Mar agitado.
Cais deserto, porém não abandonado (pedi pra que alguém o vigiasse vez ou outra).
Avisto alguém vindo ao longe. Silhueta desconhecida.
"Quem é?"
Não obtive resposta por conta da onda que bateu na pedra e fez com que nem eu mesma fosse capaz de ouvir o que disse.
Será que foi por isso?
Quando finalmente cheguei perto, tinha ido.
Foi, como tudo na vida...
A vida e esse eterno leva-e-traz...
Eterno até ontem.
Hoje parou.
Me entregou e foi embora. Não veio levar de volta.
Estranhei o tempo todo, até que me toquei que levou.
Levou o que eu trazia comigo.
Ah, esse eterno leva-e-traz...
Aí eu ri.
A culpada
terça-feira, 7 de maio de 2013
domingo, 21 de abril de 2013
Poesiazinha
Te faço uma poesia
Você fica toda prosa
E enquanto o velho posa
A gente silencia
Que é pra ver melhor
Com lente de aumento, me falta foco
Tiro-a e vejo tudo maior.
Aproximar-se é o jeito
É o jeito que todo sujeito,
Que leva a poesia viva no peito,
Arruma para então sentir-se perfeito
E para que a arte continue batendo
Mesmo que às vezes a faça doendo.
Você fica toda prosa
E enquanto o velho posa
A gente silencia
Que é pra ver melhor
Com lente de aumento, me falta foco
Tiro-a e vejo tudo maior.
Aproximar-se é o jeito
É o jeito que todo sujeito,
Que leva a poesia viva no peito,
Arruma para então sentir-se perfeito
E para que a arte continue batendo
Mesmo que às vezes a faça doendo.
sábado, 30 de março de 2013
Violação.
Dia desses vi um menino violar a imagem inofensiva que tínhamos a seu respeito com um violino.
Dia desses vi um rapagão violar sua aparência de insensível com um violão.
Essa gente que se viola ao som de uma viola.
De um violino.
De um violão.
Vai entender...
Eu é que não vou dar corda pra essa gente.
Dia desses vi um rapagão violar sua aparência de insensível com um violão.
Essa gente que se viola ao som de uma viola.
De um violino.
De um violão.
Vai entender...
Eu é que não vou dar corda pra essa gente.
quinta-feira, 7 de março de 2013
Dramaturgia nossa de cada dia.
Por que?
Se a lista, que foi elaborada em quinze minutos, já está no item sessenta e cinco, eu me pergunto "Por que?".
Por que você? Por que agora? Por que comigo? Por que...
Fugimos do roteiro, admita.
Pro remédio fazer efeito, fecho os olhos e enxergo. Você tem um quê de algo que eu, definitivamente, não precisava precisar.
Mas agora eu preciso.
Mas não preciso mais de um "porque", pois tendo esse "quê" indefinido e necessário, já completo o cenário, e as peças dessa peça se encaixam.
E o ato final continua por trás das cortinas vermelhas. Os aplausos cessam, o público sai e leva consigo o murmurinho e ficamos nós.
A sós.
Até o apoio ir embora.
Até o teatro fechar.
Até que as luzes se apaguem.
E aí protagonizamos um mundo só nosso.
Atrás das cortinas.
Só a gente sabe.
A sós, só a gente sabe.
Se a lista, que foi elaborada em quinze minutos, já está no item sessenta e cinco, eu me pergunto "Por que?".
Por que você? Por que agora? Por que comigo? Por que...
Fugimos do roteiro, admita.
Pro remédio fazer efeito, fecho os olhos e enxergo. Você tem um quê de algo que eu, definitivamente, não precisava precisar.
Mas agora eu preciso.
Mas não preciso mais de um "porque", pois tendo esse "quê" indefinido e necessário, já completo o cenário, e as peças dessa peça se encaixam.
E o ato final continua por trás das cortinas vermelhas. Os aplausos cessam, o público sai e leva consigo o murmurinho e ficamos nós.
A sós.
Até o apoio ir embora.
Até o teatro fechar.
Até que as luzes se apaguem.
E aí protagonizamos um mundo só nosso.
Atrás das cortinas.
Só a gente sabe.
A sós, só a gente sabe.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
Vírgula.
Dia desses virei a noite vendo uma comédia romântica tirando o esmalte das unhas com os dentes e chorando ao pensar a respeito de meu futuro frustrante onde trabalharei feito uma condenada para ganhar no máximo uns dez mil mensais e não ter tempo ou paciência de gastar essa merreca.
