A culpada

Minha foto
Nenhuma literatura está livre de ficção. E nem de verdade.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Presença pressentida

A gente vê que deixou de ser nada
Pela ansiedade pela hora da chegada.
Chegada sem hora marcada
Mas chegada planejada
E o corpo todo não pensa em mais nada.

Que angustia esperar
Não sei nem se vai demorar
Na mão o telefone
E na porta o olhar

Então a gente confirma que deixou de ser nada
Quando se recebe a presença esperada
Sorrio com os olhos
Respiro aliviada
Como é boa a tua chegada! 

terça-feira, 5 de abril de 2016

Memória sensitiva

É quando ela me anestesia que tudo começa.

Mal podia sentir meu pés ou minhas mãos, mas enquanto estas percorriam instintivamente seu corpo voluptuoso, sentia bem os lábios que percorriam meu pescoço.
Por vezes pensei ficar estático enquanto respiravas ofegante em meu cangote e acariciava meus braços firmemente: sentia apenas aquela pulsação ardente, e pensava apenas em tê-la ali, naquela hora, e consumi-la, também ali. 

Sinto-me imóvel.
Extasiado.
Anestesiado.

Mas parece que meu corpo ainda sabe os caminhos do teu. 

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Vício seletivo

Eu largo tudo!
Largo a cidade
Largo o emprego
E largo o tal do canudo

Largo a arrogância
E a intolerância
Abrindo espaço pra esperança
Apesar de toda aquela lembrança

Mas não largo o chá
O doce
E a bala.

Por puro prazer. 

Agora dá pra entender porque não largo de você?

quinta-feira, 31 de março de 2016

Sonhei que dormias e acordei sorrindo.
No sonho, falavas coisas sem sentido enquanto adormecida. 
E pude mesmo ouvir tua voz.
E pude mesmo sentir as tuas bochechas quentes.
E pude mesmo tocar os teus cabelos e senti-los grossos e pesados.

Um freixe de luz.
Despertei, e tu continuastes adormecida.
Parecia-me tão real que mal aproveitei o sonho para dizer que sinto, diaria e intensamente, muita saudade. 

Mas pelas lágrimas derramadas, acho que você sabe.

Que saudade, minha amiga.
A saudade insiste na mesma porta. Não na mesma, naquela outra.
Logo naquela que já não atende mais...

Toc toc

Toc

Toc...


... E mais uma vez subi os degraus à toa.

quarta-feira, 30 de março de 2016

Eu não choro
Não esperneio
Não discuto
Não grito

Mas eu sinto.

Eu não deixo de sorrir
Nem de ir pr'aqui
Nem de ir pr'ali
E deixo você ir

Mas eu sinto 

Eu não procuro
Não vejo
Não descubro
Nem planejo

Mas eu sinto

E eu não ligo
Não ligo
E não brigo
E se ligo 
Não digo

Mas eu sinto.
Sinto muito por já não sentir tanta coisa.
Mas sinto.

terça-feira, 29 de março de 2016

O universo inteiro numa casca de noz

Hoje eu descobri que você tem outro alguém.
Sim, eu procurei saber.
E soube.

Fingi indiferença, mas senti um beliscão no ego. Ou no coração, não sei bem mais.
Sei que foi estranho ver que alguém de fato pode te fazer feliz de novo. Saber disso, eu sabia, mas constatar é outra coisa.

Pensei, pensei, pensei.


Pensei mais.


Mas ora, se alguém lhe faz feliz, eu deveria era estar em paz.
Porque depois de tudo o houve a gente já não tem lugar mais. 
E se perguntarem se me felicito com sua felicidade, digo apenas que tu a mereces demais, porque te esquecer (ou libertar) acho que não me ocorreu jamais.