Flagra!
Me peguei abandonando a solidão e dançando de calcinha em frente ao espelho, enquanto fazia uma escova de microfone, como antigamente.
Algum tempo depois, me peguei cantando músicas de karaokê enquanto cozinhava. Sim, eu cozinhei! Gostaria de dizer que resolvi inventar algum prato que ficou surpreendentemente maravilhoso, mas, infelizmente, alegria não faz milagre, então fiz a minha clássica especialidade: Omelete! E olha, arrisco dizer que essa estava mais gostosa que o normal (e isso é difícil, modéstia à parte).
Mais tarde, percebi que meus cães já estavam de saco cheio de tanto que eu os abraçava, beijava e dialogava com uma voz infantil e boba com os mesmo. Mas isso é normal.
Desde que me flagrei nesse estado tão maravilhosamente inusitado, não consegui parar de sorrir.
Por um instante, achei estranho.
Ora bolas, qual o motivo de tal felicidade? Como resgatei-a tão repentinamente? Como a reconquistei no estado de inércia que me encontrava?
Descoberta!
Não o fiz.
Não resgatei ou reconquistei felicidade alguma.
Não foi preciso resgatar, ela veio.
E não reconquistei, apenas conquistei, pois essa alegria era evidente e maravilhosamente nova e bela!
Estranho mesmo era ter certeza de uma tristeza incerta e sem motivo.
Uma alegria jovial, que se tivesse forma seria a de uma uma menina correndo com o vestido e os cabelos ao vento, ou quem sabe, um menino satisfatoriamente sujo e cansado após uma partida de futebol com os amiguinhos.
Uma alegria que nasceu, fruto de uma revigorante descoberta numa jovem moça, numa nova mulher.
Uma alegria que não há de envelhecer comigo, mas sim amadurecer, mas sem perder o prazer pela brincadeira e pelo grande jogo que é a vida.
A culpada
segunda-feira, 14 de abril de 2014
domingo, 13 de abril de 2014
Não há coisa pior para um escritor do que tentar escrever, dispor-se a isto e não achar palavras que tenham o mínimo de emoção e veracidade para tal.
Aliás, há, sim, coisa pior: conseguir escrever somente o que não quer, sobre o que não quer; Escrever apenas e exatamente tudo o que se sente.
Em tese, é excelente conseguir se expressar através das palavras, pois vai além do lado artístico, mas é muito ruim organizar sua confusão e ser incapaz de resolvê-la.
É muito ruim ver-se refém de sentimentos indesejados.
Muito ruim perder-se na vida, e, encontrar-se, por fim, triste.
Muito ruim perder-se em meio a tristeza e, no final das contas, nem encontrá-la mais.
Muito ruim perceber-se apática. Sem lágrimas. Sem risos. Sem nada.
Muito ruim sorrir só pra ter expressão, e essa, ainda assim, ser vazia.
Muito ruim distribuir sorrisos vazios pelo simples fato de não ter alguém para chorar.
Aliás, há, sim, coisa pior: conseguir escrever somente o que não quer, sobre o que não quer; Escrever apenas e exatamente tudo o que se sente.
Em tese, é excelente conseguir se expressar através das palavras, pois vai além do lado artístico, mas é muito ruim organizar sua confusão e ser incapaz de resolvê-la.
É muito ruim ver-se refém de sentimentos indesejados.
Muito ruim perder-se na vida, e, encontrar-se, por fim, triste.
Muito ruim perder-se em meio a tristeza e, no final das contas, nem encontrá-la mais.
Muito ruim perceber-se apática. Sem lágrimas. Sem risos. Sem nada.
Muito ruim sorrir só pra ter expressão, e essa, ainda assim, ser vazia.
Muito ruim distribuir sorrisos vazios pelo simples fato de não ter alguém para chorar.
domingo, 30 de março de 2014
A segunda mentira
Quando falam de ti, digo que te amei muito.
Grande mentira.
O tempo verbal é outro.
