A culpada

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Nenhuma literatura está livre de ficção. E nem de verdade.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Súplica

Ao pensar em ti, torna-se cada vez mais inevitável não sentir falta do teu toque, da tua mão na minha nuca e do meu pescoço na tua boca.
E ao ouvir tua voz, sinto o mesmo arrepio de quando falas baixinho, só pra mim, sussurrando com um timbre diferente do habitual.
Aí eu lembro dos meus detalhes favoritos: o teu cabelo liso e leve, que tem sempre cheiro neutro, a tua nuca perfumada e tuas mãos firmes e seguras.
Seguras por já saberem o caminho certo, por já saberem bem por onde vão. E vão com paixão, sempre como se fosse a primeira vez e, ao mesmo tempo, como se fosse a última.

Como não lembrar das tuas costas arranhadas, dos teus lábios mordidos e dos teus cabelos que eu costumava puxar alternando com os travesseiros e cobertas?
Como não lembrar dos dentes que cravavam em meu pescoço, da mão que marcava minha coxa e do hálito fresco que se tornava meu?

Como?
Quem dera saber...

Como o esquecer o teu sorriso pela manhã ao me acordar para tomar café, da tua preguiça de se vestir e da tua vontade de ficar?
Vontade, aliás, que me domina. 

Eu quero ficar.
Não vai, o mundo é ruim demais!
Me abraça, dança comigo, mas por favor, não vai de novo!
E se for, me leva!
Mas só me tira desse quarto se for pra me levar pro teu.

E que ele se faça nosso.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

A minha amiga Camila

Estou escrevendo por puro cansaço. Cansaço da vida, dos problemas e, principalmente, cansaço da Camila. É, estou farto dela.
Por quantas noites mais terei de abraçá-la, enxugar suas lágrimas, consolá-la, aconselhá-la e depois vê-la partir pela manhã rumo aos mesmo erros?
Quantas horas mais gastarei ao telefone ao longo do dia ouvindo seus murmúrios, suas queixas e seus problemas sempre tão iguais?
Até quando terei de lidar com seu descompromissado e despercebido egoísmo? Até quando?!

Sabe o que é mais engraçado nisso tudo? Quando falo assim, o egoísta passa a ser eu. 
E também é por isso que escrevo. Como poderia dizer isso à Camila quando ela me vem com aqueles amendoados olhos castanhos cheios d'água e a pele alva avermelhada de tanto tentar sessar o choro?
Como poderia dizer qualquer dessas palavras quando ela me liga com a voz trêmula e pergunta se eu tô podendo falar? E como eu poderia dizer que não?

Será que Camila não percebe o que ela faz? Será que ela realmente não sabe que sua dor acaba tornando-se minha?
Que ódio! Que ódio!
Se ela não sabe, que ódio da sua ingenuidade em não saber o quanto a amo e o quanto dependo de sua felicidade para ser feliz.
E se ela sabe... Que ódio dessa teimosia em insistir nesses erros cada dia mais óbvios e escancarados. 

Como uma pessoa pode ser tão boa como Camila?
Quero dizer, se ela realmente souber o que faz, como diz que sabe, ela é, certamente uma das melhores pessoas que hei de conhecer.
Mas se não sabe e fala apenas para esquivar-se da culpa e do julgamento, como pode ser tão boba? Evito o termo, mas acaba se tornando inevitável neste caso: Como pode ser tão burra?

Outra coisa que eu não entendo é como consigo sentir tanto ódio da pessoa que eu mais amo. E não entendo também como posso amar tanto alguém assim.
Sabe, Camila é ótima!
Camila é fã de teatro e cinema, conhece diretores, atores e essas bandas bacanas de cidades com nomes difíceis de pronunciar, ama animais e fica extremamente retardada e adorável quando vê filhotes. Ama crianças e já tem nomes planejados para os três filhos que pretende ter, é inexplicavelmente esperta, astuta e inteligente, argumenta como ninguém, tem uma relação maravilhosa com a família e com o resto do mundo. Raramente ouvi falar de alguém que tivesse algo contra Camila o tentasse fazer mal a ela. 

