Eu costumava reclamar muito dela. Queria sempre substitui-la. Volta e meia a desgraçada me fazia chorar... Maldita!
Ela era amarga, mas era cheia de certezas um tanto quanto incertas. Eu gostava disso. Era uma certeza enorme que agregava uma dúvida pequenininha. É, eu gostava. Mas estava fora de meu controle, e isso que não posso suportar.
Já agia por conta própria, estava me dominando, não saia do meu pé. Eu pedia uma trégua e a danada não dava de jeito nenhum. Eu tentava me distrair e lá estava ela junto comigo. Eu tentava respirar, somente respirar e ela me vinha com aquelas lágrimas que caiam sem que eu ao menos piscasse os olhos.
Ah, era demais pra mim! Não aguentava mais. A matei. Que alívio!
Mas agora tudo está diferente, muito diferente, aliás. Estava tão acostumada com ela, já tinha até se tornado parte de mim, sabe? É, acho que matei uma partezinha de mim. Que horror! Quase um meio-suicídio! E agora, o que eu faço sem ela? No que eu penso? Minha cabeça está livre, mas meu coração também... Ah, que saudade daquela saudade!
Ops, acho que ela está voltando. Bem que me avisaram que vaso ruim não quebra!
A culpada
segunda-feira, 25 de julho de 2011
sexta-feira, 22 de julho de 2011
Estava declarada a guerra entre consciência x subconsciente.
A consciência teimava em empurrar as tristezas recentes para o subconsciente, enquanto o subconsciente já estava lotado, e ia empurrando algumas tristezas antigas pra consciência, pra ver se conseguia um espacinho pra todas aquelas memórias respirarem.
Vitória do subconsciente, óbvio, porque a consciência não é lá essas coisas.
A consciência teimava em empurrar as tristezas recentes para o subconsciente, enquanto o subconsciente já estava lotado, e ia empurrando algumas tristezas antigas pra consciência, pra ver se conseguia um espacinho pra todas aquelas memórias respirarem.
Vitória do subconsciente, óbvio, porque a consciência não é lá essas coisas.
terça-feira, 12 de julho de 2011
Palavras que deixamos de dizer, coisas que esquecemos de fazer, pessoas que ficamos muito tempo sem ver. "Tudo muda o tempo todo", é o que dizem, mas é engraçado como esse pensamento é sempre igual...
Não quero mudanças, quero estabilidade, algo constante, quero segurança.
Construir uma casa na areia parece bom e um tanto quanto sofisticado, e é. Porém, mesmo que pareça firme, é impossível que fique ali para sempre: a tempestade hora ou outra a vai derrubar.
Quero uma casa numa rocha. Uma rocha bem distante. Uma rocha grande e firme. Que tenha base, que me sustente. Uma casa eterna, que nenhuma tempestade ou ventania a derrube. Uma casa que suporte as noites de tormenta, que amanheça linda após uma longa tempestade, como se não tivesse acontecido nada.
Eu quero um alicerce. Um alicerce forte que não vai cair. Fé.
Não quero mudanças, quero estabilidade, algo constante, quero segurança.
Construir uma casa na areia parece bom e um tanto quanto sofisticado, e é. Porém, mesmo que pareça firme, é impossível que fique ali para sempre: a tempestade hora ou outra a vai derrubar.
Quero uma casa numa rocha. Uma rocha bem distante. Uma rocha grande e firme. Que tenha base, que me sustente. Uma casa eterna, que nenhuma tempestade ou ventania a derrube. Uma casa que suporte as noites de tormenta, que amanheça linda após uma longa tempestade, como se não tivesse acontecido nada.
Eu quero um alicerce. Um alicerce forte que não vai cair. Fé.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
O Cravo brigou com a Rosa
Debaixo de uma sacada
O Cravo saiu ferido
E a Rosa despedaçada
O Cravo ficou doente
A Rosa foi visitar
O Cravo teve um desmaio
E a Rosa pos-se a chorar.
Essa é a cantiga que todos conhecem. Aliás, um pouco trágica para crianças, não?
