Ao debulhar-me na vastidão de sentimentos que inundam repentinamente o meu ser toda noite, pergunto-me: É mesmo o tal do amor?
O que configura o amor? Se não sei, como consigo identificar o que sinto e como o dedo vai tão certo na garganta?
Acho que sei.
Deve ser simplesmente aquela coisa de cuidar, zelar, querer o bem incondicionalmente, aceitar, perdoar e fazer o bem...
E eu lá sinto isso?! Vida desgostosa e sem vergonha a que eu levo!
Que vergonha de ser tão teórica e tão pouco prática! Que vergonha das coisas que eu fiz, das palavras que falei e dos julgamentos que lancei contra ti. Que vergonha!
Como posso eu, um ser tão estúpido quando enfurecido, querer dar-te amparo, abrigo e aninho?
Como?!
E como posso eu saber tudo isso, ser humilde e coerente o suficiente pra saber que sou sentimentalmente ignorante, e ainda querer-te tanto bem e ter tanto amor pela tua vida e pela nossa história?
Ah, Cazuza, como eu te entendo... Eis aqui uma poetisa que não aprendeu a amar.
A culpada
domingo, 19 de janeiro de 2014
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
Monotonia querida.
Sabe, é chato chegar em casa, olhar tudo em seu devido lugar, deitar acompanhada dessa injusta solidão e dormir.
Mas por que injusta? Não fui eu quem optei por ela?
Injustiça minha comigo mesma, então.
Me sinto meio masoquista quando tento olhar de um outro ponto de vista, confesso. E talvez eu seja, porque nunca vi alguém ter tanto amor (e talento) para o dramalhão.
"Mas isso não é ruim?", provavelmente indaga você, querido leitor. E eu lhe respondo: Devia.
Deixe-me explicar: Nem tudo na vida é como devia ser ou ocorre de acordo com as consequências mais prováveis.
Confuso, mas a essência é essa!
Imagina o quão monótona e previsível seria a vida se soubéssemos o que iria acontecer pelo simples fato de já esperarmos por isso.
É, eu sei que parece que desta forma seria muito mais simples e, quem sabe, feliz.
E era.
Que delícia estar no controle, saber o que esperar, em quem confiar, com quem planejar coisas, sonhos, uma vida...
Mas, sabe, foi uma delícia abrir mão dele. Melhor ainda: Abrir mão dele pro nada. Não entregá-lo a ninguém. Viver a vida com essa pobre e mesquinha visão que é, na verdade, não ver nada e acreditar em sorte e azar.
O ruim é que a vida fica o tempo todo nos cobrando um certo controle e tem uma hora que não dá mais. Retomei-o.
Agora planejo, novamente, crescer, amadurecer... Para só então poder tê-lo em minha vida.
E da próxima vez vai ser diferente: Deixarei que você controle a situação, porque já estou de saco cheio de controlar. Invertamos o papel, pelo amor de Deus! Confio em você para nos guiar rumo à eternidade!
Mas enquanto o momento não chega, me deixa aqui, na minha, por favor.
Deixa eu curtir a saudade, a solidão, a carência, o sofrimento diário ao não acordar contigo...
É sério, não precisa se preocupar...
Tá tudo sob controle.
Mas por que injusta? Não fui eu quem optei por ela?
Injustiça minha comigo mesma, então.
Me sinto meio masoquista quando tento olhar de um outro ponto de vista, confesso. E talvez eu seja, porque nunca vi alguém ter tanto amor (e talento) para o dramalhão.
"Mas isso não é ruim?", provavelmente indaga você, querido leitor. E eu lhe respondo: Devia.
Deixe-me explicar: Nem tudo na vida é como devia ser ou ocorre de acordo com as consequências mais prováveis.
Confuso, mas a essência é essa!
Imagina o quão monótona e previsível seria a vida se soubéssemos o que iria acontecer pelo simples fato de já esperarmos por isso.
É, eu sei que parece que desta forma seria muito mais simples e, quem sabe, feliz.
E era.
Que delícia estar no controle, saber o que esperar, em quem confiar, com quem planejar coisas, sonhos, uma vida...