Mas o que me irrita é que ela é sentimentalmente imbecil. A palavra é essa. O seu histórico amoroso é pavoroso.
A cada namorado que apresenta à família, sua mãe já começa a temer o pior. E não é pra menos.

Enquanto isso, cá estou: Sofrendo pelo sofrimento de minha amada.
Amada, aliás, ciente de que é amada por mim.
Amada que não ama, só pensa amar.

Mas um dia ela saberá que a proporção de sofrimento não term haver com amor.
Um dia ela vai decidir ser feliz. Tenho plena certeza disso. Ela merece decidir isso.

E aí, quando Camila resolver olhar pro lado, será plenamente feliz.
Juro pela minha felicidade, por mais redundante que isso possa ser, se é que me entende.

Agora vou-me. O telefone tá tocando.

Coleção.

De ti, guardo apenas algumas fotografias, tua caneca favorita, o cheiro nas cobertas, a saudade desenfreada e o ciúme costumeiro.
Que péssimo costume o meu. Péssimo de fato, pois cada vez que vejo-te com outro rapaz, meus olhos enchem d'água. E cada vez que penso que esses tais rapazes recebem os teus beijos meus, as lágrimas tomam outra conotação.
Como tudo mudou tão rápido? Como tudo ainda muda tão rápido em sua vida? Por que tens de ser tão volúvel?
Às vezes penso que o errado sou eu, compreende? Penso que não tenho capacidade de acompanhar mudanças bruscas e que não sou adepto a elas, quando o natural seria ser como você. Mas de tanto ouvir dos meus amigos que você é maluca, tomei isso como verdade e tento absolver-me da culpa.
Renata, és completamente louca! Como podes ser assim, meu bem? Aliás, como podes ser assim e manter a face inocente e os olhos pretos brilhantes que transparecem tanta doçura e verdade?
E como podes ser tão verdadeira? Isso é o que eu menos entendo e o que mais me revolta! Como consegues tantos amores e amantes contando a eles todas as verdades que lhe pedem e até as que não lhe pedem?
Ah, Renata, eu queria era não saber das tuas verdades. Já chorei por algumas diversas vezes e sei que hei de chorar por outras. E pelas mesmas.

Meu bem, admiro o seu dom de mudar o tempo todo. Uma hora sente e na outra já está insensível e intocável. Numa hora chora e segundos depois ri tanto que chega a chorar novamente. E em momento algum, em seu rosto moreno e macio,  se pode ver arrependimento pela mudança.
É... Você não muda nunca!

Ah, Renata, por que você não muda? Por quê?!

Por vezes pensei sentir um ódio infindo de ti. Ledo engano.
Era ódio, sim. Certamente. Ódio dos grandes! Mas era ódio de mim, por não conseguir ver-te por um segundo sequer com os olhos que gostaria. Vejo-te com os habituais olhos apaixonados que sorriem de tristeza pedindo por conforto.
E dói. Dói muito.

Mas por que falo-te isso? Já sabes há muito tempo... Sabes, aliás, que não sou o único.
Sabe, Renata, você não muda porque nunca precisou mudar. Por que precisarias? Podes ter o amor que quiseres, sempre que quiseres, pois aprendeu a cativar e cultivar as pessoas, e ao mesmo tempo que maltrata os corações que a ti pertencem, sabes como acalmá-los com tuas palavras que obviamente mudarão em pouco tempo, mas que por agora soam e são tão sinceras.

E se não convencer?
Aí é só passar aquele batom vermelho, soltar os negros cabelos pesados e sorrir.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Menina Marina Mulher

Pena mesmo eu sinto da Marina.
Já tentei sentir raiva, mágoa, aversão, mas Marina só consegue despertar o pior em mim: Pena.