Pois bem, vou contar a verdadeira história por trás desta famosa cantiga:
O senhor Cravo e a senhora Rosa tinham um relacionamento de muito tempo. Não tinham nada em comum, mas, ainda assim, achavam que isso um dia ainda iria dar certo. O tempo passou e o relacionamento ia de mal a pior. A Rosa não aguentava mais o Cravo, e começou a ter um caso com o Lírio que encontrara no jardim vizinho. Certo dia o Cravo se revoltou com sua vida monótona e resolveu por um ponto final no relacionamento com a senhora Rosa, mesmo sem saber da traição.
Chamou a Rosa para um conversa e anunciou o término do namoro. A Rosa ficou um pouco chateada, mas aceitou bem pois tinha Lírio para a consolar. Mas sabendo que tudo estava acabado, ela resolveu contar ao Cravo sobre seu caso com o vizinho. O Cravo enlouqueceu, começou a aumentar o tom de voz com Rosa que ficou nervosa e agrediu Cravo, deixando-o ferido. A única coisa que ele podia fazer era se defender, e o fez, deixando a Rosa apenas despedaçada.
O Cravo adoeceu não só por conta das feridas que Rosa havia feito, mas também por tristeza. Encontrou abrigo somente em Maragarida, que era uma ex namorada do tempo de escola. Os dias se passaram e Rosa sentiu-se culpada pelo que fez com o Cravo e resolveu visita-lo para se desculpar. Chegando ao quarto no qual ele estava, deparou-se com Margarida e cravo se beijando. Aquela cena enlouqueceu Rosa, o ciúme tomou conta daquela pequena criatura. Saiu de lá sem que eles vissem. Ao anoitecer, quando Margarida saiu do quarto, Rosa retornou e dopou o Cravo, para que sua morte fosse indolor. Enfiou uma faca no peito dele e fugiu da cidade aos prantos. Só então chegou a conclusão que só fez isso pq o amava.
Típica loucura de mulher.
Debaixo de uma sacada
O Cravo saiu ferido
E a Rosa despedaçada
O Cravo ficou doente
A Rosa foi visitar
O Cravo teve um desmaio
E a Rosa pos-se a chorar.
Essa é a cantiga que todos conhecem. Aliás, um pouco trágica para crianças, não?
Pois bem, vou contar a verdadeira história por trás desta famosa cantiga:
O senhor Cravo e a senhora Rosa tinham um relacionamento de muito tempo. Não tinham nada em comum, mas, ainda assim, achavam que isso um dia ainda iria dar certo. O tempo passou e o relacionamento ia de mal a pior. A Rosa não aguentava mais o Cravo, e começou a ter um caso com o Lírio que encontrara no jardim vizinho. Certo dia o Cravo se revoltou com sua vida monótona e resolveu por um ponto final no relacionamento com a senhora Rosa, mesmo sem saber da traição.
Chamou a Rosa para um conversa e anunciou o término do namoro. A Rosa ficou um pouco chateada, mas aceitou bem pois tinha Lírio para a consolar. Mas sabendo que tudo estava acabado, ela resolveu contar ao Cravo sobre seu caso com o vizinho. O Cravo enlouqueceu, começou a aumentar o tom de voz com Rosa que ficou nervosa e agrediu Cravo, deixando-o ferido. A única coisa que ele podia fazer era se defender, e o fez, deixando a Rosa apenas despedaçada.
O Cravo adoeceu não só por conta das feridas que Rosa havia feito, mas também por tristeza. Encontrou abrigo somente em Maragarida, que era uma ex namorada do tempo de escola. Os dias se passaram e Rosa sentiu-se culpada pelo que fez com o Cravo e resolveu visita-lo para se desculpar. Chegando ao quarto no qual ele estava, deparou-se com Margarida e cravo se beijando. Aquela cena enlouqueceu Rosa, o ciúme tomou conta daquela pequena criatura. Saiu de lá sem que eles vissem. Ao anoitecer, quando Margarida saiu do quarto, Rosa retornou e dopou o Cravo, para que sua morte fosse indolor. Enfiou uma faca no peito dele e fugiu da cidade aos prantos. Só então chegou a conclusão que só fez isso pq o amava.
