A culpada

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Nenhuma literatura está livre de ficção. E nem de verdade.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Ins(piração)

Eu procurava amor tranquilo
E fugia sempre da agonia
Mas nos meus amores calmos
Não sentia euforia.

Encontrava pelo mundo
Sempre uma boa companhia
E não importava se durassem
Uma década ou um dia.

Mas desde aquele beijo
Não te esqueço nem um dia 
Pois conheci muitos canalhas
Mas nem todos me rendem poesias.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Comecei um autoquestionário.

Enquanto lia meus lábios no reflexo do espelho, não encontrava as palavras que proferia: pareciam mudos.

Algumas lágrimas espaçosas caíam durante o exercício, e os olhos dos quais elas provinham pareciam não enxergar. Parecia que aqueles olhos só estavam ali pra ver e às vezes para derramar algumas patéticas lágrimas. 


Por que?

...


Por que?


A dúvida ecoava naquela alma vazia. Sem fé e sem intenção.

- Quem sou eu? O que sou eu?

E quase que vi chifres.

domingo, 15 de novembro de 2015

14/11

A gente pensa que esquece
Que já esqueceu
Que vai esquecer.

Mas a gente se esquece
Que quando o coração
Esfria depois que aquece
Nunca mais se amolece
(Mesmo com muita prece)

Então começam as tentativas de recomeçar
E a gente até evita falar
Daquilo que se tenta evitar
Como se assim as lembranças fossem acabar.

Não que isso vá consolar
Mas é bom lembrar
Que a gente sempre acaba rindo
Nem que seja pra disfarçar
Quando se cruzam os olhares
E a saudade começa a escapar.

Mas eu sigo a vida leve
Não tem problema, não
Se não existe esquecimento
Ao menos existe distração.

sábado, 14 de novembro de 2015

Puta chuva

O cheiro anuncia a minha chegada
Eu nunca chego com hora marcada
Adubo bem a terra
E a deixo irrigada 
Que delícia esse cheiro
De vida molhada!

Há quem diga que o tempo é ruim
Mas isso é frescura
Prefiro a vida com água
Que a vida com secura 
Deixa que eu molhe
Que te escorra todo enfim
Ou procure marquize 
Pra se esconder de mim.

Sem essa de dança
Mandinga
Ou ritual
Ninguém tem controle do que é natural
E se estraguei sua noite,
meu bem,
desculpe, não foi por mal.

Há quem saia na tempestade
Evitando se molhar
Mas sair ileso de ao menos uma gota
É difícil de rolar.

E se quiser me deter,
aconselho dar ré
Porque eu sou como a chuva,
quando caio, caio em pé.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Do que me serve tê-lo aqui mas não tê-lo comigo?
De que me servem as tuas juras sem os teus carinhos que comprovam as loucuras?
De que me serve a cama ocupada se ainda sigo à sua procura? 

De que me serve a alegria da imagem se ao encontrá-lo pareces miragem?
De que me servirá a memória se no presente já não se faz mais história?

A saudade adoidada e a paixão desenfreada, me servem pra quê? 
Passo dia à tua espera, mas parece que nem vê
Passo o dia te escrevendo, mas parece que não lê
Passo o dia procurando, mas não encontro mais você.

Será que volta?

...

De que me serve a dúvida se não sabes responder? 
Isso só pode ser coisa do cosmos,
Devo merecer. 

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Declaração saudosa (ou "Tentativa de declaração ao meu companheiro e amor")

Só de pensar em tua imagem
Me vem logo a euforia 
Com aquela vontade de perder-me
na contagem das tuas sardas
E recomeçar todo santo dia

Nem medo de mudança 
ou evidência de diferenças 
Fazem fraquejar o sentimento
ou revogar a esperança:
O teu contraste com o quarto vermelho
enquanto te vejo no espelho
e aquele delírio de amor
Me livram de qualquer desespero

A sensação de pertencimento
tão maravilhosa e contemplativa
Que mesmo na ausência
não permite o esquecimento;
Pelo contrário: 
Faz com que o coração quase exploda,
desejando o teu corpo suado
e aquela bagunça toda

Passa tão rápido o dia
dentro daquele quarto
na calma ou na agonia,
nos ataques de ciúmes ou na alegria

Sei que concluí algo além de meu amor:
Que Fernando sabia das coisas ao falar sobre o quão difícil é declarar-se, ah, disso ele sabia! 

Mas me disponho a tentar
Se for o caso, todo dia. 

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Antes eu era outra.
Tinha calma, vontade e paciência. Chorava muito, mas com uma inabalável fé ali ao lado. Às vezes ajoelhava e fazia umas preces, e o agradecimento vinha sempre antes dos desejos ou queixas.
Hoje me vejo tão ingrata e incrédula.
Não acho de todo mal não sonhar mais com um grande amor. Acho, inclusive, que já o vivi... É que meus momentos tendem a ser breves, mesmo. Os felizes e os tristes também, felizmente. 
Uma mudança que pude notar em meu comportamento foi o quase que desaparecimento do medo. Penso que é preciso entregar-se para senti-lo. Hoje tenho apenas desconfianças. Centanas delas, aliás.
Vejo o presente como tudo o que tenho. O futuro distante está e talvez inesistente seja. O passado foi. E não tenho mais o costume de dar segundas chances, nem mesmo para lembranças. É que quando elas me vem, penso no brilho, na fé, na paciencia e na calma perdidos.


Não acredito em astrologia, mas você foi mesmo um câncer em minha vida.