A culpada

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Nenhuma literatura está livre de ficção. E nem de verdade.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Amor de amora

Eu e meus romances comparados.

Comparava o cheiro, o toque, os mimos, os apelidos carinhosos e até a boa vontade. 
À dor causada, nada se comparava.

E sempre desdenhava de novos sorrisos, novos perfumes, novos olhos e novos desejos.

Me prendia na ideia de uma possível eterna felicidade, que foi breve porque tinha de ser.
Hoje entendo.

Ah, eu e meus romances comparados...
Mal sabia que nada poderia comparar-se ao que estava por vir.

Uma pena que a felicidade também não foi eterna ali.
E caso surja qualquer dúvida, saiba que este é outro sobre ti. 

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Um pouco de capricórnio

Em meio aos pensamentos que antecedem o sono, sempre vinham questionamentos. Auto-questionamentos.
O que fazer?
Pra onde ir? Por onde ir? Como ir?
E quando chegar? E se não chegar?
Eu devia fazer? Eu devia ao menos querer?
E se não devesse? E se quisesse? E se não quisesse?

E o problema agora é outro:
Sei justamente o que fazer.
Só não quero.

Agora não.
A possibilidade da tua presença sempre me perturba, mas ao abrir os olhos e ver a parede, a desejo vermelha, onde quer que eu durma. 

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Vim ver as estrelas na janela
De repente imaginei-as pela vista do teu quarto
E lembrei daquela conversa sobre fé e medo
e sobre o fim do mundo

Não é que eu queira tê-lo
mas seria bom. 

sábado, 16 de janeiro de 2016

Eu sei que não devia sentir saudade, por isso me obrigo a não sentir. Mas nos instantes em que ela persiste, parece que o teu cheiro invade minhas narinas e o vermelho transborda no meu ser.
Com as lágrimas emocionadas, lembro das que derramamos um pelo outro, e opto pela distância. É perigoso estarmos perto, a eternidade deixa faíscas também eternas. 

Foi eterno, só não durou muito. 

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Preciso fumar antes de dormir.

Deito, me cubro e acendo o abajur do criado-mudo que fica ao lado esquerdo da minha cama - justamente o lado no qual não durmo. Acendo a terceira e última parcela do cigarro que foi feito ao meio-dia e constato com um triste e verdadeiro sorriso: o gosto do teu cigarro não saiu da minha boca. O cheiro da tua fumaça ainda invade o meu quarto, mas se esvai pela janela... Aquela janela que você sentava pra fumar.

Acho que não fumo pelo vício, fumo mais pela lembrança.
Pelo menos antes de dormir.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Os mesmos

Virou rotina: toda noite eles brigam.
Uma extensa discussão, e cada um com suas motivações e justificativas.
Cada qual com suas armas, suas ofensas, seus medos e seus (res)sentimentos.

O que eles não sabem é que nem sempre alguém tem razão.


E continuam.