Típica loucura de mulher.
quarta-feira, 6 de julho de 2011
minha música
Resolvi escrever uma música.
Uma música sem rima, sem som. Uma música que não precisa de tom.
Não fica boa no grave e nem no agudo. É melhor até ouvir no modo "mudo".
Uma música sem letra, sem sentido. Música que não se escuta com o ouvido.
Ela não fala de amor, não é triste e nem bonita. É uma música que qualquer um se identifica.
Não tem melodia certa, cada um toca como achar melhor. Um bom conselho é deixar cada verso por si só.
Uma música simples. Simples até demais. Poucas estrofes, com indefinidos finais.
Linha reta. Singular. Não tem nada a declarar.
Não tem mensagem alguma a dizer. É só um produto a vender.
Uma música sem rima, sem som. Uma música que não precisa de tom.
Não fica boa no grave e nem no agudo. É melhor até ouvir no modo "mudo".
Uma música sem letra, sem sentido. Música que não se escuta com o ouvido.
Ela não fala de amor, não é triste e nem bonita. É uma música que qualquer um se identifica.
Não tem melodia certa, cada um toca como achar melhor. Um bom conselho é deixar cada verso por si só.
Uma música simples. Simples até demais. Poucas estrofes, com indefinidos finais.
Linha reta. Singular. Não tem nada a declarar.
Não tem mensagem alguma a dizer. É só um produto a vender.
terça-feira, 21 de junho de 2011
- Bom, é você quem sabe. A decisão está em suas mãos.
- Mas você não vai dizer nada?
- Não. Você que quis ter essa conversa.
- É... Acho que fiz o certo, já que você não me ama mais.
- Quer que eu diga que ainda amo?
- Não, só se você quiser dizer.
- Então não.
- Não me ama ou não vai dizer que me ama?
- Não vou dizer que te amo.
- Isso quer dizer que não ama?
- É uma das alternativas.
- Por que você não para com esse joguinho e coloca as cartas na mesa? Só assim podemos tomar uma decisão.
- Já disse que é você quem deve tomar a decisão. Eu não.
- Eu te amo. Preciso só saber se você me ama também.
- E isso não basta?
- O que?
- Me amar.
- Não, não basta.
- Então quer dizer que não me ama o suficiente por nós dois?
- Quis dizer que queria não precisar amar por nós dois, mas já que perguntou, amo por nós dois, sim.
- Bom saber.
- Tá vendo? Eu estou sendo sincero o tempo todo e você está ai toda enigmática. Poxa, custa ajudar?
- Ajudar com o que?
- Ajudar com a decisão, oras!
- Perdão, mas se você me fez sair mais cedo do trabalho para termos esta conversa, já devia ter uma opinião formada.
- Mas eu tenho!
- E então?
- Só esperava que você fizesse algo para muda-la...
- Desculpa te decepcionar de novo, querido.
- E ainda vem com essa maldita ironia... É, acho que não sou mais obrigado a suportar isso.
- Pois bem, acabou?
- A conversa? Sim.
- Não, o noivado.
- Ah, os trê anos e quatro meses que passamos juntos? Sim, foram para o espaço.
- Tudo bem. Boa sorte na sua vida, então!
- Na sua também, de verdade. Aliás, posso te dar um abraço?
- Claro, ainda seremos amigos!
- Assim espero!
Abraço dado. Destinos separados. Costas viradas. Novos caminhos a serem traçados.
- Ah, espere!
- O que?
- Você nunca foi obrigado a suportar minha ironia. Suportava por amor. Se ela se tornou insuportavel é porque não havia mais amor suficiente. Agora vá com Deus. Ainda vais achar outros amores, meu amor! E não esquece que eu te amo. Adeus.
- Mas você não vai dizer nada?
- Não. Você que quis ter essa conversa.
- É... Acho que fiz o certo, já que você não me ama mais.
- Quer que eu diga que ainda amo?
- Não, só se você quiser dizer.
- Então não.
- Não me ama ou não vai dizer que me ama?
- Não vou dizer que te amo.
- Isso quer dizer que não ama?
- É uma das alternativas.
