A culpada

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Nenhuma literatura está livre de ficção. E nem de verdade.

domingo, 30 de setembro de 2012

Uma televisão.
Um sofá.
Um cobertor
Quatro pés numa mesa de centro.


Isso bastou para o mundo deixar de existir.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Caso um dia você esbarre com uma moça que lhe diga que é extremamente ciumenta, que confessa que vigiaria todos os passos de seu amado e que seria capaz de matar - ou morrer - por alguma desconfiança, case-se com ela.
Não tenho muitas certezas nessa vida, mas uma das poucas é esta: Está pra nascer bicho pior que mulher que se diz liberal. Aliás, não está, não. Jamais existiu e jamais existirá.
Só de ouvir aquele papo de "eu sou tranquila, não me importo com esse tipo de bobagem... Confio no meu taco. O que tem ele elogiar a fulana? Ela é bem bonita mesmo!" eu já saio correndo. Não existe uma só fêmea neste mundo que diga isso e seja normal. São toda malucas, psicóticas, descontroladas.
Todas.
Sim, todas mesmo. Ou você vai me dizer que tem uma conhecida que é assim e é completamente normal? Vai querer dizer também que ela não fecha a cara só de olhar pra moça que o namorado disse que era bonita antes mesmo do início do namoro? Ou então que ela não se refere à moça com adjetivos como "biscate", "vagabunda", "piranha", ou então refere-se com o clássico "sua amiguinha"?
Amigo, não tente me convencer que depois do sexo ela nunca perguntou se você não preferia estar com a fulana ou com a ciclana que você pegou na época de colégio, e, mesmo com resposta negativa, ficou muda durante todo resto do dia. Pelo menos uma vez ela fez isso, pode confessar.
Vai dizer que ela não começou a fica monossilábica do nada e jurou não estar havendo nada e meia hora depois te ligou chorando de tanta raiva por você não ter insistido no assunto? Ou então que ela não retomou uma briga de três dias atrás porque lembrou o argumento que precisaria usar para sair por cima?

Você pode me dizer tudo isso e muito mais, mas asseguro que estará mentindo.
Só é honesta a mulher que declara a estranha possessão desde o início. De resto, todos mentem: a que diz não ter ciúme, o que diz acreditar, o que conta essas histórias e eu, que finjo que não acredito, mas basta conhecer uma do tipo que me rendo na hora.

Mulheres...



domingo, 2 de setembro de 2012

O que eu escrevo lhe soa familiar porque assim é a tristeza.
Todo mundo tem um pouco dentro de si. Sim, alguns tem um pouco mais que os outros, mas todos a tem. E, ao contrário dos demais sentimentos, a tristeza é algo totalmente impessoal. Talvez por ser unânime.
Talvez.
Todo mundo sente a tristeza do mesmo jeito. Dos mesmos jeitos, aliás. Sempre que se vê alguém triste, a descrição é a mesma, pode reparar.
Mas com o amor é diferente. Nunca vi ninguém defini-lo ou manifestá-lo da mesma maneira.
Nunca.
Criam boas comparações, mas nem o melhor dos poetas cria uma definição perfeita para o amor.

E é por isso que nem tento.
Prefiro a identificação com quem me lê.
Sou limitada, escrevo sobre a tristeza pois sei defini-la, assim como tantos outros. Ou talvez porque não ame com medo de não mais escrever, de sentir-me diferente...


... Eu gosto de escrever...


O amor eu deixo para os outros.



Pra quem lê.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Pego as palavras avulsas e sem sentido, junto-as e então o parecem fazer.
Parecem.

Talvez a ilusão seja melhor, mesmo. Nada coeso tem tanta graça assim.
Nada.

Uma a uma, vou encaixando as coisas. O publico aplaude, se identifica.
Alguém me explica?

Talvez sejam essas as pessoas quem veem sentido nesse mundo em que estamos girando, mas nunca estamos de cabeça para baixo.
Ou estamos?

O medo é esse. Saber de tudo por um dia, entender. Porque quando se entende, se avança.
Mas pra onde?

A necessidade é essa. Desentender, seguir sem rumo e ser surpreendido caso se encontre um caminho.
Amor.

domingo, 19 de agosto de 2012

Às vezes eu desejo, com toda a minha força, estar do outro lado da história só pra saber como é. Só pra amar ternamente, acreditar que durará eternamente e depois chorar descompensada e desesperadamente;
Queria derramar lágrimas tristes após uma decepção, e não lágrimas raivosas que anseiam por uma vingança que nunca vem, porque o coração é descompromissado até com isso.
Eu daria de tudo pra me importar. Às vezes até parece que o faço, mas é apenas tentativa.
Queria achar que a dor e o sofrimento não tem fim, que sempre vale a pena lutar pelas pessoas, que deixar pra lá não é uma opção...

Mas eu não me importo. Simplesmente não me importo.
As coisas não me atraem mais, parecem todas banais, iguais...
Surreais!



Assim como tudo que eu não sinto.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Prometi que, para meu próprio bem, lhe evitaria, mas fui traído por mim mesmo: Disquei teu telefone automaticamente, e, tal qual num filme, ouvi o teu "alô", suspirei e desliguei. Pensei em ligar para explicar o ocorrido, mas percebi que nem eu mesmo conseguia acreditar nas mentiras que inventava pra mim mesmo. Se eu ligasse, seria pra saber como vai a sua vida, o que vai fazer hoje, com quem você anda, se sente minha falta, se pensa em mim antes de me magoar...
Aí eu fico me perguntando "que respostas eu gostaria de ouvir?"
Se nem eu sei, é melhor manter a distância, mesmo...

- Alô? Alô? Quem é? Alô?

Ah...

Mas eu não consigo evitar. Não mesmo.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Ao entrar por essa porta, sempre me pergunto "Pra que uma cama tão grande?". Você diz que nos dá mais liberdade, mais conforto... Faz sentido, mas discordo. Eu gosto da proximidade, da intimidade, do teu cabelo enrolado no meu peito e meu braço esquerdo envolvendo teus ombros. Não gosto quando dá os costas pra mim quando pega no sono.
Eu gosto do calor!

E é por isso que não entendo porque insiste em ligar o ar-condicionado mesmo nas noites frias. Eu gosto de te ver suar, de ver a raiz do teu cabelo um pouco mais escura por conta do suor, de ter que tirar os fios que insistem em grudar em suas largas e lisas costas e do seu sorriso ao passar a mão no rosto antes de me beijar.

Mas percebo que a cama ficou maior, o quarto cada vez mais gelado e você também. Pra que essa distância? Pra quê? Vem pro meu lado, não se vire. Se fizer frio, eu te aqueço. E se fizer calor, assumo a culpa. Não tem com o que se preocupar.

O que foi? Você não sente mais falta de nós? Você já não nos quer mais? Como ousa dizer um absurdo desses? Tem coisa que não se diz nem brincando, sabia?
Como assim sabia? O que você quer dizer? Para com isso, por favor... Se você tivesse ideia de como minha cabeça pesa dia após dia por conta dessa repentina frieza, você teria piedade de mim.
Não, não quero que tenhas pena e nem quero teus favores. Só não aceito esse desamor.


Tudo bem, eu te entendo... Então pelo menos me dê uns travesseiros e um edredom.


Só assim pra sinusite ser esquecida.