Por vezes me peguei almejando escrever algo genial.
Não pensei no formato, só na grandiosidade da coisa.
Prosa, poesia, fábula, conto, crônica, versos livres... Tanto faz.
Tinha de ser genial, apenas.
Gostaria de alcançar uma unanimidade positiva. Queria produzir algo que todos os que tivesse acesso, sem exceção, concordassem, se sentissem tocados, achassem impecável.
Logo frustrei-me.
Que poeta no mundo conseguiu este feito?
A literatura nunca será unanimemente perfeita.
Nunca será nem um centímetro exata.
Nunca tocará todos os corações do mundo.
Porque todo coração é diferente.
Principalmente o do poeta.
Este ser detentor de tantos amores, mas que, acima de tudo, ama a eternidade, e sabe que talvez não a encontre no amor.
Tal eternidade que certamente se encontra na morte.
E na literatura.
A culpada
domingo, 20 de abril de 2014
sexta-feira, 18 de abril de 2014
O desencanto do poeta
Dia desses li um lindo poema.
Lindíssimo mesmo. Falava de amor.
Quer dizer, sobre o pós-amor.
Sobre aquele sofrimento que fica, entende?
Tudo bem, não evidenciava em momento algum que era de amor.
Mas falava de mágoa.
E devia ser mágoa de amor.
Devia?
Ah, essa mania de poeta de querer ver beleza em tudo...
Foi numa dessas que me apaixonei por você.
Mas aí veio o primeiro questionamento...
Aí sabe como é, né?
Vi que não.
Lindíssimo mesmo. Falava de amor.
Quer dizer, sobre o pós-amor.
Sobre aquele sofrimento que fica, entende?
Tudo bem, não evidenciava em momento algum que era de amor.
Mas falava de mágoa.
E devia ser mágoa de amor.
Devia?
Ah, essa mania de poeta de querer ver beleza em tudo...
Foi numa dessas que me apaixonei por você.
Mas aí veio o primeiro questionamento...
Aí sabe como é, né?
Vi que não.
quinta-feira, 17 de abril de 2014
Duvida acerca do futuro do presente de um pretérito imperfeito
Desisti.
Dei-me por vencido.
A guerra se acabou e eu perdi.
Foste coroado Rei, e cá estou, ao seu dispor.
Lutei contra, fiz pirraça e até mesmo fiz amor com desamores, só para que este amor não prevalecesse.
Corri, peguei atalhos, fugi. Me escondi entre diversas máscaras e facetas para que a tua mão não alcançasse a minha.
Falhei.
Larguei pra lá as máscaras, as artimanhas, as malandragens e as armadilhas e segurei a tua mão.
Deixei tudo de lado e permiti que me tirasse pra dançar.
Abaixei a defesa.
Mão na nuca.
Boca no pescoço.
Já era.
Bandeira branca!
Eu quero paz!
Em pensar que eu almejava alcançá-la lutando contra nós... Mal sabia eu que a minha paz se encontrava, hoje, em ti.
De novo.
De novo e sempre.
E agora?
Dei-me por vencido.
A guerra se acabou e eu perdi.
Foste coroado Rei, e cá estou, ao seu dispor.
Lutei contra, fiz pirraça e até mesmo fiz amor com desamores, só para que este amor não prevalecesse.
Corri, peguei atalhos, fugi. Me escondi entre diversas máscaras e facetas para que a tua mão não alcançasse a minha.
Falhei.
Larguei pra lá as máscaras, as artimanhas, as malandragens e as armadilhas e segurei a tua mão.
Deixei tudo de lado e permiti que me tirasse pra dançar.
Abaixei a defesa.
Mão na nuca.
Boca no pescoço.
Já era.
Bandeira branca!
Eu quero paz!
Em pensar que eu almejava alcançá-la lutando contra nós... Mal sabia eu que a minha paz se encontrava, hoje, em ti.
De novo.
De novo e sempre.
E agora?
segunda-feira, 14 de abril de 2014
Eu e a felicidade
Flagra!
Me peguei abandonando a solidão e dançando de calcinha em frente ao espelho, enquanto fazia uma escova de microfone, como antigamente.