Mas, sabe, foi uma delícia abrir mão dele. Melhor ainda: Abrir mão dele pro nada. Não entregá-lo a ninguém. Viver a vida com essa pobre e mesquinha visão que é, na verdade, não ver nada e acreditar em sorte e azar.
O ruim é que a vida fica o tempo todo nos cobrando um certo controle e tem uma hora que não dá mais. Retomei-o.
Agora planejo, novamente, crescer, amadurecer... Para só então poder tê-lo em minha vida.
E da próxima vez vai ser diferente: Deixarei que você controle a situação, porque já estou de saco cheio de controlar. Invertamos o papel, pelo amor de Deus! Confio em você para nos guiar rumo à eternidade!
Mas enquanto o momento não chega, me deixa aqui, na minha, por favor.
Deixa eu curtir a saudade, a solidão, a carência, o sofrimento diário ao não acordar contigo...
É sério, não precisa se preocupar...
Tá tudo sob controle.
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
Descobri que era ruim quando eu não sabia.
Descobri que era ruim quando eu não sabia o que sentia.
Não sabia o que sentia ao pensar no seu rosto daquele ângulo tão assustador e surpreendente, se assim posso dizer.
Acho que não posso. Nem foi tanta surpresa assim...
Aliás, foi, sim. Sabia que era possível, mas não achava que era provável. Quer dizer, não tão provável.
Aliás, foi, sim. Sabia que era possível, mas não achava que era provável. Quer dizer, não tão provável.
Pensando agora, não consigo destingir o calafrio inevitável e a tremedeira que está dificultando a digitação desse texto. É tristeza? É mágoa? É nojo? É medo?
E se for, é medo de que?
Medo de você? Medo dos demais que passarão por minha vida? Ou medo de mim que ainda não consegui te odiar por mais de um minuto?
Ao menos descarto a raiva.
Coisa triste! Pedi tanto a Deus para contrariá-lo e sentir ira.
Seria tão mais fácil.
Seria tão mais fácil.
Mais fácil de seguir, de fazer minhas coisas, de esquecer cada vez que lembrasse...
Mas o estalo no rosto escoa em minha cabeça toda vez que eu lembro. E os teus olhos cheios d'água não saem da minha visão. E eu sinto inveja, pois eram lágrimas de ódio.
Ah, que ódio que eu sinto de você!
Ódio de já ter sido tão feliz, de ter criado tantos planos, ter tido tanta esperança.
Não sinto ódio por tudo isso ter terminado, sinto ódio por ter sentido, mesmo.
Se terminasse e eu sentisse apenas metade do que sinto, não haveria motivo pra esse desgaste emocional.
Mais que ódio, eu sinto pena.
Pena de você, por ser tão abominável.
Pena de mim, por não te abominar.
Pena de mim, por ter sofrido tanto e por sentir enjoo nesse exato momento por conta da lembrança.
Pena de você por causá-la. Que sono culpado, que vida infeliz. Tenho pena.
Acho que estou feliz. Não nesse exato momento, mas estou.
Incrivelmente feliz. Não dá pra crer, mesmo.
Mas deixa eu fingir, deixa eu rir à toa, deixa eu forçar essa felicidade, antes que se torne uma tragédia.
Deixa eu viver! Deixa eu continuar acreditando no meu conto de fadas!
Deixa eu ter minha filosofia bonita e um tanto quanto falha de que todas as pessoas mudam!
Deixa eu dormir em paz, sem te ver toda noite nos meu piores sonhos!
Deixa eu ter minha filosofia bonita e um tanto quanto falha de que todas as pessoas mudam!
Deixa eu dormir em paz, sem te ver toda noite nos meu piores sonhos!
Deixa! Deixa! Deixa!
DEIXA PRA LÁ!
DEIXA PRA LÁ!
Respira e dorme em paz, que eu já deixei.
Deixa pra lá, seja lá o que for.
Deixa pra lá, seja lá o que for.
Porque eu não sei o que é, só sei que se não for ruim, vai ser.