- Por que você não para com esse joguinho e coloca as cartas na mesa? Só assim podemos tomar uma decisão.
- Já disse que é você quem deve tomar a decisão. Eu não.
- Eu te amo. Preciso só saber se você me ama também.
- E isso não basta?
- O que?
- Me amar.
- Não, não basta.
- Então quer dizer que não me ama o suficiente por nós dois?
- Quis dizer que queria não precisar amar por nós dois, mas já que perguntou, amo por nós dois, sim.
- Bom saber.
- Tá vendo? Eu estou sendo sincero o tempo todo e você está ai toda enigmática. Poxa, custa ajudar?
- Ajudar com o que?
- Ajudar com a decisão, oras!
- Perdão, mas se você me fez sair mais cedo do trabalho para termos esta conversa, já devia ter uma opinião formada.
- Mas eu tenho!
- E então?
- Só esperava que você fizesse algo para muda-la...
- Desculpa te decepcionar de novo, querido.
- E ainda vem com essa maldita ironia... É, acho que não sou mais obrigado a suportar isso.
- Pois bem, acabou?
- A conversa? Sim.
- Não, o noivado.
- Ah, os trê anos e quatro meses que passamos juntos? Sim, foram para o espaço.
- Tudo bem. Boa sorte na sua vida, então!
- Na sua também, de verdade. Aliás, posso te dar um abraço?
- Claro, ainda seremos amigos!
- Assim espero!
Abraço dado. Destinos separados. Costas viradas. Novos caminhos a serem traçados.
- Ah, espere!
- O que?
- Você nunca foi obrigado a suportar minha ironia. Suportava por amor. Se ela se tornou insuportavel é porque não havia mais amor suficiente. Agora vá com Deus. Ainda vais achar outros amores, meu amor! E não esquece que eu te amo. Adeus.
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Sentou-se no chão e começou a chorar sem aparente motivo. A família ficou preocupada, visto que não fazia isso desde a infância. Quando questionavam o motivo, dizia apenas não saber e continuava com o chororô. Nariz escorrendo, rosto avermelhado, olhos inchados e falta de fôlego. Pediu para ficar sozinha.
Quando parou para pensar no real motivo de sua tristeza, viu que na verdade não havia tristeza alguma, só solidão. Não que isto não seja triste, mas pra ela era indiferente. Tanto fazia viver sozinha ou acompanhada. Tantas pessoas passaram por sua vida e saíram que agora não importava mais. Aliás, essa era a única coisa indefinida que havia em sua vida: as pessoas. A aparência era sempre a mesma, o humor era sempre bem definido, os sentimentos eram sempre muito sentidos, mas até mudar de humor, de pensamento ou de sentimento, ficava um vazio enorme em seu interior. Por mais forte que fosse, não conseguia mudar em tão pouco tempo e para não ter meio termo, preferia não sentir, não fazer, não ser.
Mas se isso nunca a tinha incomodado, porque estaria agora? Descobriu o motivo. Riu-se, pegou o telefone e ligou para aquele que é capaz de preencher cada espaço vazio em seu coração sem o mínimo esforço.
E mais uma coisa fez-se extrema em sua vida: A dependência.
Quando parou para pensar no real motivo de sua tristeza, viu que na verdade não havia tristeza alguma, só solidão. Não que isto não seja triste, mas pra ela era indiferente. Tanto fazia viver sozinha ou acompanhada. Tantas pessoas passaram por sua vida e saíram que agora não importava mais. Aliás, essa era a única coisa indefinida que havia em sua vida: as pessoas. A aparência era sempre a mesma, o humor era sempre bem definido, os sentimentos eram sempre muito sentidos, mas até mudar de humor, de pensamento ou de sentimento, ficava um vazio enorme em seu interior. Por mais forte que fosse, não conseguia mudar em tão pouco tempo e para não ter meio termo, preferia não sentir, não fazer, não ser.
Mas se isso nunca a tinha incomodado, porque estaria agora? Descobriu o motivo. Riu-se, pegou o telefone e ligou para aquele que é capaz de preencher cada espaço vazio em seu coração sem o mínimo esforço.
E mais uma coisa fez-se extrema em sua vida: A dependência.
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