Algum tempo depois, me peguei cantando músicas de karaokê enquanto cozinhava. Sim, eu cozinhei! Gostaria de dizer que resolvi inventar algum prato que ficou surpreendentemente maravilhoso, mas, infelizmente, alegria não faz milagre, então fiz a minha clássica especialidade: Omelete! E olha, arrisco dizer que essa estava mais gostosa que o normal (e isso é difícil, modéstia à parte).
Mais tarde, percebi que meus cães já estavam de saco cheio de tanto que eu os abraçava, beijava e dialogava com uma voz infantil e boba com os mesmo. Mas isso é normal.
Desde que me flagrei nesse estado tão maravilhosamente inusitado, não consegui parar de sorrir.
Por um instante, achei estranho.
Ora bolas, qual o motivo de tal felicidade? Como resgatei-a tão repentinamente? Como a reconquistei no estado de inércia que me encontrava?
Descoberta!
Não o fiz.
Não resgatei ou reconquistei felicidade alguma.
Não foi preciso resgatar, ela veio.
E não reconquistei, apenas conquistei, pois essa alegria era evidente e maravilhosamente nova e bela!
Estranho mesmo era ter certeza de uma tristeza incerta e sem motivo.
Uma alegria jovial, que se tivesse forma seria a de uma uma menina correndo com o vestido e os cabelos ao vento, ou quem sabe, um menino satisfatoriamente sujo e cansado após uma partida de futebol com os amiguinhos.
Uma alegria que nasceu, fruto de uma revigorante descoberta numa jovem moça, numa nova mulher.
Uma alegria que não há de envelhecer comigo, mas sim amadurecer, mas sem perder o prazer pela brincadeira e pelo grande jogo que é a vida.
Me peguei abandonando a solidão e dançando de calcinha em frente ao espelho, enquanto fazia uma escova de microfone, como antigamente.
Algum tempo depois, me peguei cantando músicas de karaokê enquanto cozinhava. Sim, eu cozinhei! Gostaria de dizer que resolvi inventar algum prato que ficou surpreendentemente maravilhoso, mas, infelizmente, alegria não faz milagre, então fiz a minha clássica especialidade: Omelete! E olha, arrisco dizer que essa estava mais gostosa que o normal (e isso é difícil, modéstia à parte).
Mais tarde, percebi que meus cães já estavam de saco cheio de tanto que eu os abraçava, beijava e dialogava com uma voz infantil e boba com os mesmo. Mas isso é normal.
Desde que me flagrei nesse estado tão maravilhosamente inusitado, não consegui parar de sorrir.
Por um instante, achei estranho.
Ora bolas, qual o motivo de tal felicidade? Como resgatei-a tão repentinamente? Como a reconquistei no estado de inércia que me encontrava?
Descoberta!
Não o fiz.
Não resgatei ou reconquistei felicidade alguma.
Não foi preciso resgatar, ela veio.
E não reconquistei, apenas conquistei, pois essa alegria era evidente e maravilhosamente nova e bela!
Estranho mesmo era ter certeza de uma tristeza incerta e sem motivo.
Uma alegria jovial, que se tivesse forma seria a de uma uma menina correndo com o vestido e os cabelos ao vento, ou quem sabe, um menino satisfatoriamente sujo e cansado após uma partida de futebol com os amiguinhos.
Uma alegria que nasceu, fruto de uma revigorante descoberta numa jovem moça, numa nova mulher.
Uma alegria que não há de envelhecer comigo, mas sim amadurecer, mas sem perder o prazer pela brincadeira e pelo grande jogo que é a vida.
domingo, 13 de abril de 2014
Não há coisa pior para um escritor do que tentar escrever, dispor-se a isto e não achar palavras que tenham o mínimo de emoção e veracidade para tal.
Aliás, há, sim, coisa pior: conseguir escrever somente o que não quer, sobre o que não quer; Escrever apenas e exatamente tudo o que se sente.
Em tese, é excelente conseguir se expressar através das palavras, pois vai além do lado artístico, mas é muito ruim organizar sua confusão e ser incapaz de resolvê-la.
É muito ruim ver-se refém de sentimentos indesejados.
Muito ruim perder-se na vida, e, encontrar-se, por fim, triste.
