A culpada

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Nenhuma literatura está livre de ficção. E nem de verdade.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Relato 01/12/2013

Acho que tudo não passa de uma continuidade do que está acontecendo.
Sem essa de mês novo, ano novo, estação nova... Tudo é uma coisa só!
Menos o mês de dezembro.
Teria diversos motivos para gostá-lo se acreditasse nessa tola e inaceitável passagem de tempo que o resto do mundo parece aderir.
Mas é que eu abro uma exceção.

Abria.

No último dezembro, acordei otimista, como costumava fazer todos os anos.
Abri os olhos, sorri pro meu amor, tasquei-lhe um beijo, fui ver as horas e, consequentemente, vi a data: dia primeiro de dezembro! O sorriso se alargou e comecei, então, a contagem regressiva para o meu aniversário.
Queria apenas que o dia seguisse naquele ritmo, mas nem tudo é como desejamos - confirmo isso a cada dia.

Uma pequena briga.
Palavras que, como de costume, não deviam ser ditas.
Uma despedida nada amigável.

Algumas horas depois, o coração pesou.
Liguei:
- Desculpa. Dorme lá em casa pra gente se acertar?
- Durmo.

"Por que diabos não deixamos pra depois?" - endago-me toda vez que lembro deste dia primeiro de dezembro.

- Talvez seja melhor mesmo a distância...
- É por causa dele, não é?
- Não.
- Você gosta dele?
- Muito. Como um bom amigo.

Sufoco.
Um estalo.
Palavras letais.
Um olhar ardendo sem aquecer.
E outro numa eterna busca por um motivo razoável. Ou qualquer.

Aquele dia primeiro de dezembro...
Aquele dia em que tanto nos magoamos.
Aquele dia em que se iniciou em mim uma profunda mudança.
Aquele dia pelo qual lamento apenas uma coisa todo santo dia: meu amor estava errado.
Aquele dia em que despedaçaram meu tão terno coração por conta da incerteza.

E hoje, passado mais um dia primeiro de dezembro, ainda dói saber que meu amor, por mais que imaginasse todo o carinho que lhe tinha, nunca o soube receber.

Outra coisa que mudou, é que agora oro muito na entrada do mês doze.

A outra coisa que mudou, foi o que restou.


P.S.: Como é que tem gente que não acredita nisso de inferno astral?

quarta-feira, 26 de novembro de 2014


Hoje eu quis de novo te ligar. Pra quê? 
Sei lá! 
Quem sabe pra contar da saudade e dizer que quero mais uma vez te beijar.

Mas com o tempo a gente aprende que, por mais que tentemos ser sinceros sempre, há verdades que devemos guardar.

Mas acho que disso você já sabe.
Não precisa nem falar.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Coração inconsolável

Esse tal de coração só quer saber de chorar!

Chora por amor
Chora por amar
Chora por cair
Chora por cansar.

Chora por alegrar-se
Chora por emoção
Chora com sorriso
Chora por ser coração.

Chora por raiva
Chora por pavor
Chora rascunhando
Chora ao compor.

Chora pelo passado
Chora a cada lembrança
Chora até soluçar
Parece choro de criança.

Chora melancólico
Chora pela ausência
Chora pela falta
E lamenta que não seja só carência.

Chora triste pela eternidade
Quando lembra apenas da ausência
Mas sorri, mesmo quebrado,
ao lembrar da tua essência.

Oh, Deus
Faça-me entender a eternidade
Mas faça o quanto antes
Que coração não sabe lidar com saudade.



Para minha eterna amiga Jully Camacho.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Morte súbita

Entrou no quarto, fechou a porta sem nem mesmo virar-se para ela e deslizou rumo ao chão, aos prantos.

Tinha tido um dia normal.

Levantou-se, tomou banho, fez seu desjejum e escovou os dentes. Tentou ler alguma coisa das tantas que precisava ler, mas distraiu-se com a tv. Atrasou-se para o almoço e arrumou-se vagarosamente, mesmo com a falta de tempo. Saiu. Cumpriu suas obrigações diárias. Encontrou alguns amigos, conversou sobre algumas coisas, debateu sobre outras e riu diversas vezes. Fez seu longo caminho para casa, checou a caixa de correspondências, subiu e entrou. Não pôde deixar de sorrir para a recepção calorosa de seu cão e seguiu para seu quarto.

Nada demais aconteceu.

E chorava.
E chorava.

E
chorava.

Pensou, no início, não entender a si mesma.
E logo entendeu.
Culpa dos dias normais.

Bons mesmo são os dias atípicos, aqueles nos quais ele está, nem que seja acenando de longe, nem que seja ignorando sua amada que também o ama.

Engole esse choro, menina! Ninguém disse que o amor seria fácil ou justo.
Só que seria amor.

E é.

sábado, 4 de outubro de 2014

Inevitável amar.
Tolice resistir.

Dia após dia, iludindo-me ao contar aos quatro cantos que ando com o coração vazio, minha parcela sã cai em gargalhadas e já nem tenta alertar-me.

Noite após noite, ao deitar-me sempre entre braços diferentes, sorrir, suspirar e quase declarar-me por impulso, percebo que ainda amo.

Nem que seja só por uma noite.
Nem que seja só naquele minuto.
Nem que seja só satisfação.

Amo muito todo dia, mesmo que não seja amor.


Afinal, quem é que entende desse troço?

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Gostaria que aceitasses as minhas sinceras desculpas por aquela noite.
Ora, por quê? Porque não foi justo, só isso. As palavras que lhe disse, os sorrisos que lhe exibi, os afagos que fiz-lhe...
Lamento, mas era pura carência.

Lamento um pouco menos porque sei que também encontrou-me pelo mesmo motivo.
Mas a minha carência era ainda mais banal.

Era carência de carícia. 
Porque de amor eu não careço, meu amor.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Sobre a insistente perda de memória emocional

Triste fato: duvidei do meu amor.
Do antigo.
Do mês passado.

Como o amaria eu?
Eu, tão livre e espontânea
eu, tão clara e esclarecedora
eu, iluminada e luminosa
eu, tal qual um astro rei.

Como eu o amaria?
Ele, com algema e sem chave
ele, com discurso e sem palavra
ele, querendo a(s)cender e apagando
ele, mero cometa.

Como nos amaríamos agora?
Enquanto gargalho, pra ele tem trabalho
enquanto ele passa, outro já me amarrota
enquanto escrevo, ele apenas anota.

Que loucura o esquecimento!
Talvez seja desengano. Desencano. Desencanto.

Mas o pensamento se questiona (e se responde): "Como teríamos convivido se não fosse pelo amor?". 


"Deve ter sido" (ouço bem baixinho do fundo de quem fui mês passado).