Me disseram que as meninas amadurecem mais rápido... Nunca dei tanta risada!
Por que? Ora, porque é uma mentira deslavada! Veja minha mãe, por exemplo... Ela tem 43 anos e age como minha irmã de 12.
Dia desses ela perguntou ao papai se podiam sair para jantar num restaurante novo que abriu aqui na rua essa semana. Ele disse que não, porque estava muito cansado. Não entendi até agora porque ele disse isso, já que era evidente que ela daria um escândalo dizendo que o casamento não é mesmo, que não reconhece mais o marido, que ele está se tornando um chato. E era evidente também que ele teria que leva-la para jantar no fim de semana (num restaurante mais caro, obviamente). E assim foi...
Aí eu pergunto: Qual a dificuldade de entender que o papai passou o dia trabalhando e está cansado? Eu falo que ele é meu herói, mas é só jeito de falar, mãe! Não leve tudo a sério é chato ser mal compreendido.
Numa outra situação, eu estava em casa sozinho com a minha mãe. Não tinha nada pra fazer e o programa que assisto na TV já havia terminado. Fui até meu quarto procurar algum brinquedo que me interessasse. Passando pelo corredor, vi que a porta do quarto de minha irmã estava aberta. Normalmente está fechada, então nem entro, mas como estava aberta, pensei "não deve ter problema de entrar". Entrei. Avistei uma prateleira acima da cama com um monte de ursos de pelúcia e brinquedos antigos, de quando ela era pequena. Subi na cama e peguei um deles. Ela nem brincava mais com eles, qual seria o problema?
Assim que entrou no quarto já começou a gritar falando que sujei a cama dela com meus pés e que peguei o brinquedo favorito dela, sendo que ela já havia falado pra mamãe mais de mil vezes que não era mais criança pra gostar de brinquedos. Eu expliquei pra mamãe que a porta estava aberta e que ela nem liga pros brinquedos. Mamãe concordou, mas falou pra eu não entrar mais lá. Não seria muito mais fácil ela fechar a porta do quarto antes de sair? Se fechasse, eu não teria entrado. E a culpa é de quem? Minha, como sempre.
Percebeu? Minha mãe, como eu disse anteriormente, age que nem a minha irmã de 12 anos.
As mulheres não amadurecem, elas são infantis desde pequenas até a velhice, isso faz com que pareçam maduras desde sempre.
- E como você chegou a essa conclusão?
- É que com os homens não é muito diferente, não. Hoje eu levo a culpa por entrar no quarto da minha irmã, amanhã levo a culpa por estar cansado e não querer ir jantar fora... Os homens sempre levam a culpa por causa dos problemas das mulheres, só que a gente reclama menos porque a gente sabe o quanto é infantil quando elas o fazem, mas quando a gente faz, fica infantil duas vezes, porque elas adoram questionar nossa masculinidade quando estamos revoltados.
Ser maduro cansa. As mulheres não sabem a sorte que tem.
A culpada
segunda-feira, 7 de maio de 2012
segunda-feira, 16 de abril de 2012
A areia estava tão gelada que senti câimbras ao encostar os pés, mas prossegui a caminhada. Sentei-me um pouco e fiquei ouvindo o barulho do sol. Aguentei pouco tempo e logo fui para o mar.
O mar estava tão quente que tive que voltar para buscar meus chinelos, senão queimaria os pés.
Tá tudo errado.
Por que ela? Por que? A culpa é dela. Só dela. É ela.
Aqueles grandes olhos azuis e envolventes não tem a cor do mar. O mar tem a cor daqueles olhos. O mar os copiou não só na cor: copiou também todo aquele enigma. Eu não sei como me deixei enganar por aquele olhar. Não sei como ainda me deixo enganar. Acho que me eu me engano, na verdade...
E o Sol, assim como ela, parece não contentar-se apenas com a grandiosidade, com o brilho e com o calor que provoca em todos que estão por perto. Precisa gritar, ensurdecer, roubar a cena. A quentura e os gritos causavam tontura. E eu estava - e era - tonto por ela.