Muito ruim perder-se em meio a tristeza e, no final das contas, nem encontrá-la mais.
Muito ruim perceber-se apática. Sem lágrimas. Sem risos. Sem nada.
Muito ruim sorrir só pra ter expressão, e essa, ainda assim, ser vazia.
Muito ruim distribuir sorrisos vazios pelo simples fato de não ter alguém para chorar.
Aliás, há, sim, coisa pior: conseguir escrever somente o que não quer, sobre o que não quer; Escrever apenas e exatamente tudo o que se sente.
Em tese, é excelente conseguir se expressar através das palavras, pois vai além do lado artístico, mas é muito ruim organizar sua confusão e ser incapaz de resolvê-la.
É muito ruim ver-se refém de sentimentos indesejados.
Muito ruim perder-se na vida, e, encontrar-se, por fim, triste.
Muito ruim perder-se em meio a tristeza e, no final das contas, nem encontrá-la mais.
Muito ruim perceber-se apática. Sem lágrimas. Sem risos. Sem nada.
Muito ruim sorrir só pra ter expressão, e essa, ainda assim, ser vazia.
Muito ruim distribuir sorrisos vazios pelo simples fato de não ter alguém para chorar.
domingo, 30 de março de 2014
A segunda mentira
Quando falam de ti, digo que te amei muito.
Grande mentira.
O tempo verbal é outro.
Desde aquele dia dezessete, é tudo sobre você:
Os bons pesadelos e os sonhos ruins.
A angustia quieta e o choro seco.
A dor que faz sorrir e o amor que parte o coração a cada batida.
O coração que bate cada vez menos e apanha cada vez mais.
Triste vida fadada ao sofrimento.
Tenho plena certeza de que este será eterno, só nos resta aceitar.
Assim é a vida.
Mas ora, não fique triste!
Tal sofrimento é a garantia de um amor também eterno!
Eterno porque talvez nunca dê certo...
Maldita eternidade!
Gostaria mesmo é deixar de apenas sentir, mas viver esse grande amor por sei lá, alguns anos, e depois colocar um ponto final.
Já que você gosta tanto.
Grande mentira.
O tempo verbal é outro.
Desde aquele dia dezessete, é tudo sobre você:
Os bons pesadelos e os sonhos ruins.
A angustia quieta e o choro seco.
A dor que faz sorrir e o amor que parte o coração a cada batida.
O coração que bate cada vez menos e apanha cada vez mais.
Triste vida fadada ao sofrimento.
Tenho plena certeza de que este será eterno, só nos resta aceitar.
Assim é a vida.
Mas ora, não fique triste!
Tal sofrimento é a garantia de um amor também eterno!
Eterno porque talvez nunca dê certo...
Maldita eternidade!
Gostaria mesmo é deixar de apenas sentir, mas viver esse grande amor por sei lá, alguns anos, e depois colocar um ponto final.
Já que você gosta tanto.
sexta-feira, 28 de março de 2014
Pequeno delito
Quando eu lembro do estalo em meu rosto e da minha falta de ar, eu lembro do teu rosto.
E ao lembrar do teu rosto, lembro das tuas expressões de ira e ódio.
E eu lembro das minhas dúvidas.
"Por que isso, se foi uma brincadeira?" "Por que isso do nada?"
Aí eu lembro que até hoje não recebi respostas.
Deve ser porque não tem...
Mas o pedido de desculpas eu já recebi.
E já desculpei.
Mas que eu continuo lamento, ah, isso eu continuo.
Ah, meu amor, quisera eu que teu único crime tivesse sido me sequestrar!
talvez ainda dê tempo.
E ao lembrar do teu rosto, lembro das tuas expressões de ira e ódio.
E eu lembro das minhas dúvidas.
"Por que isso, se foi uma brincadeira?" "Por que isso do nada?"
Aí eu lembro que até hoje não recebi respostas.
Deve ser porque não tem...
Mas o pedido de desculpas eu já recebi.
E já desculpei.
Mas que eu continuo lamento, ah, isso eu continuo.
Ah, meu amor, quisera eu que teu único crime tivesse sido me sequestrar!
talvez ainda dê tempo.
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