Eu sempre pensei que existia muita coisa entre o sim e o não, entre o certo e o errado. Ledo engano...
Esse é mais um texto sobre sentimentos. Aliás, pode ser um texto sobre a falta deles. Na verdade, não sei se é um texto sobre sentimentos ou sobre sentidos.
Sempre ouvi dizer que o amor é essencial, que todos o tem dentro de si, por mais escondido que esteja. E ouvi também que o amor se sente com os cinco sentidos: olfato, paladar, audição, visão e tato. O que mais me intriga é o tato. É por conta dele que eu desconfio que o amor acabou.
No início, começava com um beijo no pescoço, daqueles bem próximos, que dá pra sentir o cheiro do perfume e até pra reconhecer o shampoo que ele usava em seus cabelos lisos que estavam sempre bagunçados. Depois vinha uma lambida na qual se sentia um gosto um pouco salgado, por conta do suor misturado ao perfume. As palavras sussurradas ao meu ouvido eu guardo pra mim, se me permitem. Eu olhava em volta, via aquele quarto sempre bagunçado, sorria, e então me voltava para seus olhos. E então, com seu toque, o mundo fazia sentido. Aliás, não fazia e nem precisava.
Hoje em dia, a única parte diferente é a do tato. Eu faço tudo, o toque é o mesmo, mas eu não sinto. Daí comecei a confundir sentimentos com sentidos.
É tudo uma coisa só.
A culpada
domingo, 4 de março de 2012
quinta-feira, 1 de março de 2012
- Você vai querer ser enterrado ou cremado?
- O que?
- Quando você morrer, oras.
- Sei lá. Por que isso agora?
- Não sei... Estava pensando sobre a morte... Eu acho que quero que me enterrem.
- Por que?
- Porque eu tenho medo de fogo.
- Mas você vai estar morto.
- Vai saber, né?
- Como assim?
- Sei lá, vai que eu tô vivo mas pensam que tô morto...
- Ah, claro...
- Ué, é possível. Se bem que eu sou claustrofóbico... E se me enterrarem vivo?
- Pelo amor de Deus, para de imaginar essas coisas loucas e muda de assunto.
- Mudar de assunto por que? Você tem medo de morrer?
- Não... Não exatamente.
- "Não exatamente"? Como assim?
- Não tenho medo da forma que vou morrer. Não pretendo morrer dormindo, como a maioria das pessoas.
- Ainda não entendi...
- Não me importa se vou sentir dor ou não, entende? Não tenho medo do sofrimento antes da morte. Depois vou esquecer, não vou lembrar, não vou ter traumas ou sequelas, então não ligo pra isso.
- Então do que você tem medo?
- Não sei... Como será o paraíso?
- Provavelmente é bom, ué.
- E o inferno?
- Prefiro nem imaginar...
- E se eu for pra lá?
- Você merece ir pra lá?
- Acho que a questão é não merecer ir pro paraíso, não?
- Não. O inferno também é questão de merecimento.
Silêncio...
- E se não merecer nenhum dos dois?
- Aí eu acho que você continua vivo até merecer.
- O que?
- Quando você morrer, oras.
- Sei lá. Por que isso agora?
- Não sei... Estava pensando sobre a morte... Eu acho que quero que me enterrem.
- Por que?
- Porque eu tenho medo de fogo.
- Mas você vai estar morto.
- Vai saber, né?
- Como assim?
- Sei lá, vai que eu tô vivo mas pensam que tô morto...
- Ah, claro...
- Ué, é possível. Se bem que eu sou claustrofóbico... E se me enterrarem vivo?
- Pelo amor de Deus, para de imaginar essas coisas loucas e muda de assunto.
- Mudar de assunto por que? Você tem medo de morrer?
- Não... Não exatamente.
- "Não exatamente"? Como assim?
- Não tenho medo da forma que vou morrer. Não pretendo morrer dormindo, como a maioria das pessoas.
- Ainda não entendi...
- Não me importa se vou sentir dor ou não, entende? Não tenho medo do sofrimento antes da morte. Depois vou esquecer, não vou lembrar, não vou ter traumas ou sequelas, então não ligo pra isso.
- Então do que você tem medo?
- Não sei... Como será o paraíso?
- Provavelmente é bom, ué.
- E o inferno?
- Prefiro nem imaginar...
- E se eu for pra lá?
- Você merece ir pra lá?
- Acho que a questão é não merecer ir pro paraíso, não?
- Não. O inferno também é questão de merecimento.
Silêncio...
- E se não merecer nenhum dos dois?
- Aí eu acho que você continua vivo até merecer.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Tentei arrumar meu armário. Não consegui.
Sempre ouvi comparações sobre a arrumação de armário com a arrumação de sentimentos. Bem, de acordo com o caos que estava meu armário, a comparação entre armário e sentimentos parecia ser bem verdadeira.
Tentei então arrumar os sentimentos.
Deitei, acendi um cigarro, dei uma longa tragada, fechei os olhos, pensei e soltei. O cheiro da fumaça inundou o ambiente.