A areia eu não suportei pela frieza, mas a frieza dela eu estou disposto a aceitar. É pessoal, eu sei... Mas e daí? Eu coloco os chinelo e ponho os pés, as mãos, o corpo e a alma nela. Em meus melhores sonhos, claro...
Porque na vida real eu calcei os chinelos e nem consegui colocar os pés no chão pois era frio demais. O que faria com que com ela fosse diferente?
Eu odeio a praia. Não combina com essa vida onde é inverno o ano todo.
O mar estava tão quente que tive que voltar para buscar meus chinelos, senão queimaria os pés.
Tá tudo errado.
Por que ela? Por que? A culpa é dela. Só dela. É ela.
Aqueles grandes olhos azuis e envolventes não tem a cor do mar. O mar tem a cor daqueles olhos. O mar os copiou não só na cor: copiou também todo aquele enigma. Eu não sei como me deixei enganar por aquele olhar. Não sei como ainda me deixo enganar. Acho que me eu me engano, na verdade...
E o Sol, assim como ela, parece não contentar-se apenas com a grandiosidade, com o brilho e com o calor que provoca em todos que estão por perto. Precisa gritar, ensurdecer, roubar a cena. A quentura e os gritos causavam tontura. E eu estava - e era - tonto por ela.
A areia eu não suportei pela frieza, mas a frieza dela eu estou disposto a aceitar. É pessoal, eu sei... Mas e daí? Eu coloco os chinelo e ponho os pés, as mãos, o corpo e a alma nela. Em meus melhores sonhos, claro...
Porque na vida real eu calcei os chinelos e nem consegui colocar os pés no chão pois era frio demais. O que faria com que com ela fosse diferente?
Eu odeio a praia. Não combina com essa vida onde é inverno o ano todo.
domingo, 8 de abril de 2012
Eu to com vontade de sentir vontade de você. Aliás, eu tenho vontade de sentir vontade de você.
Não é bem uma vontade, é meio que uma necessidade. Necessidade de sentir vontade de ter vontade de você. É necessidade porque se eu não sentir essa vontade as coisas pioram, e olha que já não estão boas...
Se eu sentisse vontade de você, tudo seria bem mais fácil para nós dois. O final feliz talvez até existisse, e se não existisse, seria porque não haveria final.
Eu queria sentir a mesma vontade que você, porque só assim eu não me sentiria em dívida. Sei que você sente muito... Eu queria ter vontade, eu juro que queria...
Mas eu não tenho.
A vontade que eu sinto de sentir vontade de você, de mim, de nós dois é maior do que qualquer eventual vontade que eu possa sentir.
Eu não tenho essa vontade a te oferecer, mas eu vou fazer a sua vontade e vou ser sempre sincera.
Eu não sinto vontade. Eu tento, mas não sinto. Tento tanto que estou sempre ansiosa pro momento em que finalmente ela poderia chegar, mas ela nunca chegou. E de tanto tentar, estou com ânsia de vômito.
Eu nunca quis te magoar, mas acho que é a única coisa que consigo fazer por você nesse momento. Sinto pouco, é isso.
Sinto muito.
Adeus.
Não é bem uma vontade, é meio que uma necessidade. Necessidade de sentir vontade de ter vontade de você. É necessidade porque se eu não sentir essa vontade as coisas pioram, e olha que já não estão boas...
Se eu sentisse vontade de você, tudo seria bem mais fácil para nós dois. O final feliz talvez até existisse, e se não existisse, seria porque não haveria final.
Eu queria sentir a mesma vontade que você, porque só assim eu não me sentiria em dívida. Sei que você sente muito... Eu queria ter vontade, eu juro que queria...
Mas eu não tenho.
A vontade que eu sinto de sentir vontade de você, de mim, de nós dois é maior do que qualquer eventual vontade que eu possa sentir.
Eu não tenho essa vontade a te oferecer, mas eu vou fazer a sua vontade e vou ser sempre sincera.