Desde aquele dia dezessete, é tudo sobre você:
Os bons pesadelos e os sonhos ruins.
A angustia quieta e o choro seco.
A dor que faz sorrir e o amor que parte o coração a cada batida.
O coração que bate cada vez menos e apanha cada vez mais.
Triste vida fadada ao sofrimento.
Tenho plena certeza de que este será eterno, só nos resta aceitar.
Assim é a vida.
Mas ora, não fique triste!
Tal sofrimento é a garantia de um amor também eterno!
Eterno porque talvez nunca dê certo...
Maldita eternidade!
Gostaria mesmo é deixar de apenas sentir, mas viver esse grande amor por sei lá, alguns anos, e depois colocar um ponto final.
Já que você gosta tanto.
Grande mentira.
O tempo verbal é outro.
Desde aquele dia dezessete, é tudo sobre você:
Os bons pesadelos e os sonhos ruins.
A angustia quieta e o choro seco.
A dor que faz sorrir e o amor que parte o coração a cada batida.
O coração que bate cada vez menos e apanha cada vez mais.
Triste vida fadada ao sofrimento.
Tenho plena certeza de que este será eterno, só nos resta aceitar.
Assim é a vida.
Mas ora, não fique triste!
Tal sofrimento é a garantia de um amor também eterno!
Eterno porque talvez nunca dê certo...
Maldita eternidade!
Gostaria mesmo é deixar de apenas sentir, mas viver esse grande amor por sei lá, alguns anos, e depois colocar um ponto final.
Já que você gosta tanto.
sexta-feira, 28 de março de 2014
Pequeno delito
Quando eu lembro do estalo em meu rosto e da minha falta de ar, eu lembro do teu rosto.
E ao lembrar do teu rosto, lembro das tuas expressões de ira e ódio.
E eu lembro das minhas dúvidas.
"Por que isso, se foi uma brincadeira?" "Por que isso do nada?"
Aí eu lembro que até hoje não recebi respostas.
Deve ser porque não tem...
Mas o pedido de desculpas eu já recebi.
E já desculpei.
Mas que eu continuo lamento, ah, isso eu continuo.
Ah, meu amor, quisera eu que teu único crime tivesse sido me sequestrar!
talvez ainda dê tempo.
E ao lembrar do teu rosto, lembro das tuas expressões de ira e ódio.
E eu lembro das minhas dúvidas.
"Por que isso, se foi uma brincadeira?" "Por que isso do nada?"
Aí eu lembro que até hoje não recebi respostas.
Deve ser porque não tem...
Mas o pedido de desculpas eu já recebi.
E já desculpei.
Mas que eu continuo lamento, ah, isso eu continuo.
Ah, meu amor, quisera eu que teu único crime tivesse sido me sequestrar!
talvez ainda dê tempo.
segunda-feira, 24 de março de 2014
A primeira mentira
Pra falar a verdade, naquele dia dezenove eu jurei que não passaria por nenhuma situação mais estranha: Ver-te e ter de te cumprimentar cordialmente com os clássicos dois beijinhos no rosto e um torturante meio-abraço.
Sentir teu cheiro amadeirado misturado com o habitual odor de álcool e não cheirar o teu cangote com os olhos ternos e fechados foi quase que inevitável. Sorte que soube ser equilibrada.
Pelo menos aquela hora.
Ao longo da noite, nossos olhares se cruzaram centenas de vezes. Milhares, eu diria.
Milhares, eu queria. Queria, mas não era o que eu dizia.
E a cada tentativa solene de aproximação, agia bruscamente, forçando assim um afastamento um tanto quando indesejável. Pelas duas partes, apesar das aparências.
E a cada afastamento forçado, apertava ainda mais a vontade de um abraço apertado. Novamente, por ambas as partes.
- Sai daqui, acabou.
- Você não entende que eu não consigo te ver e ficar longe? Eu te amo e só quero estar com você.
- Mas eu não. Sai, por favor. Chega!
E chegou.
Saiu.
