A culpada

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Nenhuma literatura está livre de ficção. E nem de verdade.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Não volta mais

Ao lembrar, ela vem
Ao piscar, ela cai
A lágrima, cada dia mais amarga,
Até parece que acaba
Mas a saudade nunca vai

As cabeças doem
As bocas salivam
As mãos logo esfriam
E as memórias instigam

Olhos nos olhos
Mão na mão
Rosto no ombro
E a sensação de solidão

Na dor somos iguais.



segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Tenho que ir pra rua

Todo dia aquela bola amarela
Enche de luz a janela
E me faz acordar com ela

Toda noite a branca claridão
Mesmo sem calor
Aquece meu coração

Por isso prefiro a noite.
O sol me acorda
Enquanto a lua me desperta.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Trauma

Tropeçando pelas escadas
Me arrastando pelo chão
Sentindo tremer a perna
E doer o coração

Tento passar pela varanda
Tua mão quase me alcança
E enquanto perco o fôlego
Você quase nem descansa 

Finalmente me puxa pela blusa
Me derruba tão grosseiro
Deixando cheio de sangue
Todo o piso do banheiro

E te vendo assim de cima
Sentindo na garganta o teu dedo
Parecia que nunca senti tanto medo

É complicado explicar o quanto foi real
Ver-te de novo assim
Me causando tanto mal
Se bem que,
dadas as corcuntâncias,
se fizesse-me bem, 
é que seria anormal.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

O retrato

Todo santo dia há um momento no qual me arrependo de ter tua foto exposta no meu quarto. É ruim demais sentir a tua ausência.
Mas a sinto inevitavelmente, e torno a olhar o retrato com o coração trabalhando arduamente para recompor-se.

Ao menos vejo teu sorriso todo dia.

Saudade.

terça-feira, 28 de julho de 2015

A cigana

Ofereci os meus melhores beijos
Meus melhores sorrisos
Meus melhores quereres
E tudo o que fosse preciso

Ofereci conforto
Carinho
Abrigo 
E um vinho

Convidei prum chalé
Com jantar bem gostoso
E pra sobremesa, café

Esperei na escada
Mesmo na chuva
Toda arrumada
Mas não recebi nada:
Nem tua presença,
nem uma chamada. 

E ainda tive que vê-lo com ela
Bem ali, de mão dada
Como se eu não fosse nada

Talvez tenha sido isso
Devo ter sido muito dada

Ou a sorte na minha mão que tava errada.

Puta cigana dissimulada!

domingo, 19 de julho de 2015

Confiar

Quando dei por mim
Estava imersa
Em sentimentos
Em pensamentos
Em planos

E não senti medo.

Até estranhei.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Se tem gente
que prende passarinho
bichinho voador
livre
conhecedor da imensidão,
por que seria diferente 
com o amor?