A culpada

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Nenhuma literatura está livre de ficção. E nem de verdade.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Ela disse que não importava. Me olhou fixo e repetiu: não me importa. Virou-se, bateu a porta e foi sabe-se lá pra onde.
Eu fiquei. 
Fiquei e chorei, como de costume. Sentei-me em frente à Tv e fiquei aos prantos por alguns minutos, até que senti pena do reflexo que vira e decidi parar.
Parei.
Parei de chorar e de fazer todo o resto. Tentei evacuar todo aquele turbilhão de pensamentos de minha mente. As boas lembranças e as falsas promessas faziam parecer que aquela angustia rondaria minha cabeça e me apertaria o estômago para sempre.
E ela disse que não lhe importa.... É, ela disse que não lhe importa.

Queria não me importar também, mas eu simples e inevitavelmente o faço. 
Eu poderia dizer que não me importa, isso eu consigo. O que não consigo mais é fechar a porta e deixar-lhe sozinha com seus pensamentos em busca de uma conclusão, porque foi desse jeito que ela parou de se importar.
E agora eu só posso lamentar e esperar ela voltar. 

Será que volta?
Não sei se volta se nada lhe importa. A vontade que tenho é de abandonar-lhe e nem recebê-la na volta, mas o problema é que tudo sobre ela me importa! 
E aos prantos, constatei que ela realmente não mais se importa, e quase também não suporta. 
 
Até quando ficarei neste sofá, triste, encarando a porta? 

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

O meu dia só é dia quando nele tem você
E quando sei que irei tê-lo
Penso apenas em lhe ver

Não me importam as pessoas
As notícias
A TV
Penso apenas no aconchego
Ao deitar-me com você

Perco o chão
O controle
A cabeça 
E o por quê
E fico a me perguntar
"Será que você não vê?"

Eu gosto do que vejo
Quando eu vejo você
E recebendo teu olhar 
Acho que fiz por merecer 

E do meu amor
Faço questão de falar-te
Pra você não esquecer

Agora vem
Abre os braços
Para então me aquecer
E o resto fica por minha conta
É só esperar pra ver. 

terça-feira, 19 de julho de 2016

Predestinação

Eu amo tanto
Que nem sei
Se já amei
Como um dia
Pensei 

Sei que amo
tanto
Que nunca pensei
Que caberia tanto
amor
Onde já tanto
amei

E é tanto amor
Que vivo a repetir
É chato,
eu sei,
mas quero a certeza
De que lhe falei 

E quando perceber
Que esse amor 
Não tem mesmo
fim
Não vem dizer
Que eu não avisei.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Que coisa
Penosa
Ficar
Mendingando 
Amor

É sério,
querida,
para,
por favor 

Tem coisas
Que acontecem
E não
Se tem 
Muito
A
Fazer 

Espero que 
Não sofra 
Muito 
Quando perceber 
Que a marca 
Que deixei 
Nela,
ela deixou em vc

sábado, 2 de julho de 2016

Vício declarado

No reflexo perdeu o encanto. Como aquele ser apático já fora fonte inesgotável de luz (que se esgotou)? Como aquele olhar vazio ja fora inundado por uma infinidades de emoções que fundidas em sua negritude tinham coloração absolutamente única e hipnótica? 
Como fora tornar-se aquela mulher de sorriso largo, porem caído, da tranquilidade intranquila, e de mente mais doente que o corpo? 

E tosse de novo.

Resta a dúvida: dar mais um trago, ou não mais tragar? 

(E outra dúvida: "não mais" até quando?)

terça-feira, 28 de junho de 2016

De fato, a falta de perdão nos corrói.

É inevitável não praguejar contra o mundo ou contra mim mesmo quando as lembranças me acometem. Lembro do meu choro, tão sincero e aparentemente incessante.
Mas cessou.

Agora são as náuseas que me atormentam. Dificilmente as lembranças me fazem chorar, mas a cabeça e o peito ainda doem, e o estômago logo se revira.

Espero um dia perdoá-los.

Mas para isso tem de haver arrependimento.


Melhor mesmo marcar um médico.
Um homem nessa idade não pode deixar pra lá essas coisas do coração. 

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Às vezes queria perder a facilidade que penso ter de elucidar com palavras as profundidades sentimentais nas quais me inundo.

É que na escrita o sofrimento faz tanto mais sentido que quase me convence que vale a dor. 

E sinto-a.

E quando leio aquela dor eternizada em prosa, nem sempre sorrio satisfeita com a obra que criara: quisera eu não sentir aquilo (ou não passar a sentir).

Sofrer no verbo deixa tudo maior.

Mas às vezes diminui.

E deixa de marcar o rosto com as lágrimas pra passa a marcar com tinta o papel.



Agora, por exemplo, até sorri.