Felicidade é isso?
Deu até falta de ar.
Felicidade é isso?
Deu até falta de ar.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
Desabafo de um homem que antigamente era "das antigas".
Lembro-me perfeitamente de um dos dias mais frustrantes da minha vida.
Após muito tempo, fui a uma locadora para alugar um filme - que agora me foge à memória. Chegando lá, meu mundo caiu.
Perguntei à atendente e ela disse que tinha, sim, o filme que eu queria, mas só em DVD, não em VHS. Tudo bem, as coisas mudam. Perguntei então onde era a seção de VHS, para que pudesse escolher alguma outra película e para que minha ida não tivesse sido em vão.
A moça, muito solícita, me acompanhou até lá.
A moça, muito solícita, me acompanhou até lá.
Não havia nem 100 filmes naquela prateleira. O resto da locadora era composto apenas por DVDs.
Ninguém mais queria saber daquela fita grossa, enorme, que se tem que rebobinar antes de devolver para a locadora.
A moda agora era aquela rosquinha fina, miúda, que não passava segurança alguma.
Comentei acerca com meu filho e ele disse que era muito mais prático e que me daria um aparelho de DVD no natal. Sinceramente, ignorei-o. Poderia passar a vida vendo apenas meus VHS antigos, sem precisar dos lançamentos que cabem naquela coisa minúscula metida a besta.
Isso foi em 2006, se não me engano.
Pois é, passaram-se 7 anos desde então... Hoje rio. Que bobagem a minha!
Logo eu, que não troco a alta definição do meu Blue-ray por nada.
sábado, 19 de janeiro de 2013
O que eu odeio
Eu adoro te ver de cima. Quer dizer, adoro te ver do ponto de vista de cima. Sei lá, eu simplesmente gosto.
Seus cílios ficam mais grossos e curvados, seu nariz parece mais fino e quando olha pra mim, seus olhos parecem duas enormes jabuticabas.
Eu adoro jabuticabas.
Eu adoro te ver de baixo. Seus lábios parecem menores e um pouco mais grossos, suas narinas mais fechadas, seu queixo menor e mais redondinho e seus cílios ficam mais longos, parecem um pincel.
Eu adoro pintar.
Eu adoro te ver de costas. Gosto de ver seus cabelos balançando enquanto você anda e gosto de acompanhar o crescimento deles (aliás, está na hora de dar uma aparada), gosto de ver suas lindas pernas em movimento, seu bumbum redondo, seus braços balançando e seu quadril mexendo enquanto você anda como quem não liga pra nada.
Eu adoro o desleixe.
Eu detesto te ver de frente. Seus cílios são um pouco separados e curvados até demais, seu nariz é um pouco grande, seus olhos são redondos demais, seus lábios são finos e longos, sei lá, e seu queixo é um pouco grande.
Mas aí eu lembro do quanto eu adoro jabuticabas, pintura e até o teu desleixe. E então o teu desleixe se torna meu, e nada mais importa.
É tudo questão de relação. Da relação.
Seus cílios ficam mais grossos e curvados, seu nariz parece mais fino e quando olha pra mim, seus olhos parecem duas enormes jabuticabas.
Eu adoro jabuticabas.
Eu adoro te ver de baixo. Seus lábios parecem menores e um pouco mais grossos, suas narinas mais fechadas, seu queixo menor e mais redondinho e seus cílios ficam mais longos, parecem um pincel.
Eu adoro pintar.
Eu adoro te ver de costas. Gosto de ver seus cabelos balançando enquanto você anda e gosto de acompanhar o crescimento deles (aliás, está na hora de dar uma aparada), gosto de ver suas lindas pernas em movimento, seu bumbum redondo, seus braços balançando e seu quadril mexendo enquanto você anda como quem não liga pra nada.
Eu adoro o desleixe.
Eu detesto te ver de frente. Seus cílios são um pouco separados e curvados até demais, seu nariz é um pouco grande, seus olhos são redondos demais, seus lábios são finos e longos, sei lá, e seu queixo é um pouco grande.
Mas aí eu lembro do quanto eu adoro jabuticabas, pintura e até o teu desleixe. E então o teu desleixe se torna meu, e nada mais importa.
É tudo questão de relação. Da relação.
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