Eu não sinto vontade. Eu tento, mas não sinto. Tento tanto que estou sempre ansiosa pro momento em que finalmente ela poderia chegar, mas ela nunca chegou. E de tanto tentar, estou com ânsia de vômito.
Eu nunca quis te magoar, mas acho que é a única coisa que consigo fazer por você nesse momento. Sinto pouco, é isso.
Sinto muito.
Adeus.
terça-feira, 20 de março de 2012
segunda-feira, 19 de março de 2012
Veio o primeiro teste. E o segundo, e o terceiro, e assim, assim foi.
Foi tanto que estacionou. Cobraram-me um preço abusivo por aquela vaga. Paguei.
Precisei dar marcha à ré para conseguir sair. Saí.
E eles voltaram. Nunca imaginei isso, mas eu não os queria.
Direção, cenografia, figurino, maquiagem... Eu não aguentava mais uma linha sequer do roteiro de minha vida.
Cena final. Ação.
Acelerei. Fechei os olhos. Barulho de forte colisão e explosão de vidros. Grito agudo e abafado. Vinheta instrumental ao fundo e um corpo no chão vestindo roupas rasgadas que mais pareciam farrapos. A luz diminui aos poucos.
Descem os créditos finais.
Aplausos e lágrimas emocionadas.
Amém.
Foi tanto que estacionou. Cobraram-me um preço abusivo por aquela vaga. Paguei.
Precisei dar marcha à ré para conseguir sair. Saí.
E eles voltaram. Nunca imaginei isso, mas eu não os queria.
Direção, cenografia, figurino, maquiagem... Eu não aguentava mais uma linha sequer do roteiro de minha vida.
Cena final. Ação.
Acelerei. Fechei os olhos. Barulho de forte colisão e explosão de vidros. Grito agudo e abafado. Vinheta instrumental ao fundo e um corpo no chão vestindo roupas rasgadas que mais pareciam farrapos. A luz diminui aos poucos.
Descem os créditos finais.
Aplausos e lágrimas emocionadas.
Amém.
domingo, 4 de março de 2012
Eu sempre pensei que existia muita coisa entre o sim e o não, entre o certo e o errado. Ledo engano...
Esse é mais um texto sobre sentimentos. Aliás, pode ser um texto sobre a falta deles. Na verdade, não sei se é um texto sobre sentimentos ou sobre sentidos.
Sempre ouvi dizer que o amor é essencial, que todos o tem dentro de si, por mais escondido que esteja. E ouvi também que o amor se sente com os cinco sentidos: olfato, paladar, audição, visão e tato. O que mais me intriga é o tato. É por conta dele que eu desconfio que o amor acabou.
No início, começava com um beijo no pescoço, daqueles bem próximos, que dá pra sentir o cheiro do perfume e até pra reconhecer o shampoo que ele usava em seus cabelos lisos que estavam sempre bagunçados. Depois vinha uma lambida na qual se sentia um gosto um pouco salgado, por conta do suor misturado ao perfume. As palavras sussurradas ao meu ouvido eu guardo pra mim, se me permitem. Eu olhava em volta, via aquele quarto sempre bagunçado, sorria, e então me voltava para seus olhos. E então, com seu toque, o mundo fazia sentido. Aliás, não fazia e nem precisava.
Hoje em dia, a única parte diferente é a do tato. Eu faço tudo, o toque é o mesmo, mas eu não sinto. Daí comecei a confundir sentimentos com sentidos.
É tudo uma coisa só.
Esse é mais um texto sobre sentimentos. Aliás, pode ser um texto sobre a falta deles. Na verdade, não sei se é um texto sobre sentimentos ou sobre sentidos.
Sempre ouvi dizer que o amor é essencial, que todos o tem dentro de si, por mais escondido que esteja. E ouvi também que o amor se sente com os cinco sentidos: olfato, paladar, audição, visão e tato. O que mais me intriga é o tato. É por conta dele que eu desconfio que o amor acabou.