Por que teria raiva de uma pessoa como Marina?
Pelas tentativas desenfreadas de mostrar-se superior? Pelas mentiras tão bem elaboradas que já fazem parte de sua "vida real"? Pelo dom natural de prejudicar quem se aproxima?
Eu sinto é pena!

Mágoa? Mágoa de quê? Mágoa por quê? Pelo tempo jogado fora? Pelas lágrimas a menos? Por um coração partido no passado?
Ah, Marina, eu sinto é pena!

Aversão eu já pensei sentir.
Às vezes surge a dúvida, confesso. Mas não... A aversão seria exatamente à quê? Ao jeito mesquinho que Marina leva a vida? Á insignificância que ela dá à vida e ao sentimento alheio? Às múltiplas faces imundas nas quais ela se esconde atrás?
Não, não é aversão. É pena!

Ah, Marina, que pena de você!
Até mesmo esse copo suado de conhaque com gelo derretido me interessa mais.
Como és desinteressante! Como és crua, no pior sentido possível!
Se até os teus olhos cansaram de brilhar, como esperavas que não me cansarias de tu?
Pobre Marina.

A verdade, Marina, é que às vezes penso sentir sua falta, apesar dos pesares.
Lembro-me da menina Marina que me foi apresentada.
Tão esperta, tão viva, tão sorridente, tão forte, tão simples, tão complexa!

O que vejo hoje é uma Marina mulher.
Uma mulher diferentemente esperta. Que tem suas máscaras e sabe como usá-las.
Uma mulher que joga o cabelo, levanta o olhar e sabe qual vestido cai bem.
É, isso funciona...

Mas não comigo.

Marina, nem a tua face mais doce me encantada.
Não encanta justamente por lembrar-me da verdadeira: Tão sem-sal.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Carta ao meu amor

Oh, moça bonita dos olhos que sorriem enquanto choram, por que faz isso comigo? Tu bem sabes que meu coração já não aguenta mais ver-te sofrer por conta desta dúvida.
Maldita! Dúvida maldita!
Se eu, mero mortal, pudesse amaldiçoar toda e qualquer coisa que te faz chorar, pode ter certeza que teus lindos olhos de jabuticaba apenas sorririam por conta do riso que sairia da alma e chegaria à boca. 
Essa boca desenhada, carnuda e aveludada. Esses lábios inferiores um pouco mais grossos que os superiores, os quais gosto tanto de mordiscar. Esses dentes quase que brancos demais que gosto de ver ao abrir os olhos, olhar pra baixo e ver o teu sorriso discreto ao final de cada beijo.
Ah, os teus beijos...
Como ousa pensar que eu os trocaria por outros quaisquer? Sinto-me, de certa forma, ofendido por pensares isso por um segundo que seja! O que mais quereria eu, senão a tua boca quente, a tua língua inquieta e teu hálito de melancia?
Já beijei outras bocas, já tive outras mulheres e já tive outros amores. A vida é longa e posso sim, um dia, deixar de amar-te e desejar outros corpos. Mas você consegue acreditar em mim quando lhe digo que realmente acho difícil que aconteça?
Você consegue entender o que quero dizer quando digo que te amo plenamente? 
Certamente não.
Uma pena.
Sabe, já derramei algumas muitas lágrimas por causar-te dúvidas. Não sabes o quanto dói ver-te duvidando da maior certeza que já tive em minha vida! Não sabes o quanto é aterrorizante pensar na hipótese de que um dia a dúvida aumente e não consigas mais confiar em mim. Não sabes o quanto sofro ao imaginar-me sozinho.
Sei que "sozinho" soa forte. Como já disse, já tive outras mulheres, e posso ter outras, e outras... Mas, por agora, se eu me vir com outra mulher que não você, sentir-me-ei sozinho, sim. Incompleto, vazio. Só.

