A culpada

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Nenhuma literatura está livre de ficção. E nem de verdade.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Soneto do sonho de sonhar

Eu tenho vontades
Eu tenho ideias
Eu tenho ideais
Eu tenho verdades

Eu tenho opiniões
E sei que elas podem mudar
Eu tenho certezas
E sei que podem não concordar

Eu tenho meta
Eu tenho ambição
E planos espalhados por uma imensidão

Eu tenho uma casa que também é meu lar
Eu tenho até um amor e condições de amar
Só me falta mesmo o tão sonhado sonho pra sonhar

sexta-feira, 7 de março de 2014

Pela segunda noite consecutiva, sonhei com você.
Nomeei tais sonhos como "sonhos assombrados", pois não poderia chamá-los de assombrosos. Eram normais. Era como se a vida fosse boa e normal, como já foi, só que com um detalhe a mais: medo.
Nos meus sonhos, eu tinha medo.
Muito medo.
Medo de você. Medo de te ver. Medo que me visse.
E quando estávamos juntos e esses medos precipitados passavam, eu tinha medo simplesmente de estar ali.
Medo e desconfiança. Nem em sonhos eu confio mais em você, e olha que eu tentei... E como tentei!
Desconfiava que tudo fosse uma farsa, desconfiava das tuas mais sinceras verdades e chorava pelas tuas tão evidentes e habituais mentiras.

Bem, isso difere na vida real.
Já não choro há tempos. Não sei por falta de tristeza ou por falta de coragem para assumi-la.
Você me tocava e eu recuava, e só depois do teu olhar dizendo que estava tudo bem, eu lhe dava a mão, por mais que não mais acreditasse nos teus olhos ou nas tuas falas. Não ousaria te contrariar mais uma vez.
Isso, nem em sonho.

A única parte pior que as demais, foi o despertar.
Acordei atordoada, me mexendo muito, com a respiração ofegante e apalpando todo o  resto daquela cama de casal naquele quarto quente, para saber se não estavas ali.

Não estava.

E eu não sei  se as lágrimas que correram por meu rosto após tanto tempo foi um alívio porque tu não estavas lá ou um lamento por tal constatação.
Só sei que doeu.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Muito

Dar-te-ei um pouco de tudo do que tenho.

Um pouco de amor, para aliviar a dor.
Um pouco de paixão, para aquecer, quando preciso, o coração.
Um pouco de amizade, para amenizar, nas más horas, qualquer tipo de saudade.
Um pouco de irmandade, porque todo afeto necessita de intimidade.

Um pouco do meu afago, para quando o coração se vir desesperado.
Um pouco de carinho, para que saibas que jamais lhe faltará ninho.
Um pouco de aninho, como refúgio pros problemas no caminho.

Um pouco da minha confusão, para que nunca nos falte emoção.
Um pouco da minha clareza, para que ao mesmo tempo tenhamos certeza.
Um pouco do meu abandono, para que voltes sempre, por mais que eu não seja teu dono.

Se por um segundo insistisse em dar-te tudo o que mereces, talvez deixássemos de existir.

Ou me deixarias, porque não aguentarias todos os meus sentimentos e se agoniaria.
Ou deixaria eu de existir, pois tu mereces exatamente tudo o que há em mim,
até mesmo a minha mais profunda ira.
E dar-te a minha ira por completo, jamais me deixaria viver em paz.

Fique tranquila, guardarei todo o resto.
Fique com o pouco que tenho de bom.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Gabriela

Almas gêmeas existem.
Há quem ache que não e que isso é uma grande bobagem. Há quem concorde duvidando. Há até quem ache o pensamento mesquinho.
Mas eu afirmo: Almas gêmeas existem.

E eu não sei como viveria a minha vida sem a minha. Às vezes penso em largar tudo: estudos, família, amigos, amores e o tal do futuro promissor, e viajar por aí, me virando como dá e conhecendo coisas e gentes. Mas em momento algum eu me vejo sem ela.