Permaneci com os olhos fechados e tentei organizar minhas prioridades entre uma tragada e outra. Consegui, em partes. Mas cadê aquela parte essencial que rouba alguns segundos do meu sono diariamente? Cadê aquele alguém que as vezes me faz derramar lágrimas tão involuntárias quanto a respiração ofegante a cada encontro casual?
Cadê?
Percebi que meu coração sempre esteve arrumado. Só enxergo as coisas boas. A parte ruim eu não alcanço.
Não por ser inexistente, mas sim porque a cabeça está tão ruim quanto a parte esquecida.
Sempre ouvi comparações sobre a arrumação de armário com a arrumação de sentimentos. Bem, de acordo com o caos que estava meu armário, a comparação entre armário e sentimentos parecia ser bem verdadeira.
Tentei então arrumar os sentimentos.
Deitei, acendi um cigarro, dei uma longa tragada, fechei os olhos, pensei e soltei. O cheiro da fumaça inundou o ambiente.
Permaneci com os olhos fechados e tentei organizar minhas prioridades entre uma tragada e outra. Consegui, em partes. Mas cadê aquela parte essencial que rouba alguns segundos do meu sono diariamente? Cadê aquele alguém que as vezes me faz derramar lágrimas tão involuntárias quanto a respiração ofegante a cada encontro casual?
Cadê?
Percebi que meu coração sempre esteve arrumado. Só enxergo as coisas boas. A parte ruim eu não alcanço.
Não por ser inexistente, mas sim porque a cabeça está tão ruim quanto a parte esquecida.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Sete passos. Parei. Olhei para trás. Não tinha ninguém. Prossegui. Tornei a olhar pra trás. Ninguém de novo. Eu já sabia, a segunda olhada foi só por garantia.
Cheguei exausta ao último posto da Orla de Copacabana. Sentei num desses quiosques à beira-mar para tomar água de coco e descansar um pouco, para então voltar ao primeiro posto. Fechei os olhos. Em menos de dois segundos senti necessidade de abri-los. Senti que não estava sozinha. E não estava.
- Boa tarde, senhora, o que deseja?
- Ah, me vê uma água de coco, por favor.
Voltei a fechar os olhos. Desta vez permaneceram cerrados por mais tempo. Até que tive que abri-los, de novo, para deixar aquela lágrima, que teimava em em querer aparecer, escorrer pela maçã de meu rosto.
Sim, era apenas uma. Veio sozinha. Singular. Sem par... Coincidentemente ou não.
Veio do olho esquerdo, e, ao terminar o circuito por meu rosto, desceu direitamente até meu peito. Enxuguei-a. Não queria nada ali. Pelo menos não até descobrir o que ali havia.
Não é bom misturar o desconhecido.
E nem um velho conhecido já esquecido.
Cheguei exausta ao último posto da Orla de Copacabana. Sentei num desses quiosques à beira-mar para tomar água de coco e descansar um pouco, para então voltar ao primeiro posto. Fechei os olhos. Em menos de dois segundos senti necessidade de abri-los. Senti que não estava sozinha. E não estava.
- Boa tarde, senhora, o que deseja?
- Ah, me vê uma água de coco, por favor.
Voltei a fechar os olhos. Desta vez permaneceram cerrados por mais tempo. Até que tive que abri-los, de novo, para deixar aquela lágrima, que teimava em em querer aparecer, escorrer pela maçã de meu rosto.
Sim, era apenas uma. Veio sozinha. Singular. Sem par... Coincidentemente ou não.
Veio do olho esquerdo, e, ao terminar o circuito por meu rosto, desceu direitamente até meu peito. Enxuguei-a. Não queria nada ali. Pelo menos não até descobrir o que ali havia.
Não é bom misturar o desconhecido.
E nem um velho conhecido já esquecido.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Quando eu era pequena, no primeiro dia de aula de cada ano, na hora de preencher o espaço de data do meu caderno eu escrevia o dia e o mês corretos, mas sempre colocava o ano anterior. Aliás, não era apenas no primeiro dia. Fazia isso pelo menos por duas semanas, isso quando não errava até o meio do ano. Parecia que o tempo não passava...
Pensei nisso dia desses. Ri sozinha. Hoje em dia não o faço mais. Acerto sempre e sorrio ao ver que o número aumentou.
Então parei e fiz aquele tipo de reflexão que 200 mil pessoas fazem ao mesmo tempo de tão óbvia: A gente cresce e percebe, cada dia mais, que o tempo passa. Passa pra todos e a responsabilidade vem. Crescer é fundamental.
Os anos se passam e você sempre se impressiona com a rapidez que as coisas acontecem, com o formato que tudo toma do dia para a noite, com as opiniões que se formam em sua cabeça repentinamente e fazem todo sentido do mundo.
Tudo passa, tudo muda. As pessoas tem essa necessidade, graças a Deus. Ninguém quer mudar pra pior, todo mundo quer dar um passo à frente. Todo mundo quer ser o escolhido, todo mundo quer poder escolher.
Todo mundo sente saudade de errar a data e sorrir. Todo mundo sente saudade do bom tempo do tempo eterno.
