A culpada

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Nenhuma literatura está livre de ficção. E nem de verdade.

sábado, 17 de dezembro de 2016

Toda noite na janela

Tem uma estrela
Que para sempre em frente 
à minha janela
É quase certo;
Se no céu não tem nuvem,
lá estará ela.

Lembro de na infância
Pensar que estaria a lua
a me olhar
Respondera minha mãe
Que estava o mundo a girar
E a lua a acompanhar 

E agora, olhando minha estrela e a lua
Não duvido que a da minha janela
Seja a mesma que a tua.

(Talvez por isso sinto-a com a alma tão nua)

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Foi só eu tirar o cigarro do maço para você aparecer. Só pode ser de próposito - pensei. 
E começou a falar da revigorante viagem ao meio do mato que fizera há algumas semanas, de como resolveu o problema do ar do carro (depois de quase três meses) e ficou uns 15 minutos me envolvendo naquelas risadas e naquele jeito estranho de segurar o copo.
E eu até agora com o cigarro na mão. 
Sempre gostei disso de trocar vícios por vícios melhores.

Vou até guardar. 

sábado, 17 de setembro de 2016

Faltavam aproximadamente 15 minutos.
Enquanto observava o verde que nos cercava e fechava os olhos pra sentir o vento no rosto, constatava perplexo o quanto aquelas quase três horas tinham passado lentamente, e, ao mesmo tempo, à jato. E só me restavam 15 minutos.
Fiz uma das minhas tradicionais preces por orientação, sabedoria e calma, mas as mãos ainda suavam. 
Lembro que o céu estava azul, e as nuvens bem desenhadas, tal qual numa pintura - e mais uma vez constatei que as pinturas é que são similares ao céu, não o contrário - e eu desejei que a estrada não tivesse fim.
A música com poucos acordes que tocava no rádio parecia completar toda a saudade melancólia daquele momento que ainda nem acabara. 
Como eram lindos seus cabelos castanhos à luz do sol, e seu sono tranquilo apesar do movimento do carro. Como eu queria tê-la sempre com aquela paz e serenidade, e como eu queria que soubesse.

Chegamos.

Enquanto me perdia em devaneios, chegamos. Aquelas lindas bolotas pretas e brilhantes se abriram, e quase morri ao ser fitado por elas.
E com um sorriso que abrangia também as tais bolotas, ela se despediu.
Dei-lhe um beijo na bochecha e deixei-a ir, sem falar ao menos uma das tantas palavras que desejei ter dito. 

Por que é que a estrada tinha de acabar? 

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Ela disse que não importava. Me olhou fixo e repetiu: não me importa. Virou-se, bateu a porta e foi sabe-se lá pra onde.
Eu fiquei. 
Fiquei e chorei, como de costume. Sentei-me em frente à Tv e fiquei aos prantos por alguns minutos, até que senti pena do reflexo que vira e decidi parar.
Parei.
Parei de chorar e de fazer todo o resto. Tentei evacuar todo aquele turbilhão de pensamentos de minha mente. As boas lembranças e as falsas promessas faziam parecer que aquela angustia rondaria minha cabeça e me apertaria o estômago para sempre.
E ela disse que não lhe importa.... É, ela disse que não lhe importa.

Queria não me importar também, mas eu simples e inevitavelmente o faço. 
Eu poderia dizer que não me importa, isso eu consigo. O que não consigo mais é fechar a porta e deixar-lhe sozinha com seus pensamentos em busca de uma conclusão, porque foi desse jeito que ela parou de se importar.
E agora eu só posso lamentar e esperar ela voltar. 

Será que volta?
Não sei se volta se nada lhe importa. A vontade que tenho é de abandonar-lhe e nem recebê-la na volta, mas o problema é que tudo sobre ela me importa! 
E aos prantos, constatei que ela realmente não mais se importa, e quase também não suporta. 
 
Até quando ficarei neste sofá, triste, encarando a porta? 

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

O meu dia só é dia quando nele tem você
E quando sei que irei tê-lo
Penso apenas em lhe ver

Não me importam as pessoas
As notícias
A TV
Penso apenas no aconchego
Ao deitar-me com você

Perco o chão
O controle
A cabeça 
E o por quê
E fico a me perguntar
"Será que você não vê?"

Eu gosto do que vejo
Quando eu vejo você
E recebendo teu olhar 
Acho que fiz por merecer 

E do meu amor
Faço questão de falar-te
Pra você não esquecer

Agora vem
Abre os braços
Para então me aquecer
E o resto fica por minha conta
É só esperar pra ver. 

terça-feira, 19 de julho de 2016

Predestinação

Eu amo tanto
Que nem sei
Se já amei
Como um dia
Pensei 

Sei que amo
tanto
Que nunca pensei
Que caberia tanto
amor
Onde já tanto
amei

E é tanto amor
Que vivo a repetir
É chato,
eu sei,
mas quero a certeza
De que lhe falei 

E quando perceber
Que esse amor 
Não tem mesmo
fim
Não vem dizer
Que eu não avisei.