Temos nossos problemas, discordamos de muitas coisas, temos sonhos muito distintos, mas se qualquer plano não incluir a outra, mudamos os planos sem muito pensar.
Estar com ela é o que faz o plano ser perfeito.
Não digo pelas loucuras noturnas que se tornam diurnas. Digo pelos dias em que a vida nos dá porradas tão fortes que o coração nem sabe direito se volta abrir e só se abre pra ela, porque pra ela, ele nunca se fechou. É pelas noites em que pedimos conselhos e ouvimos o que gostaríamos que nos dissessem, não o que fariam por impulso. É o cuidado na hora de falar, que pode se chamar de "falar com amor". É também o cuidado ao ouvir, sabendo filtrar as palavras e tendo a plena consciência que tudo é por amor, até a coisa mais dura. É pelo choro que quase se faz evidente quando nos vemos felizes. Os olhos brilham de maneira diferente e sabemos reconhecer. É engolir o tal choro emotivo e deixar que os olhos brilhem também, simplesmente porque o amor faz isso.
Não é uma escolha.

É deixar de lado a crítica ao jeito egoísta quando a outra quer apenas um pouco de atenção e de mimo. E mimar.
O sorriso ao final do dia recompensa.

É nunca ter que agradecer, e ser eternamente grata. É não se sentir em dívida, por ter certeza de que é tudo sincero, mas ao mesmo tempo auto questionar-se sem querer: Será que o amor que eu dou é tão bom quando o amor que eu recebo?
E achar que é... Até ouvir um "eu te amo" quando você mais precisa, seja ao final de uma briga, ao final de um abraço longo, ao final de uma triste ligação ou entre risos de uma felicidade jovem e intensa, eternamente compartilhada - eternamente com o passar dos tempos, ou eternamente pela intensidade tão eterno-momentânea.

Como planejar experiências novas e realmente almejadas com outra pessoa?
Tenho outros amigos, outros amores, outros amantes, mas não me peça nunca para ser a metade de alguém que não seja você.
Se um dia eu te perder, ficarei vazia de você. E o mundo, consequentemente, vazio de ambas. Pois espero ter momentos melhores do que já tivemos, mas espero vivê-los com você, porque, por mais clichê que isso seja, se não forem, já não podem ser melhores.

Digo tudo isso porque me peguei pensando no futuro e senti medo.
Medo de te perder. Medo de me perder. Medo que nos percamos.
Mas agora, escrevo isso rindo, mesmo que entre muitas lágrimas...
Como nos perderíamos? Não acredito que a vida possa ser tão injusta.

Podemos, sim, tomar outros rumos e nos desencontrar... Mas imagina o reencontro!
Eu te reconheceria a milhas e milhas, só pelo teu cheiro, pelo teu jeito e pelo coração, que certamente bateria mais forte ao te ver!

É estranho sentir tanto amor assim por alguém. Aliás, é estranho sentir tanto amor assim por tanto tempo... Ainda mais pra mim. Você sabe, mais que ninguém, como eu sou...
Mas é isso. Nunca precisou ser normal. Nunca precisou fazer sentido. Nunca precisou ser igual a nada.
É o nosso amor. É a nossa amizade. É a nossa cumplicidade.
Nossas famílias se tornaram uma só.
E nós nos tornamos a família uma da outra.

E é só isso.
Tudo isso.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Pessoal

Eis que acordo com batidas na porta às 13h de sábado.
"Deve ser sonho". Voltei a fechar os olhos e virei o rosto contra o travesseiro.
As batidas começaram a ficar mais fortes.
A campainha começa a tocar incansavelmente.
"Quem pode ser uma hora dessas?"

Era uma criança.

- Oi, o que você quer?
- Falar com você.
- Você está vendendo algo?
- Não.
- Está perdida?
- Mais ou menos.
- Ora... Quer entrar pra ligar pra sua mãe? Ou pro seu pai, não sei... Você tem o telefone de alguém? Tem pra quem voltar?
- Quero entrar, sim.

