A culpada

Minha foto
Nenhuma literatura está livre de ficção. E nem de verdade.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

O retrato

Todo santo dia há um momento no qual me arrependo de ter tua foto exposta no meu quarto. É ruim demais sentir a tua ausência.
Mas a sinto inevitavelmente, e torno a olhar o retrato com o coração trabalhando arduamente para recompor-se.

Ao menos vejo teu sorriso todo dia.

Saudade.

terça-feira, 28 de julho de 2015

A cigana

Ofereci os meus melhores beijos
Meus melhores sorrisos
Meus melhores quereres
E tudo o que fosse preciso

Ofereci conforto
Carinho
Abrigo 
E um vinho

Convidei prum chalé
Com jantar bem gostoso
E pra sobremesa, café

Esperei na escada
Mesmo na chuva
Toda arrumada
Mas não recebi nada:
Nem tua presença,
nem uma chamada. 

E ainda tive que vê-lo com ela
Bem ali, de mão dada
Como se eu não fosse nada

Talvez tenha sido isso
Devo ter sido muito dada

Ou a sorte na minha mão que tava errada.

Puta cigana dissimulada!

domingo, 19 de julho de 2015

Confiar

Quando dei por mim
Estava imersa
Em sentimentos
Em pensamentos
Em planos

E não senti medo.

Até estranhei.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Se tem gente
que prende passarinho
bichinho voador
livre
conhecedor da imensidão,
por que seria diferente 
com o amor?

sábado, 4 de julho de 2015

Paladar

Os dentes mordem os lábios
Sutilmente
Perceptivelmente
Fortemente

O pescoço se alonga
Pra direita
Pra esquerda
E volta

A pele se arrepia
Na nuca
Nos braços
Nas coxas

Os olhos alternam
Hora se curvam
Hora se fecham
Hora insinuam

Os dedos, por entre os cabelos
Puxando
Acariciando
Puxando

E eu sentindo aquele gosto
Lambendo
Chupando
Gostando

Insanidade

O frio
O calor
O arrepio
E a azia

Parecia que era amor
tudo aquilo que sentia

A moleza
A sonolência
Os devaneios
E a quentura 

Logo se via que era
sinal de loucura


Parou de ser sentido
Passou a ser sintoma.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Sobre a falta e o excesso de sono e o tipo de pensamento que tenho nessas horas

Todo dia eu me prometo que dormirei cedo à noite.
Toda noite eu me prometo acordar cedo noutro dia.

A madruga chega e sigo insone. Dentre as distrações, estão alguns filmes, séries e versos bobos com teu nome.
A manhã chega e sigo adormecida, na cama alguns lençóis, uma meia no pé e a outra perdida.

Na escuridão, memórias recentes transcendem como sonho, e as mais antigas vêm nítidas: que saudade.
Na alvorada, a cabeça vai voando no inconsciente, mas o relógio teima em rodar, e hora ou outra tenho de despertar: que maldade! 

Dia após noite, o desejo por um descanso toma conta do meu ser, me fazendo perambular de olhos semi-serrados até o meio dia.
Noite após dia, anseio de uma só vez tudo o que poderia me acontecer, e vivo realidades impossíveis com meus cadernos e personagens.

Todo dia tentam me convencer que devia acordar mais cedo. Viver mais o dia, ver as pessoas, o sol...
Até que gosto da ideia.
Mas toda noite me parece que nasci para a escuridão, e que projetar pode ser melhor que viver o que os outros projetam...

Rio da minha maluquice.
Mas tinha mesmo que ter nascido meia noite e vinte.