguntando as horas.
Vem?
quarta-feira, 15 de maio de 2013
Então, aceito.
Quem dera ser o único a sentir tuas curvas quando está perto.
Ser o único a ver tua silhueta quando se afasta, apaga as luzes, e se despe.
Quem dera ser o único a voltar a te beijar, te apertar, te morder...
Ser o único a ter a marca das tuas unhas nas costas e dos teus dentes nos ombros.
Quem dera ser o único que te vê olhando pra cima com um sorrisinho cheio de vergonha e malícia.
Ser o único a te puxar pelos cabelos e ver e beijar teu lindo pescoço com um cheiro que é só teu.
Quem dera poder te beijar e abraçar diante dos outros.
Ser o o único dono dos teus beijos.
Mas tenho que dividi-los. Aceito a condição.
Aceitei, aliás.
E se rejeitar?
Se rejeitar, quem perde sou eu...
Ser o único a ver tua silhueta quando se afasta, apaga as luzes, e se despe.
Quem dera ser o único a voltar a te beijar, te apertar, te morder...
Ser o único a ter a marca das tuas unhas nas costas e dos teus dentes nos ombros.
Quem dera ser o único que te vê olhando pra cima com um sorrisinho cheio de vergonha e malícia.
Ser o único a te puxar pelos cabelos e ver e beijar teu lindo pescoço com um cheiro que é só teu.
Quem dera poder te beijar e abraçar diante dos outros.
Ser o o único dono dos teus beijos.
Mas tenho que dividi-los. Aceito a condição.
Aceitei, aliás.
E se rejeitar?
Se rejeitar, quem perde sou eu...
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