Aquela pequena criatura do cabelo negro, liso e pesado e dos lindos olhos puxados falava com tranquilidade, falava firme, que nem gente grande. Entrou e foi logo escolhendo lugar pra sentar: O tapete perto da TV.

- Não quer se sentar no sofá?
- Aqui tá bom.
...
- Então, você tem o telefone de alguém pra eu poder te ajudar?
- Não.
- Então como vou te ajudar?
- Não sei - e deu de ombros.
- Mas aonde você mora?
- Aqui pertinho.
- Sabe chegar lá?
- Aham.
- Então por que não vai pra casa, criatura? Achei que estivesse perdida!
A pequena virou o rosto e fixou o olhar numa antiga fotografia de família.
- Quem são?
- Meu pais... Mas me responda! Por que não volta pra casa?
- É mais perto do que você imagina, sabia?
- Como assim?
- Assim.
- Ora, quem é você?!
- Você.
- Não estou brincando! Quem é você?
- Você.
- Tudo bem. Vou lavar o rosto, vestir uma roupa e você me mostra onde é sua casa, tudo bem? - já irritada.
- Tudo bem. Já chegamos.
- Ah, você mora aqui? Essa é novidade pra mim...
- Sei que sim. Mas por que você nunca mais viu seus pais?
- Mas eu vejo meus pais!
- Sério? Quando foi a ultima vez?
- Tem pouco tempo. Um ano, um ano e meio, sei lá.
- Ah, eles moram longe? Aonde?
- Na verdade, não. Moram aqui na cidade mesmo.
- Então um ano e meio é muito tempo. Por que não os visita mais?
- Ah, não sei... Sinto a falta deles, mas não quero me reaproximar do meu pai. Tenho um certo medo de ser como ele, entende?
- Ele é ruim?
- Não exatamente.
- Então ele é como você!
- Não, claro que não... Deus me livre! Mas olhe só, eu discutindo minha vida com uma criança que nem ao menos me diz quem é... Vamos parar com o papo furado. Deixe eu me arrumar pra te levar pra casa!
- É, você não tem tanto do seu pai... Mas acho que você conhece alguém que tem. Lembra do Fernando?
- Fernando? Como você sabe do Fernando? - Sentei-me assustada  no sofá perto da menina.
- Sabendo. Mas ele não é como seu pai?
- É... - Enquanto isso, só conseguia pensar "como ela sabe tanto? Como ela é tão desenvolta pra falar assim de minha vida?"
- E dele, você sente saudades?
- Não! Não mesmo!
- Nem um pouco?
- Nem um pouco! Vem cá, você é sobrinha dele ou algo assim? Quem te mandou aqui, hein?!
- Nossa, por que essa raiva ao falar dele? Você não era assim... Nunca te vi com raiva de ninguém... Raiva ou mágoa?
- Ué, você sabe o que houve entre nós? Acho que não... Pois se soubesse, me daria razão para sentir qualquer coisa ruim por esse ser desprezível!
- Mas que bela palavra: Desprezível!
- Como você é estranha, menina...
- Ora, somos, não acha?
- Somos? Não, você é! Olha só as coisas que você fala, não fazem nunca sentido completo.
- Também não faz sentido você sentir algo que não seja desprezo por alguém que define como desprezível.
- E pena, eu posso sentir, Sra. Sabe Tudo?
- Aí eu te encheria de razão! A não ser que...
- O que?
- Nada...
- Agora fala!
- Olha só, você não acha melhor se arrumar?
- É, talvez seja melhor. - Botei apenas um short decente, lavei o rosto escovei os dentes e fomos.

- É aqui.
- É aqui que você mora? Na casa do Fernando? Sabia que vocês se conheciam! Meu Deus, ele não cansa de ser patético.
- Bem, vamos entrar.
- Não. Está entregue.
- Por favor, entre comigo. Juro que não vai ser ruim. - A pequena deu-me a mão e me olhou com ternura.