Pensei nisso dia desses. Ri sozinha. Hoje em dia não o faço mais. Acerto sempre e sorrio ao ver que o número aumentou.
Então parei e fiz aquele tipo de reflexão que 200 mil pessoas fazem ao mesmo tempo de tão óbvia: A gente cresce e percebe, cada dia mais, que o tempo passa. Passa pra todos e a responsabilidade vem. Crescer é fundamental.
Os anos se passam e você sempre se impressiona com a rapidez que as coisas acontecem, com o formato que tudo toma do dia para a noite, com as opiniões que se formam em sua cabeça repentinamente e fazem todo sentido do mundo.
Tudo passa, tudo muda. As pessoas tem essa necessidade, graças a Deus. Ninguém quer mudar pra pior, todo mundo quer dar um passo à frente. Todo mundo quer ser o escolhido, todo mundo quer poder escolher.
Todo mundo sente saudade de errar a data e sorrir. Todo mundo sente saudade do bom tempo do tempo eterno.
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
E veio a brisa.
O vento vinha sobre meus cabelos tal qual batia nas pedras do Arpoador num fim de tarde qualquer em janeiro. Fechei os olhos e então vi as ondas se formando e se desfazendo com uma violência e uma suavidade indescritíveis. E o processo se repetiu milhares e milhares de vezes.
Quarenta e dois minutos se passaram e eu continuava a apreciar tudo sem fazer nada. Não sorria, não chorava, não falava, não piscava. Meus olhos continuavam serrados enquanto eu sentia a brisa de que falei no início.
Eu poderia ficar ali a noite toda. O dia todo. A vida toda. Poderia... Mas aí eu cansei. Ventou demais.
Senti saudades do calor.
O vento vinha sobre meus cabelos tal qual batia nas pedras do Arpoador num fim de tarde qualquer em janeiro. Fechei os olhos e então vi as ondas se formando e se desfazendo com uma violência e uma suavidade indescritíveis. E o processo se repetiu milhares e milhares de vezes.
Quarenta e dois minutos se passaram e eu continuava a apreciar tudo sem fazer nada. Não sorria, não chorava, não falava, não piscava. Meus olhos continuavam serrados enquanto eu sentia a brisa de que falei no início.
Eu poderia ficar ali a noite toda. O dia todo. A vida toda. Poderia... Mas aí eu cansei. Ventou demais.
Senti saudades do calor.
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Em 2011 eu me apaixonei. Talvez não devesse, mas me apaixonei. Me afastei de algumas pessoas e, por sorte, me aproximei de outras. Viajei, me diverti conheci gente nova e a paixão se transformou em amor;
Aproveitei meu carnaval com meus amigos, minhas amigas e com o amor que descobri que era recíproco. Agora eu era dois.
Percebi que o amor existia, sim, de fato, mas que não era nem de longe igual as músicas que eu escuto ou aos filmes que eu vejo. Aprendi. Cresci;
Fiz amigos no meu ultimo ano de colégio. Amigos que talvez eu perca contato, mas, ainda assim, amigos;
Fui mais uma vez ao show da minha banda preferida e foi um dos melhores dias da minha vida;
Fui ao cinema mais de 30 vezes;
Engordei bastante, chorei bastante, senti muita saudade;
Tentei fazer algumas dietas, mas logo desisti. Vou começar uma de verdade na segunda que vem;
Prestei vestibular estudando menos do que devia ainda que fosse retardada e disléxica;
Voltei a meu lugar favorito do mundo: A Disney. Mas dessa vez foi uma viagem em família;
Estudei na reta final porque eu nunca aprendo que devia fazer isso desde o início;
Me formei, chorei, revi minha vida e já tenho minhas metas para o ano que chegou que não serão necessariamente realizadas este ano;
Não acho que vá ser diferente, nunca é. É um ciclo eterno. O ano novo é a continuidade do ano anterior.
Aproveitei meu carnaval com meus amigos, minhas amigas e com o amor que descobri que era recíproco. Agora eu era dois.
Percebi que o amor existia, sim, de fato, mas que não era nem de longe igual as músicas que eu escuto ou aos filmes que eu vejo. Aprendi. Cresci;
Fiz amigos no meu ultimo ano de colégio. Amigos que talvez eu perca contato, mas, ainda assim, amigos;
Fui mais uma vez ao show da minha banda preferida e foi um dos melhores dias da minha vida;
Fui ao cinema mais de 30 vezes;
Engordei bastante, chorei bastante, senti muita saudade;
Tentei fazer algumas dietas, mas logo desisti. Vou começar uma de verdade na segunda que vem;
Prestei vestibular estudando menos do que devia ainda que fosse retardada e disléxica;
Voltei a meu lugar favorito do mundo: A Disney. Mas dessa vez foi uma viagem em família;
Estudei na reta final porque eu nunca aprendo que devia fazer isso desde o início;
Me formei, chorei, revi minha vida e já tenho minhas metas para o ano que chegou que não serão necessariamente realizadas este ano;
Não acho que vá ser diferente, nunca é. É um ciclo eterno. O ano novo é a continuidade do ano anterior.
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