Que não seja nada.
sábado, 16 de novembro de 2013
Todo dia eu sorrio lembrando de alguma besteira que fizemos juntos. Todo dia eu morro de rir ao contar pra alguém sobre alguma delas. Ah, como é bom poder contá-las! Para os ouvintes, sei que não tem tanta graça, mas reviver, por pelo menos trinta segundos, qualquer momento com você, já deixa meu dia muito melhor e faz o coração parecer bom.
Todo dia quase falo teu nome umas mil vezes ao chamar alguém. Na maioria das vezes, em momentos em que seria um transtorno imensurável se o fizesse. Mas às vezes acho que o transtorno valeria a pena... Se soubesses a saudade que tenho de dizer o teu nome com a antiga frequência, sentirias pena de mim e me daria ao menos um telefonema ao mês. Assim, o coração pareceria ainda melhor.
Todo dia, sinto falta do teu cheiro natural, do teu perfume, do teu cabelo preto e do piso gelado da tua casa. Como era bom acordar, por os pés no chão, morrer de frio e voltar reclamando e recebendo teus beijos matutinos que me aqueciam tanto a alma. Aí o coração era realmente bom.
Hoje, só parece. Está maquiado e enfeitado por fora, parecendo bater bem, ritmado e acompanhado.
Só parece.
Esse coração todo dia derrama inúmeras lágrimas sentindo sua falta desde que o corpo acorda até que fique cansado e resolva dormir (sem contar quando o pranto continua). E como ele ainda funciona?
Ele se sente feliz quando confirma que tudo isso é por amor.
Porque aí vale a pena.
Todo dia quase falo teu nome umas mil vezes ao chamar alguém. Na maioria das vezes, em momentos em que seria um transtorno imensurável se o fizesse. Mas às vezes acho que o transtorno valeria a pena... Se soubesses a saudade que tenho de dizer o teu nome com a antiga frequência, sentirias pena de mim e me daria ao menos um telefonema ao mês. Assim, o coração pareceria ainda melhor.
Todo dia, sinto falta do teu cheiro natural, do teu perfume, do teu cabelo preto e do piso gelado da tua casa. Como era bom acordar, por os pés no chão, morrer de frio e voltar reclamando e recebendo teus beijos matutinos que me aqueciam tanto a alma. Aí o coração era realmente bom.
Hoje, só parece. Está maquiado e enfeitado por fora, parecendo bater bem, ritmado e acompanhado.
Só parece.
Esse coração todo dia derrama inúmeras lágrimas sentindo sua falta desde que o corpo acorda até que fique cansado e resolva dormir (sem contar quando o pranto continua). E como ele ainda funciona?
Ele se sente feliz quando confirma que tudo isso é por amor.
Porque aí vale a pena.
domingo, 20 de outubro de 2013
O que restou
Junto com a vontade de te procurar, vem o orgulho e o medo.
Junto da vontade de te ver, vem a mágoa por todas aquelas palavras que ouvi - e mais ainda pelas que deixei de ouvir.
Junto do cheiro quente daquela viagem que fizemos em dezembro, vem aquela lembrança gelada do jeito frio como você me tratou.
Junto com a lembrança de nós dois, um sorriso grande vai se fechando enquanto aquela lágrima tão solitária quanto eu escorre pela maçã do rosto e morre no peito.
Junto com as tuas coisas que ainda estão aqui, tem muita poeira. E muita tristeza também, quando teimo em olhar.
Junto de mim, não tem nada.
O que teria restado?
Junto da vontade de te ver, vem a mágoa por todas aquelas palavras que ouvi - e mais ainda pelas que deixei de ouvir.
Junto do cheiro quente daquela viagem que fizemos em dezembro, vem aquela lembrança gelada do jeito frio como você me tratou.
Junto com a lembrança de nós dois, um sorriso grande vai se fechando enquanto aquela lágrima tão solitária quanto eu escorre pela maçã do rosto e morre no peito.
Junto com as tuas coisas que ainda estão aqui, tem muita poeira. E muita tristeza também, quando teimo em olhar.
Junto de mim, não tem nada.
O que teria restado?
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
PM
Vem, que eu te faço carinho na nuca com a ponta das unhas e te massageio as costas com essas mãos tão frágeis e ao mesmo tempo tão fortes que já decoraram tuas costas.