Oh, meu amor, por favor, não chores! Toma esse lenço, enxuga essas lágrimas. Lava o rosto, toma uma água.
Não precisa se preocupar com nada e nem ninguém. Juro!

Está vendo? Conseguiu me fazer chorar... De novo.
Ah, meu bem, na verdade nem sei por quê choro. Não sei se é por vê-la assim, se é por medo de perdê-la, ou se é de raiva de mim mesmo por não conseguir mostrar a ti todo o meu vasto sentimento. Querida, se soubesses por um segundo o quanto eu amo você, não sofreria um minuto sequer, não derramarias mais nenhuma lágrima, e viveria plenamente feliz, com a certeza de que jamais estaria sozinha, em momento algum.
E se você sentisse por mim metade do que sinto por ti, consideraria-me o homem mais amado do mundo. 
E ainda que eu te amasse assim pra sempre e jamais retribuísses, estaríamos bem.

Porque eu tenho amor pra e por nós dois.



segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Sobre o amor nos dias de hoje. E nas noites.

No amor, a única coisa pior que o desencanto, é não poder desencantar-se.
Não dar-se ao luxo e muito menos o direito de se ver livre de um sentimento ou não aceitar que ele acaba ou se esvai.
Triste.
Tenho plena fé no "felizes para sempre". As pessoas riem, mas é verdade. Todos cremos. Só que alguns confundem felicidade com amor, e acabam supervalorizando a coisa toda.
Se ninguém consegue nem definir, nem descrever, nem sentir nada igual ao outro, por que há essa supervalorização de algo abstrato?
Ao mesmo tempo que tenho essa dúvida, escuto por aí justamente o contrário...
 Dia desses, numa conversa de bar, quando falávamos de uma colega que apareceu com o terceiro namorado do ano e super apaixonada pelo rapaz, quase que a mesa toda começou a criticar as declarações públicas sempre tão parecidas com as pros namorados anteriores, as juras de amor, as promessas de um futuro eterno... Até que um colega usou o termo "sucateando" para definir o que ela "faz" com o amor.

Como assim "sucateando" o amor? Que diabos é "sucatear" algo?
Sentir, expor, mudar de ideia e sentir de novo por outra pessoa é tornar o amor menor?
Estranho... Sempre lidei com isso como uma expansão de coração.
Afinal, mudar de ideia é normal e todos estamos sujeitos a isso.

Para mim, sucatear algo é tornar menos valioso, talvez menos belo, envelhecer..
E é isso que se acaba fazendo quando não se deixa desencantar. Será que é tão complicado entender?
Claro que há quem nunca vai desencantar, esse é o tal felizes para sempre de que falei. Mas prender-se num encanto passado ou passageiro, é tornar o amor menos valioso e muito menos real.
Desencanta!
Mas antes, olha bem e vê se há encanto.
Se não houver, desencana.

Eu já desencanei.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Ao debulhar-me na vastidão de sentimentos que inundam repentinamente o meu ser toda noite, pergunto-me: É mesmo o tal do amor?
O que configura o amor? Se não sei, como consigo identificar o que sinto e como o dedo vai tão certo na garganta?
Acho que sei.
Deve ser simplesmente aquela coisa de cuidar, zelar, querer o bem incondicionalmente, aceitar, perdoar e fazer o bem...

E eu lá sinto isso?! Vida desgostosa e sem vergonha a que eu levo!
Que vergonha de ser tão teórica e tão pouco prática! Que vergonha das coisas que eu fiz, das palavras que falei e dos julgamentos que lancei contra ti. Que vergonha!
Como posso eu, um ser tão estúpido quando enfurecido, querer dar-te amparo, abrigo e aninho?
Como?!

E como posso eu saber tudo isso, ser humilde e coerente o suficiente pra saber que sou sentimentalmente ignorante, e ainda querer-te tanto bem e ter tanto amor pela tua vida e pela nossa história?

Ah, Cazuza, como eu te entendo... Eis aqui uma poetisa que não aprendeu a amar.