A culpada

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Nenhuma literatura está livre de ficção. E nem de verdade.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Sobre a falta e o excesso de sono e o tipo de pensamento que tenho nessas horas

Todo dia eu me prometo que dormirei cedo à noite.
Toda noite eu me prometo acordar cedo noutro dia.

A madruga chega e sigo insone. Dentre as distrações, estão alguns filmes, séries e versos bobos com teu nome.
A manhã chega e sigo adormecida, na cama alguns lençóis, uma meia no pé e a outra perdida.

Na escuridão, memórias recentes transcendem como sonho, e as mais antigas vêm nítidas: que saudade.
Na alvorada, a cabeça vai voando no inconsciente, mas o relógio teima em rodar, e hora ou outra tenho de despertar: que maldade! 

Dia após noite, o desejo por um descanso toma conta do meu ser, me fazendo perambular de olhos semi-serrados até o meio dia.
Noite após dia, anseio de uma só vez tudo o que poderia me acontecer, e vivo realidades impossíveis com meus cadernos e personagens.

Todo dia tentam me convencer que devia acordar mais cedo. Viver mais o dia, ver as pessoas, o sol...
Até que gosto da ideia.
Mas toda noite me parece que nasci para a escuridão, e que projetar pode ser melhor que viver o que os outros projetam...

Rio da minha maluquice.
Mas tinha mesmo que ter nascido meia noite e vinte.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Sinto-me viva!

Nada pior para um escritor que uma boa dose de felicidade, pura e escancarada. Aliás, minto. Há, sim, coisa pior: um grande amor correspondido.
Deus do céu, por que este esplendoroso sentimento nos acomete, deixando-nos reféns do clichê?
Digo isso porque tudo o que penso em escrever ao meu amor soa clichê. Darei um exemplo: os olhos do meu amor brilham ao ver os meus, e seu sorriso para mim é diferente do que distribui aos demais.
O meu amor segura firme a minha mão e me beija respeitosamente a testa, mas volta e meia, quando pensa que ninguém está olhando, me faz um carinho indecente. E sempre tem alguém olhando. E eu sempre morro de vergonha. E ele sempre ri do meu embaraço. E eu sempre rio junto. Porque sim.
O meu amor me deixa aflita em sua ausência, e entendo por aflição aquelas fortes palpitações, embrulho no estômago, ansiedade, unhas roídas, e muitas olhadas para o relógio... Mas como é que eu pensaria sentir essa coisa ruim quando estou acariciando sua nuca com aquele cheiro tão dele enquanto dançamos?
O meu amor às vezes me irrita por não saber respeitar os poucos momentos nos quais quero calar-me, mas passo a entendê-lo quando vejo-o quieto: questiono-me/o logo sobre o que pensa, o que quer, como está ou até se me ama. Aí a gente ri. É tão óbvio.

Estou numa fase na qual venho fazendo mudanças em meu vocabulário, e decidi agora que farei mais uma: ao referir-me ao meu amor, não mais o chamarei clichê. Chamarei-o óbvio!

É tão óbvio meu amor por ele e seu amor por mim!
É tão óbvio o motivo dos meus sorrisos estarem maiores e as risadas mais longas!
É tão óbvia a minha mudança no jeito de levar a vida e também na forma de ver o mundo!
É tão óbvio que a minha fé tenha aumentado, e que minha gratidão à vida tenha se multiplicado! 
É tão óbvio que toda a saudade e aperto no peito são simplesmente sintomas daquele tal sentimento do qual tanto falo - e, por sorte (ou merecimento), vivo.

Como escritora, poderia dizer que é algo mau...
Mas olha, eu vou tão bem! Aliás, vou com meu bem!
Daria um "tchau", mas acho mais propício um "adeus". Porque com meu bem, não vou ali, eu vou além!

Amém!

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Não escreverei sobre este dia pois não quero lembrá-lo.

Mas renderia ótimas linhas.

domingo, 26 de abril de 2015

6 x 26

Acordei e são vinte e seis
De saudades, fazem seis
Lembrar sem chorar? 
Consigo, talvez
Mas um dia sem lembrar-te? 
Nao ocorreu nenhuma vez.

Acordei e são vinte e seis
Conto um, dois, três
E não cessam as lembranças
Que vem todas de uma vez.

Acordei e são vinte e seis
E a saudade não é de uma
A saudade é de nós três
E o amor que não morreu
Conservo comigo 
Ainda buscando os "por quês"

Acordei e são vinte seis
Péssimo dia para ser...
Mais um dia pra viver!
E se a vida ainda é boa
Agradeço a vocês.

sábado, 28 de março de 2015

Foi

Passo mais tempo tentando esquecer do que conseguindo lembrar, e quando quase consigo, eis que apareces.
Sorrio politicamente e esse simples gesto o faz pensar que desejo que fiques.
Ora, eu quero mais é que vá!
Vá para ali, vá para lá, mas não volte para cá!
Vá seguindo reto, ou num caminho torto, imploro apenas que não faça retorno.
Vá sempre à frente, sempre adiante, e vê se tira meu retrato da estante. 
Vai logo e vai na fé! 
Vai na fé e não desiste!
Não desiste e vai com deus.

Pena que deus não existe.

domingo, 22 de março de 2015

O que houve

Ora ora, o que é que há?
Me chamam de querida
E mal posso respirar
Me chamam de amada
E começo a desesperar
Me chamam de meu bem
E mentalmente digo:"eu, hein!"
Dizem que me amam
E me basto com "também".

Ora ora, o que é que há?
Vejo o afeto surgir e começo a me afastar
Vejo o amor dos outros
E não sei o que pensar
Fico desconfiada
De que não sei mesmo amar.

Ora ora, o que é que há?
Triste fato constatei:
Quando lembro que tanto amei,
não dá nem pra acreditar.