E até hoje não consigo me lembrar de quando foi o ultimo melhor beijo recebi. E até hoje me arrependo por não ter te beijado naquele dia dezenove.
E agora, às quatro e meia da manhã, sofro em silêncio e solitariamente, sem uma lágrima sequer, porque nunca mais ouvirei palavra alguma de amor da tua boca.
Sorrio de canto ao pensar que certamente estou numa pequena parte do teu quase que inexistente e frágil coração, que só eu sei que existe.
Apesar do sorriso automático que vem junto com tal certeza e o os olhos brilhantes que vem junto com toda lembrança dos nosso sorrisos infinitos que duravam até as melhores brigas do mundo e que terminavam com bom sexo (digno de aplausos, aliás), a tristeza volta. Sempre volta.
E ao pegar-me imersa em dúvidas, arrependimentos e bastante relutante, eu, covardemente, escrevo. Poderia dizer-te tudo isso, mas será que deveria?
Não.
Certamente não.
Quem deve é você.
Deve um pedido de desculpas. Um só. E não pra mim.
E sabe, talvez eu não seja tão covarde assim por não falar diretamente a ti.
Um dia lerá. Sei que sim.
E espero receber um telefonema neste dia. Ou uma mensagem, caso se acovarde um pouco.
Sei lá, só queria ouvir algo diferente do que da ultima vez, aquela na qual você apontava o dedo indicador contra o meu rosto.
Porque eu não esqueci.
Mas já não dói.
Pelo menos não tanto quanto essa maldita saudade.
Sentir teu cheiro amadeirado misturado com o habitual odor de álcool e não cheirar o teu cangote com os olhos ternos e fechados foi quase que inevitável. Sorte que soube ser equilibrada.
Pelo menos aquela hora.
Ao longo da noite, nossos olhares se cruzaram centenas de vezes. Milhares, eu diria.
Milhares, eu queria. Queria, mas não era o que eu dizia.
E a cada tentativa solene de aproximação, agia bruscamente, forçando assim um afastamento um tanto quando indesejável. Pelas duas partes, apesar das aparências.
E a cada afastamento forçado, apertava ainda mais a vontade de um abraço apertado. Novamente, por ambas as partes.
- Sai daqui, acabou.
- Você não entende que eu não consigo te ver e ficar longe? Eu te amo e só quero estar com você.
- Mas eu não. Sai, por favor. Chega!
E chegou.
Saiu.
E até hoje não consigo me lembrar de quando foi o ultimo melhor beijo recebi. E até hoje me arrependo por não ter te beijado naquele dia dezenove.
E agora, às quatro e meia da manhã, sofro em silêncio e solitariamente, sem uma lágrima sequer, porque nunca mais ouvirei palavra alguma de amor da tua boca.
Sorrio de canto ao pensar que certamente estou numa pequena parte do teu quase que inexistente e frágil coração, que só eu sei que existe.
Apesar do sorriso automático que vem junto com tal certeza e o os olhos brilhantes que vem junto com toda lembrança dos nosso sorrisos infinitos que duravam até as melhores brigas do mundo e que terminavam com bom sexo (digno de aplausos, aliás), a tristeza volta. Sempre volta.
E ao pegar-me imersa em dúvidas, arrependimentos e bastante relutante, eu, covardemente, escrevo. Poderia dizer-te tudo isso, mas será que deveria?
Não.
Certamente não.
Quem deve é você.
Deve um pedido de desculpas. Um só. E não pra mim.
E sabe, talvez eu não seja tão covarde assim por não falar diretamente a ti.
Um dia lerá. Sei que sim.
E espero receber um telefonema neste dia. Ou uma mensagem, caso se acovarde um pouco.
Sei lá, só queria ouvir algo diferente do que da ultima vez, aquela na qual você apontava o dedo indicador contra o meu rosto.
Porque eu não esqueci.
Mas já não dói.
