A culpada

Minha foto
Nenhuma literatura está livre de ficção. E nem de verdade.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Confissão de uma antiga novidade

Foi com dois tapinhas sacanas no ombro e um sorriso malicioso, que recebi a confirmação.
Veio-me um grande amigo e disse-me: "Tá apaixonada, né?"

Eu apenas ri enquanto me perguntava "mas meu Deus, será que dá pra perceber?"

É, acho que sim... 
Sorrio entre os beijos, ensaio massagens em lugares públicos, faço carinho com as pontas dos dedos e cafuné acompanhado de cheiros no pescoço.
Falo bobagens o tempo todo por nervosismo, e outras vezes perco a fala. Às vezes solto umas palavras doces enquanto olho pra baixo com vergonha por proferí-las tão sincera e integralmente. E quando ouço palavras desse tipo... Ah, sorrio escancaradamente, e involuntariamente retucro com longos abraços apertados e beijos por toda parte, sem a mínima vergonha expor tanto a ternura que me toma.
E nos dias em que sei que verei meu amado, entrego-lhe automaticamente todos os momentos deste dia: já acordo pensando no encontro, me arrumo unicamente para ele e passo o dia na ânsia para que chegue logo a hora. E quando chega... Quando chega eu volto ao ínicio, não sei como agir de tanta felicidade.

Depois da risada e dos longos pensamentos, respondi-lhe "Pois é, não tem jeito, eu sou romântica".

E românticos sempre perdem quando lutam contra o amor.
Tudo bem, eu me rendo.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

 Hoje eu cheguei, joguei a bolsa na cama, encarei-a e lamentei.
 Ah, como eu queria você aqui, deitado, me contando sobre seu dia e me interrompendo enquanto falo do meu. 
Queria ouvir-te até me irritar e fazê-lo parar de falar deitando contra o teu peito enquanto acaricio sua barba e vejo por baixo esses longo cílios que sempre atraem meus olhares.
Faria questão de que você escolhesse o filme dessa vez, como pedido de desculpas, mas também faria questão de que me assegurasse que este lhe faria rir. E eu admiraria e estranharia sua risada tão simultaneamente gostosa e esquisita. 
Depois, eu entrelaçaria a minha perna na tua, beijaria o teu pescoço, afagaria o teu cabelo liso e me renderia quando puxasse o meu com aquele teu jeito.
Ah, se você estivesse aqui, agora, deitado...

Só não lamento mais porque me delicio.

Que bom que você voltou, eu já tava achando sem graça esse negócio de amar.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Nada em vão.
Pé no chão.
Consciência na mão.
Amor em primeiro lugar
Porque não precisa obedecer nada, não.

sábado, 10 de maio de 2014

Há tanto tempo eu não sabia o que era sorrir com os olhos quando a porta se abria.

Há tanto tempo que não sabia o que era ter os lábios desobedientes: aqueles que falam o que querem, e não o que a mente planeja.

Há tanto tempo a minha mão não corria e se entrelaçava com outra quase que instantaneamente.

Há tanto tempo eu não sorria por simplesmente ver um sorriso.

Há tanto tempo eu não fazia questão de causar um sorriso.

Há tanto tempo que não me havia tanto tempo pra sorrir, pra agradecer, pra amar, pra mim.
E há tanto tempo, o tempo que tenho pra ser feliz, é o teu tempo de felicidade. E o meu tempo de gratidão, é o teu tempo pra sorrir. 
E o tempo que tenho pra mim, é o tempo que tenho pra você.

E pra você, tenho todo tempo do mundo.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Descobri o motivo do insucesso dos meus amores: achava que tinham que durar pra sempre.
Imagine só um amo durar pra sempre...

Amor tem que ser todo dia.
Tem que ser diferente.
Tem que ser renovado.
Tem que ser reamado.
Tem que ser sofrido.
Tem que ser consolado.
Tem que ser amor.

Hoje vejo que é.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Segu(i)ndo a lei

Levava uma vida socialmente tranquila e particularmente conturbada.

Amigos, amores, paixões, e vícios: tudo sob controle.
Dívidas e pendências? Já não sabia o que era isso há tempos, estava tudo quitado.

Corpo e coração inquietos. Mas ora, isso é reflexo da juventude.
Pedia a saideira (por sua conta, claro) para poder ir rumo a outra diversão, a noturna. E enquanto esta não chegava, ia ao banheiro, e voltava sorrindo com entusiasmo para seus companheiros de noite.
E ia.
E a noite começava e terminava sempre do mesmo jeito. O que mudava era a companhia ao acordar.

Acordava. E mais uma vez tudo se repetia.
O eterno retorno retornava eterna e perturbadoramente.

"Está tudo sob controle", dizia com os olhos marejados.
Pobre ser.
Vida e consciência, ambas nada tranquilas e quase que inexistentes.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Fazendo planos para o futuro, reparei mais uma peculiaridade minha.

Pensei, refleti e anotei um monte de coisas. Enquanto fazia isto, algumas poucas lágrimas automáticas caíram e me deu uma sutil dor na garganta por não permitir que caíssem mais. Logo depois, quando estava quase no final do processo, caí na risada.

Lembrei da última vez em que fiz planos e analisei a forma como tudo ocorreu. Esse último planejamento ocorreu há cerca de um ano. Pois bem, vejamos o que aconteceu:

MUDANÇA.
Esta foi a palavra determinante nos meu palnos. Hoje vejo que "evolução" cairia melhor.
Mudei muito.
Mudei de ideias, de ideais, de conceitos, de opinião e aprendi a assumir que nudei.
Mudei de hábitos diversas vezes e de gostos mais ainda.
Mudei de amor uma porção de vezes e mudei a forma de amar.
Mudei meus vícios, prioridades e paixões.
Mudei minha forma de vestir, minhas gesticulações, minha forma de falar e também de escrever.
Mudei meus ídolos, minhas músicas, livros e filmes favoritos.
Mudei o pensamento radical.
Mudei.

E hoje, do jeito que estou, na mudança que sou, gostaria apenas de ser o que era e ter o que tinha há um ano.

Por isso ri. Planos não deviam ser para evolução? Desejo regredir ou regredi no insucesso dos planos anteriores?
É, a roda da fortuna sempre gira... Um dia estamos bem e no outro, planejando com lágrimas...

Mas, se isso for mesmo verdade, devo me animar com o próximo giro, certo?

Começarei desde já!