A culpada

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Nenhuma literatura está livre de ficção. E nem de verdade.

quarta-feira, 2 de março de 2016

Não é que eu não me permita voar, mas voo baixo enquanto é cedo, assim é mais fácil de pousar.

Alcançar as nuvens mais altas, sem dúvidas, é divino: amor e sonhos certamente são providos por seres não-humanos. 

No caminho para as nuvens o risco de perder-se é grande, e agora que finalmente encontrei-me e conheci a mim mesma, não estou disposta a correr o risco pifiamente. 
Tem de valer. 
Tem que ser.
Tem que ser pra valer.

E não consigo pensar em nada que valha a minha energia, a minha certeza ou minha paz.

Essa é a vantagem de se pensar demais: a gente até ama, mas não se deixa pra trás.

Pois já perdi o meu juízo, e foi uma vez pra nunca mais. 

terça-feira, 1 de março de 2016

"Ame e dê vexame"

Ah, esse tal de amor... Sei não!
Desperta o imaginário
E gera emoçao
Ora me dá sorriso frouxo
Ora coração na mão.

Às vezes me pego ansiosa.
Seja carência
Ou vontade
Sei que volta e meia fico fogosa 
E lembro do teu toque de maneira minuciosa.

Quando vem a ira
E a insegurança
Quase desisto
Mas guardo a lembrança,
e isso ninguém me tira. 

Meu cigarro acaba mais rápido
Não presto nem mais atenção no rádio
Louca para roubar-te,
despreocupada em deixar rastro.

Ah, esse tal de amor, não sei não.
Como é que faz tanto bem
e tanto mal essa emoção?
Mas dentre todas as mortes,
prefiro mesmo morrer do coração
Porque já morri de saudades
E isso eu não quero mais, não.


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Amor de amora

Eu e meus romances comparados.

Comparava o cheiro, o toque, os mimos, os apelidos carinhosos e até a boa vontade. 
À dor causada, nada se comparava.

E sempre desdenhava de novos sorrisos, novos perfumes, novos olhos e novos desejos.

Me prendia na ideia de uma possível eterna felicidade, que foi breve porque tinha de ser.
Hoje entendo.

Ah, eu e meus romances comparados...
Mal sabia que nada poderia comparar-se ao que estava por vir.

Uma pena que a felicidade também não foi eterna ali.
E caso surja qualquer dúvida, saiba que este é outro sobre ti. 

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Um pouco de capricórnio

Em meio aos pensamentos que antecedem o sono, sempre vinham questionamentos. Auto-questionamentos.
O que fazer?
Pra onde ir? Por onde ir? Como ir?
E quando chegar? E se não chegar?
Eu devia fazer? Eu devia ao menos querer?
E se não devesse? E se quisesse? E se não quisesse?

E o problema agora é outro:
Sei justamente o que fazer.
Só não quero.

Agora não.
A possibilidade da tua presença sempre me perturba, mas ao abrir os olhos e ver a parede, a desejo vermelha, onde quer que eu durma. 

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Vim ver as estrelas na janela
De repente imaginei-as pela vista do teu quarto
E lembrei daquela conversa sobre fé e medo
e sobre o fim do mundo

Não é que eu queira tê-lo
mas seria bom. 

sábado, 16 de janeiro de 2016

Eu sei que não devia sentir saudade, por isso me obrigo a não sentir. Mas nos instantes em que ela persiste, parece que o teu cheiro invade minhas narinas e o vermelho transborda no meu ser.
Com as lágrimas emocionadas, lembro das que derramamos um pelo outro, e opto pela distância. É perigoso estarmos perto, a eternidade deixa faíscas também eternas. 

Foi eterno, só não durou muito.