A culpada

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Nenhuma literatura está livre de ficção. E nem de verdade.

domingo, 2 de setembro de 2012

O que eu escrevo lhe soa familiar porque assim é a tristeza.
Todo mundo tem um pouco dentro de si. Sim, alguns tem um pouco mais que os outros, mas todos a tem. E, ao contrário dos demais sentimentos, a tristeza é algo totalmente impessoal. Talvez por ser unânime.
Talvez.
Todo mundo sente a tristeza do mesmo jeito. Dos mesmos jeitos, aliás. Sempre que se vê alguém triste, a descrição é a mesma, pode reparar.
Mas com o amor é diferente. Nunca vi ninguém defini-lo ou manifestá-lo da mesma maneira.
Nunca.
Criam boas comparações, mas nem o melhor dos poetas cria uma definição perfeita para o amor.

E é por isso que nem tento.
Prefiro a identificação com quem me lê.
Sou limitada, escrevo sobre a tristeza pois sei defini-la, assim como tantos outros. Ou talvez porque não ame com medo de não mais escrever, de sentir-me diferente...


... Eu gosto de escrever...


O amor eu deixo para os outros.



Pra quem lê.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Pego as palavras avulsas e sem sentido, junto-as e então o parecem fazer.
Parecem.

Talvez a ilusão seja melhor, mesmo. Nada coeso tem tanta graça assim.
Nada.

Uma a uma, vou encaixando as coisas. O publico aplaude, se identifica.
Alguém me explica?

Talvez sejam essas as pessoas quem veem sentido nesse mundo em que estamos girando, mas nunca estamos de cabeça para baixo.
Ou estamos?

O medo é esse. Saber de tudo por um dia, entender. Porque quando se entende, se avança.
Mas pra onde?

A necessidade é essa. Desentender, seguir sem rumo e ser surpreendido caso se encontre um caminho.
Amor.

domingo, 19 de agosto de 2012

Às vezes eu desejo, com toda a minha força, estar do outro lado da história só pra saber como é. Só pra amar ternamente, acreditar que durará eternamente e depois chorar descompensada e desesperadamente;
Queria derramar lágrimas tristes após uma decepção, e não lágrimas raivosas que anseiam por uma vingança que nunca vem, porque o coração é descompromissado até com isso.
Eu daria de tudo pra me importar. Às vezes até parece que o faço, mas é apenas tentativa.
Queria achar que a dor e o sofrimento não tem fim, que sempre vale a pena lutar pelas pessoas, que deixar pra lá não é uma opção...

Mas eu não me importo. Simplesmente não me importo.
As coisas não me atraem mais, parecem todas banais, iguais...
Surreais!



Assim como tudo que eu não sinto.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Prometi que, para meu próprio bem, lhe evitaria, mas fui traído por mim mesmo: Disquei teu telefone automaticamente, e, tal qual num filme, ouvi o teu "alô", suspirei e desliguei. Pensei em ligar para explicar o ocorrido, mas percebi que nem eu mesmo conseguia acreditar nas mentiras que inventava pra mim mesmo. Se eu ligasse, seria pra saber como vai a sua vida, o que vai fazer hoje, com quem você anda, se sente minha falta, se pensa em mim antes de me magoar...
Aí eu fico me perguntando "que respostas eu gostaria de ouvir?"
Se nem eu sei, é melhor manter a distância, mesmo...

- Alô? Alô? Quem é? Alô?

Ah...

Mas eu não consigo evitar. Não mesmo.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Ao entrar por essa porta, sempre me pergunto "Pra que uma cama tão grande?". Você diz que nos dá mais liberdade, mais conforto... Faz sentido, mas discordo. Eu gosto da proximidade, da intimidade, do teu cabelo enrolado no meu peito e meu braço esquerdo envolvendo teus ombros. Não gosto quando dá os costas pra mim quando pega no sono.
Eu gosto do calor!

E é por isso que não entendo porque insiste em ligar o ar-condicionado mesmo nas noites frias. Eu gosto de te ver suar, de ver a raiz do teu cabelo um pouco mais escura por conta do suor, de ter que tirar os fios que insistem em grudar em suas largas e lisas costas e do seu sorriso ao passar a mão no rosto antes de me beijar.

Mas percebo que a cama ficou maior, o quarto cada vez mais gelado e você também. Pra que essa distância? Pra quê? Vem pro meu lado, não se vire. Se fizer frio, eu te aqueço. E se fizer calor, assumo a culpa. Não tem com o que se preocupar.

O que foi? Você não sente mais falta de nós? Você já não nos quer mais? Como ousa dizer um absurdo desses? Tem coisa que não se diz nem brincando, sabia?
Como assim sabia? O que você quer dizer? Para com isso, por favor... Se você tivesse ideia de como minha cabeça pesa dia após dia por conta dessa repentina frieza, você teria piedade de mim.
Não, não quero que tenhas pena e nem quero teus favores. Só não aceito esse desamor.


Tudo bem, eu te entendo... Então pelo menos me dê uns travesseiros e um edredom.


Só assim pra sinusite ser esquecida.

domingo, 5 de agosto de 2012

Às vezes a dor no peito é tão forte que chega a ser literal. Talvez eu deva procurar um cardiologista, confesso, mas adio enquanto ainda suporto - como tudo na vida.
Na verdade eu adio porque sei que isso não é coincidência. 
Por que tens que me fazer isso? Sei que sua intenção não é causar-me dor, mas é o que acaba acontecendo, e aí lhe pergunto: Por quê?

Amanda, eu te peço, por favor, não fujas! Não lhe peço ilusões e nem promessas, peço apenas para que fique. Se quiser, mande-me embora, mas fique! Suportarei, prometo.
Ah, minha pequena, não tenhas medo de dizer-me "não". Diga! Diga em alto e bom som: "Não"! Obviamente não é o que eu queria ouvir, mas o silêncio diz bem mais e com uma voz que nem de longe é tão suave quanto a sua.

Peça-me para parar e então não mais me imaginarei afagando teus cabelos castanhos e lisos pouco antes de dormir e nem tua boca aberta enquanto dorme de bruços com o rosto virado; Não lembrarei também daquele perfume amadeirado que você pega do seu pai de vez em quando, que deixa um cheiro só seu quando misturado com seu cheiro natural de fim-de-dia. Com muito pesar, apagarei de minhas melhores memórias aquele beijo descompromissado que demos em um momento de embriaguez, seguido do seu sorriso sem mostrar os dentes e seus pequenos olhos que iam aumentando por conta do brilho e da timidez.


Não tenha medo. Sei que sou um intruso em sua vida e que não sou tão bem quisto quanto te quero, mas não consigo parar.
Mas eu vou parar. Eu preciso parar.


Mais do que parar, eu preciso ouvir.



Não.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Eu odeio isso de codinomes.
Aliás, que escritor não odeia?
Horrível ter que tornar fictício o que é, por sorte, totalmente real.
Eu queria poder escrever aqui os nomes das pessoas que me despertam esses sentimentos que vos escrevo.
Não, nem tudo é real. Nem o que real é totalmente real, penso eu. Mas tudo tem um pouco de realidade.

Sim, estou um pouco atordoada. Aliás, ando assim ultimamente.
Óbvio que a culpa é sua, Fabiano.


Foi apenas um teste.
O nome original com certeza tornaria a coisa melhor.





Meu perdão aos leitores pela falta de honestidade.