A culpada

Minha foto
Nenhuma literatura está livre de ficção. E nem de verdade.

domingo, 25 de maio de 2014

A ida

Você foi
Aqui fiquei
Diria que doeu
Mas na verdade só chorei.

Você foi
Não me levou
Disse não sentir saudade
E isso nem me magoou.

Você foi
Não olhou pra trás
Deixou a mala aqui
Que já tá com poeira demais.

Você foi
Dizia já não ter paciência
Mas nem se despediu
Que falta de decência!

Você foi
Que bom que não quis ficar
Porque do jeito que sou hoje
Não tenho saco pra te amar.

sábado, 24 de maio de 2014

O terceiro conceito de "aventureira".

Senti saudades dos lugares que frequentávamos, da casa dos teus amigos e dos lugares que planejamos conhecer juntos (e que hoje já nem os quero conhecer). 
Senti saudade dos passeios sem rumo, do andar descompromissado e dos chinelos nos pés em qualquer ocasião.
Senti saudade do nascer do sol depois de longas noites, da tua cara de sono e da sua direção nada segura almejando chegar logo em casa.
Senti saudade do nosso banho amistoso e com um "que" de malícia, e de você penteando meus cabelos molhados logo após hidratar meticulosamente a minha pele.
Senti saudade da inconstância, da briga que acontecia e se resolvia antes de dormir e do jeito como você se rendia.
Senti saudade da aventura.

Mas me vi sorrindo despreocupada e passou.
Aventura é ser feliz assim, simplesmente, despretenciosamente, despreocupadamente.
Realmente.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Precaução

Me dói a tua fraqueza
E também o teu desespero
Mas será que é incerteza
Ou é medo do espelho?

Dizes que andas bem
E andas sorrindo por aí
Mas, meu amor,
Esqueceu-se que não sabes mentir?

Persistes em encarnar o teu papel
Falas muito
Diz pouco
É pouco juiz e todo réu.

Não se culpa pelo rumo que tomou a sua vida
Segue como se tudo fosse normal
Mas por trás da coberta ferida
Sabes que há um mal.

Adora-o e conserva-o
Como se a própria vida fosse
Então será que tua bondade,
Tão escondida, mudou-se?

Não se sabe de nada
Nem de forma nem de conteúdo
Contudo, ainda que na miséria pessoal,
Mantêm-se com tudo.

Ora, meu filho, não sabes a boa nova?
É hora de tudo largar
Aconchegue-se em meu caminho,
Mas tira o sapato antes de entrar.

domingo, 18 de maio de 2014

Hoje eu já não me incomodo com o incômodo causado pela minha felicidade.
Hoje eu não mais me envaideço com a inveja que causa o meu amor.
Já não sorrio com a queda dos invejosos incomodados.

Hoje eu apenas sinto-me triste por suas lamentáveis vidas.
Sinto-me, de certa forma, impotente, por simplesmente querer ajudá-los e ao mesmo tempo recusar qualquer tipo de aproximação. Mas não é medo.

Hoje, vejo-me alcançando cada vez mais a plena sinceridade pela qual sempre prezei e almejei.
E as orações noturnas de proteção, que tem sido cada vez menos para mim mesma, são prova disso.

Que Deus os proteja do mal que me desejam.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Confissão de uma antiga novidade

Foi com dois tapinhas sacanas no ombro e um sorriso malicioso, que recebi a confirmação.
Veio-me um grande amigo e disse-me: "Tá apaixonada, né?"

Eu apenas ri enquanto me perguntava "mas meu Deus, será que dá pra perceber?"

É, acho que sim... 
Sorrio entre os beijos, ensaio massagens em lugares públicos, faço carinho com as pontas dos dedos e cafuné acompanhado de cheiros no pescoço.
Falo bobagens o tempo todo por nervosismo, e outras vezes perco a fala. Às vezes solto umas palavras doces enquanto olho pra baixo com vergonha por proferí-las tão sincera e integralmente. E quando ouço palavras desse tipo... Ah, sorrio escancaradamente, e involuntariamente retucro com longos abraços apertados e beijos por toda parte, sem a mínima vergonha expor tanto a ternura que me toma.
E nos dias em que sei que verei meu amado, entrego-lhe automaticamente todos os momentos deste dia: já acordo pensando no encontro, me arrumo unicamente para ele e passo o dia na ânsia para que chegue logo a hora. E quando chega... Quando chega eu volto ao ínicio, não sei como agir de tanta felicidade.

Depois da risada e dos longos pensamentos, respondi-lhe "Pois é, não tem jeito, eu sou romântica".

E românticos sempre perdem quando lutam contra o amor.
Tudo bem, eu me rendo.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

 Hoje eu cheguei, joguei a bolsa na cama, encarei-a e lamentei.
 Ah, como eu queria você aqui, deitado, me contando sobre seu dia e me interrompendo enquanto falo do meu. 
Queria ouvir-te até me irritar e fazê-lo parar de falar deitando contra o teu peito enquanto acaricio sua barba e vejo por baixo esses longo cílios que sempre atraem meus olhares.
Faria questão de que você escolhesse o filme dessa vez, como pedido de desculpas, mas também faria questão de que me assegurasse que este lhe faria rir. E eu admiraria e estranharia sua risada tão simultaneamente gostosa e esquisita. 
Depois, eu entrelaçaria a minha perna na tua, beijaria o teu pescoço, afagaria o teu cabelo liso e me renderia quando puxasse o meu com aquele teu jeito.
Ah, se você estivesse aqui, agora, deitado...

Só não lamento mais porque me delicio.

Que bom que você voltou, eu já tava achando sem graça esse negócio de amar.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Nada em vão.
Pé no chão.
Consciência na mão.
Amor em primeiro lugar
Porque não precisa obedecer nada, não.