Fui.

Entramos.
A porta rangeu.
Casa completamente vazia: Piso intacto, paredes completamente escuras de tão sujas. Não tinha móveis e nem nenhum tipo de decoração. Parecia mesmo uma casa abandonada.

- Está vazia. Cadê o Fernando? Se mudou?
- Não. Está aqui.
- Aonde?
- Aqui. Estamos no Fernando. Experimente falar algo alto.
- Oi! - O som ecoou.
- É realmente vazio, viu?
- Vi... Mas não entendo.
- Ta vendo as paredes sujas? São as marcas da loucura. Se debatendo de um lado pro outro, como numa solitária de hospício.
- Nada mais justo. - Soltei um riso irônico sem querer - Mas e o chão, por que está tão limpo e intacto?
- Tire os sapatos.
- Nossa, que gelo!
- Pois é... O chão está limpo pois era revestido por um lindo carpete para que ninguém percebesse o frio que se fazia em seu interior. E enganava muito bem, não é?

Com uma lágrima escorrendo pela maçã do rosto, falei quase que sussurrando de tão fraca que me senti:
- E como...
- Só queria te mostrar isso. Agora vamos antes que isso ele consiga tirar tudo o que lhe resta de forças.
- Vamos...

Chegando em casa, ainda trêmula e chocada com a experiência que tinha acabado de ter, ofereci um lanche à pequena que tanto que abriu os olhos.
- Não, deixa que eu faço. Quer chocolate quente, né?
- Como sabe? Você sabe tudo?! - disse em tom de brincadeira.
- Já disse, eu sou você!

E não é que era?
Mas é claro que era!
Por mais louco que isso fosse, aquela menina era eu!
Por incrível que pareça, não chorei com tal constatação, apenas sorri e a deixei livre pela casa, com seu jeito autoritário e meigo e suas opiniões mais maduras e sensatas que as minhas - por mais complexo que isso seja.

- Você entendeu o que eu quis que entendesse?
- Sobre o que?
- Fernando.... Você...
- Acho que sim...
- Sabe, ele é uma pessoa vazia. Precisa de um disfarce para que as pessoas o queiram visitar ou invadir, mas quem invade não fica por muito tempo, por isso não há nenhuma decoração. Pessoas vazias não acrescentam. Não deixe que ele te diminua.
- O que quer dizer?
- Não sinta raiva. Não sinta mágoa. Desprezo é mais digno.
- Sim...
- Não olha pro chão, não fica assim. Você sempre soube disso! Agora se anima e vamos ligar pros seus pais, tá bem?

Fechou a porta na primeira chamada do telefone.
Antes que eu pudesse dizer adeus, alguém dizia "alô" do outro lado da linha.

- Oi, alô... Mãe?

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Só o ruivo me entende

Estranho.

Vejo-te sorrindo e penso que somos completos estranhos e acabamos de nos conhecer. E é assim toda vez. Parece sempre que somos estranhos que mal se viram e já se interessaram um pelo outro. Iniciamos as conversas sempre com um abraço firme, um sorriso largo e aquela timidez especial evidenciada pelo sorriso que fica fixo por pelo menos cinco minutos.
Com o tempo, o assunto flui e vamos nos sentindo confortáveis. Aí começam os assuntos bobos, as implicâncias e o contato visual concentrado.

Estranho.

Olho no olho e os olhos brilhando.
Brilhando de felicidade, até que eu te conto as minhas mágoas e você as suas, e então eles se entristecem e desejam fortemente que a tristeza esteja apenas nos meus olhos e não nos teus pequenos e belos olhos que deviam sempre sorrir, porque fazem isso muito bem.
É aí que voltamos aos bons assuntos, e os usamos como transição pra falar no assunto que mais nos interessa: Nós.

Estranho.