No início, começava com um beijo no pescoço, daqueles bem próximos, que dá pra sentir o cheiro do perfume e até pra reconhecer o shampoo que ele usava em seus cabelos lisos que estavam sempre bagunçados. Depois vinha uma lambida na qual se sentia um gosto um pouco salgado, por conta do suor misturado ao perfume. As palavras sussurradas ao meu ouvido eu guardo pra mim, se me permitem. Eu olhava em volta, via aquele quarto sempre bagunçado, sorria, e então me voltava para seus olhos. E então, com seu toque, o mundo fazia sentido. Aliás, não fazia e nem precisava.
Hoje em dia, a única parte diferente é a do tato. Eu faço tudo, o toque é o mesmo, mas eu não sinto. Daí comecei a confundir sentimentos com sentidos.
É tudo uma coisa só.
quinta-feira, 1 de março de 2012
- Você vai querer ser enterrado ou cremado?
- O que?
- Quando você morrer, oras.
- Sei lá. Por que isso agora?
- Não sei... Estava pensando sobre a morte... Eu acho que quero que me enterrem.
- Por que?
- Porque eu tenho medo de fogo.
- Mas você vai estar morto.
- Vai saber, né?
- Como assim?
- Sei lá, vai que eu tô vivo mas pensam que tô morto...
- Ah, claro...
- Ué, é possível. Se bem que eu sou claustrofóbico... E se me enterrarem vivo?
- Pelo amor de Deus, para de imaginar essas coisas loucas e muda de assunto.
- Mudar de assunto por que? Você tem medo de morrer?
- Não... Não exatamente.
- "Não exatamente"? Como assim?
- Não tenho medo da forma que vou morrer. Não pretendo morrer dormindo, como a maioria das pessoas.
- Ainda não entendi...
- Não me importa se vou sentir dor ou não, entende? Não tenho medo do sofrimento antes da morte. Depois vou esquecer, não vou lembrar, não vou ter traumas ou sequelas, então não ligo pra isso.
- Então do que você tem medo?
- Não sei... Como será o paraíso?
- Provavelmente é bom, ué.
- E o inferno?
- Prefiro nem imaginar...
- E se eu for pra lá?
- Você merece ir pra lá?
- Acho que a questão é não merecer ir pro paraíso, não?
- Não. O inferno também é questão de merecimento.
Silêncio...
- E se não merecer nenhum dos dois?
- Aí eu acho que você continua vivo até merecer.
- O que?
- Quando você morrer, oras.
- Sei lá. Por que isso agora?
- Não sei... Estava pensando sobre a morte... Eu acho que quero que me enterrem.
- Por que?
- Porque eu tenho medo de fogo.
- Mas você vai estar morto.
- Vai saber, né?
- Como assim?
- Sei lá, vai que eu tô vivo mas pensam que tô morto...
- Ah, claro...
- Ué, é possível. Se bem que eu sou claustrofóbico... E se me enterrarem vivo?
- Pelo amor de Deus, para de imaginar essas coisas loucas e muda de assunto.
- Mudar de assunto por que? Você tem medo de morrer?
- Não... Não exatamente.
- "Não exatamente"? Como assim?
- Não tenho medo da forma que vou morrer. Não pretendo morrer dormindo, como a maioria das pessoas.
- Ainda não entendi...
- Não me importa se vou sentir dor ou não, entende? Não tenho medo do sofrimento antes da morte. Depois vou esquecer, não vou lembrar, não vou ter traumas ou sequelas, então não ligo pra isso.
- Então do que você tem medo?
- Não sei... Como será o paraíso?
- Provavelmente é bom, ué.
- E o inferno?
- Prefiro nem imaginar...
- E se eu for pra lá?
- Você merece ir pra lá?
- Acho que a questão é não merecer ir pro paraíso, não?
- Não. O inferno também é questão de merecimento.
Silêncio...
- E se não merecer nenhum dos dois?
- Aí eu acho que você continua vivo até merecer.
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