Pelo menos não tanto quanto essa maldita saudade.
segunda-feira, 10 de março de 2014
Soneto do sonho de sonhar
Eu tenho vontades
Eu tenho ideias
Eu tenho ideais
Eu tenho verdades
Eu tenho opiniões
E sei que elas podem mudar
Eu tenho certezas
E sei que podem não concordar
Eu tenho meta
Eu tenho ambição
E planos espalhados por uma imensidão
Eu tenho uma casa que também é meu lar
Eu tenho até um amor e condições de amar
Só me falta mesmo o tão sonhado sonho pra sonhar
Eu tenho ideias
Eu tenho ideais
Eu tenho verdades
Eu tenho opiniões
E sei que elas podem mudar
Eu tenho certezas
E sei que podem não concordar
Eu tenho meta
Eu tenho ambição
E planos espalhados por uma imensidão
Eu tenho uma casa que também é meu lar
Eu tenho até um amor e condições de amar
Só me falta mesmo o tão sonhado sonho pra sonhar
sexta-feira, 7 de março de 2014
Pela segunda noite consecutiva, sonhei com você.
Nomeei tais sonhos como "sonhos assombrados", pois não poderia chamá-los de assombrosos. Eram normais. Era como se a vida fosse boa e normal, como já foi, só que com um detalhe a mais: medo.
Nos meus sonhos, eu tinha medo.
Muito medo.
Medo de você. Medo de te ver. Medo que me visse.
E quando estávamos juntos e esses medos precipitados passavam, eu tinha medo simplesmente de estar ali.
Medo e desconfiança. Nem em sonhos eu confio mais em você, e olha que eu tentei... E como tentei!
Desconfiava que tudo fosse uma farsa, desconfiava das tuas mais sinceras verdades e chorava pelas tuas tão evidentes e habituais mentiras.
Bem, isso difere na vida real.
Já não choro há tempos. Não sei por falta de tristeza ou por falta de coragem para assumi-la.
Você me tocava e eu recuava, e só depois do teu olhar dizendo que estava tudo bem, eu lhe dava a mão, por mais que não mais acreditasse nos teus olhos ou nas tuas falas. Não ousaria te contrariar mais uma vez.
Isso, nem em sonho.
A única parte pior que as demais, foi o despertar.
Acordei atordoada, me mexendo muito, com a respiração ofegante e apalpando todo o resto daquela cama de casal naquele quarto quente, para saber se não estavas ali.
Não estava.
E eu não sei se as lágrimas que correram por meu rosto após tanto tempo foi um alívio porque tu não estavas lá ou um lamento por tal constatação.
Só sei que doeu.
Nomeei tais sonhos como "sonhos assombrados", pois não poderia chamá-los de assombrosos. Eram normais. Era como se a vida fosse boa e normal, como já foi, só que com um detalhe a mais: medo.
Nos meus sonhos, eu tinha medo.
Muito medo.
Medo de você. Medo de te ver. Medo que me visse.
E quando estávamos juntos e esses medos precipitados passavam, eu tinha medo simplesmente de estar ali.
Medo e desconfiança. Nem em sonhos eu confio mais em você, e olha que eu tentei... E como tentei!
Desconfiava que tudo fosse uma farsa, desconfiava das tuas mais sinceras verdades e chorava pelas tuas tão evidentes e habituais mentiras.
Bem, isso difere na vida real.
Já não choro há tempos. Não sei por falta de tristeza ou por falta de coragem para assumi-la.
Você me tocava e eu recuava, e só depois do teu olhar dizendo que estava tudo bem, eu lhe dava a mão, por mais que não mais acreditasse nos teus olhos ou nas tuas falas. Não ousaria te contrariar mais uma vez.
Isso, nem em sonho.
A única parte pior que as demais, foi o despertar.
Acordei atordoada, me mexendo muito, com a respiração ofegante e apalpando todo o resto daquela cama de casal naquele quarto quente, para saber se não estavas ali.
Não estava.
E eu não sei se as lágrimas que correram por meu rosto após tanto tempo foi um alívio porque tu não estavas lá ou um lamento por tal constatação.
Só sei que doeu.
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