Temos desde sempre a mania de querer saber se estamos bem, a terrível e bela mania de se importar demais um com o outro.
Temos nossas vidas, distintas, mas a cada encontro, parece que as outras vidas ficam pra trás e pertencemos um ao outro, não por termos feito promessas ou juras, porque nunca fizemos e nunca quisemos, mas porque tudo realmente parece bem menor.
Já tivemos e ainda temos outros amores e outras paixões, sabemos disso. Mas quem é que lembra quando estamos abraçados sentindo o cheiro um do outro? Eu não lembro.

Estranho.

Porque eu posso passar meses ou dias sem você. Com saudade, mas sem desespero. Mas só de te ver eu já não entendo como pude ficar tanto tempo distante e só desejo que o mundo pare para que possamos dançar abraçados naquele eterno segundo que é nosso, evidentemente nosso.
Evidente por nossos olhares que se cruzam e sorriem antes e depois do longo beijo. Evidente pelo arrepio que sinto quando você me puxa pela cintura. Evidente pelos olhos fechados enquanto nos balançamos. Evidente pelos olhares distintos do público em nossa direção. Alguns sorriem, outros nem tanto. Mas quem liga pros outros? Eles jamais entenderão...

Estranho.

Porque nem eles e nem nós entenderemos a loucura de nossos momentos. Jamais seremos capazes de compreender a força que nos rodeia quando damos as mãos, mas sabemos que ela existe justamente por não querermos nos separar a cada reencontro.
Mas caímos sempre na bobeira de tentar entender...
Entender pra quê? Entender como?
A gente sabe o que é, só não entende. É forte demais. Tão forte que eu até estranho...

Ai, como esse amor maravilhosamente estranho me faz suspirar!
Estranho?
Talvez não... Nando Reis diria outra coisa.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Maria Ana

Dizem que hoje ela acorda cedo, cuida da casa, do filho e do marido.
Não se atrasa pro trabalho um dia sequer e nem pra deixar o pequeno na creche, e manda dinheiro todo mês pra sua mãe, que mora longe.
Anda impecável: Salto médio, meia-calça, cara pintada, cabelo escovado e corpo diariamente malhado.
Chega em casa cansada, com dor nos pés, faz um rango de dar água na boca, deita-se com seu homem e, por fim, dorme.

Dizem que leva vida de Maria.

Mas a Mariana que eu conheci levava vida de Ana.

Completamente louca e enlouquecedora.
Nunca foi boa com escolhas e nunca precisou, até então, escolher: tinha diversos homens aos seus pés e conseguia aproveitar o melhor de cada um deles, inclusive do que vos fala.
Só pensava em dançar, se divertir, dar risada e arrancar suspiros de quem estivesse por perto, com seu jeito alegre, sedutor e entusiasmado; Ela tinha muito projetos e sonhos e, acima de tudo, capacidade de sobra para por tudo em prática. Mas a preguiça conseguia ser maior.
Andava por aí de coque no cabelo, unha roída, cara lavada e um sorriso largo e sobressalente em seu rosto moreno. Falava grosso, com firmeza, intimidava muito marmanjo, mas tinha o coração mole que só vendo.
Fumava. Parava por alguns meses. Fumava mais que antes e parava de novo. Acho na verdade que ela nem gostava do fumo, mas tinha ciência do quanto ficava linda segurando um cigarro.
Ria por tudo, ria de tudo: Ria de suas alegrias, de seus problemas, de sua vida, dos outros e ria na cara dos outros. Nunca foi de fazer média com ninguém: Se gostava, tentava demonstrar; Se não gostava, demonstrava involuntariamente.
Andava sempre atraindo olhares e sendo atraída e traída pela vida.

Hoje já nem nos falamos.
Diria que não sei nem se ela ainda se lembra de mim, mas certamente lembra.
Não é possível que tenha perdido tudo que tinha de "Ana".
Joguei fora as cartas, os bilhetes, as fotos e o número de seu telefone.
Da Mariana, em minha vida, só resta a saudade.

E na vida dela, "Maria".