Vem, que eu deixo você escolher o filme ou o assunto, e aí disparo a falar como de costume, quando, na verdade, só quero ouvir tua voz.
Vem e fala.
Fala.
Fala, que eu gosto de ouvir você falar.
Ou vem e cala.
Cala essa boca cheia de palavras vazias e toma dela os beijos calorosos que a ti pertencem. Rouba sons e sussurros que saem automaticamente quando tua boca conversa com meu pescoço.
Me chame como quiser. Vou ser o que você quiser. E também vou falar o que você quiser.
Isso, pede! Pede mais!
Pede mais que eu dou!
Dou-te tudo o que quiser e tudo o que eu tiver. Se tiver menos do que desejas, engrandeço-me, então, em seu amor e faço as tuas vontades.
E depois de saciar teus desejos, espero que me perdoe, mas peço-te um afago nos cabelos. Delicadamente, da nuca até as pontas, de cima para baixo.
Então suspiro, digo-te aquela frase envergonhada como sempre, e espero que retribua.
Porque eu realmente amo você.
Vem, que eu deixo você escolher o filme ou o assunto, e aí disparo a falar como de costume, quando, na verdade, só quero ouvir tua voz.
Vem e fala.
Fala.
Fala, que eu gosto de ouvir você falar.
Ou vem e cala.
Cala essa boca cheia de palavras vazias e toma dela os beijos calorosos que a ti pertencem. Rouba sons e sussurros que saem automaticamente quando tua boca conversa com meu pescoço.
Me chame como quiser. Vou ser o que você quiser. E também vou falar o que você quiser.
Isso, pede! Pede mais!
Pede mais que eu dou!
Dou-te tudo o que quiser e tudo o que eu tiver. Se tiver menos do que desejas, engrandeço-me, então, em seu amor e faço as tuas vontades.
E depois de saciar teus desejos, espero que me perdoe, mas peço-te um afago nos cabelos. Delicadamente, da nuca até as pontas, de cima para baixo.
Então suspiro, digo-te aquela frase envergonhada como sempre, e espero que retribua.
Porque eu realmente amo você.
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
AM
Às vezes dá vontade de entrar na igreja com véu, um vestido branco com a cauda bem longa e dizer "sim" pro único que terá meu coração para o resto da vida (teoricamente).
Mas às vezes dá vontade de ficar assim, com o cabelo solto e um vestido azul rodado, andando por aí despreocupada e atentando-me somente quando vem um vento. E então, seguro o vestido pra não mostrar ainda mais, deixo os cabelos embaraçando-se livremente e cerro os olhos para que nada me cegue ao ver o quão bela a vida é ao sentir aquela brisa boa, leve, despreocupada... Quase tão despreocupada quanto eu.
Os dias são bons de sorriso aberto, cabelos ao vento e de vestido e coração solto, mas é inevitável: à noite eu sonho com o vestido branco de princesa e com o buquê nas mãos.
A noite vem e traz esse sonho que de dia parece pesadelo. A liberdade é tão mais bela durante o dia... Sinto-me como um pássaro que escolhe uma árvore bem ao longe e então pousa.
À noite dá medo de voar.
Tem morcego em muitas árvores, e até achar uma livre...
Eu é que não quero ficar de galho em galho.
Mas às vezes dá vontade de ficar assim, com o cabelo solto e um vestido azul rodado, andando por aí despreocupada e atentando-me somente quando vem um vento. E então, seguro o vestido pra não mostrar ainda mais, deixo os cabelos embaraçando-se livremente e cerro os olhos para que nada me cegue ao ver o quão bela a vida é ao sentir aquela brisa boa, leve, despreocupada... Quase tão despreocupada quanto eu.
Os dias são bons de sorriso aberto, cabelos ao vento e de vestido e coração solto, mas é inevitável: à noite eu sonho com o vestido branco de princesa e com o buquê nas mãos.
A noite vem e traz esse sonho que de dia parece pesadelo. A liberdade é tão mais bela durante o dia... Sinto-me como um pássaro que escolhe uma árvore bem ao longe e então pousa.
À noite dá medo de voar.
Tem morcego em muitas árvores, e até achar uma livre...
Eu é que não quero ficar de galho em galho.
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