A culpada

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Nenhuma literatura está livre de ficção. E nem de verdade.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

E se eu tivesse chegado um minuto atrasada? E se você tivesse chegado um minuto atrasado?
E se eu não tivesse usado aquela roupa e nem dançado daquele jeito? E se eu me sentasse, será que você sentaria junto a mim?
Se você não tivesse me olhado, será que eu te olharia?
Isso vai além de nós... E se o seu amigo não insistisse para você estar naquele local? E se o mesmo amigo não nos apresentasse?
E se tivéssemos nos tornado apenas bons amigos?
E se o nosso caso tivesse dado certo?
E se o orgulho não existisse e eu pudesse te ligar pra saber como vai a vida?


Continuo depois.



- E se não continuar?
- Então a conversa vai ter sido boa.

domingo, 1 de julho de 2012

Mulher fresca... Ta aí uma coisa que nunca entendi e acho que nunca vou entender.
Que graça tem uma moça que vive sorrindo, nunca demonstra irritação e não tira o salto alto pra nada?
Aquela mulher que te deixa com uma vontade louca de dar um beijo na boca, mas não o faz pra não tirar o batom, ou aquela menina que não se permite chorar em momento algum pra não borrar a maquiagem.
A menina que diz que não curte futebol sem nem ao menos se esforçar pra entender, e que jamais, em hipótese alguma, abraçaria um desconhecido suado numa comemoração de gol em um estádio lotado.
Aquela que nunca come uma fatia de pizza ou um pedaço de frango com as mãos, que nunca se sujou nem um pouquinho tomando sorvete e que sempre coloca o guardanapo de pano em cima das pernas, por mais que estejam comendo no podrão da esquina - como se ela comesse lá.
A menina que fica com nojinho quando você arrota, solta pum ou fala sobre cocô, como se ela também não fizesse essas coisas quando está sozinha; A que fica indignada quando você fala um palavrão quando está irritado, mas que quando briga com você usa todos os existentes de uma só vez.
Aquela que nem pensa em colocar uma calça jeans qualquer e um moletom velho num dia de frio, e muito menos em deixar o cabelo como está só pra passear com o cachorro; A que só quer sexo com carinho, que se leva um tapinha ou outro já se sente desrespeitada.

O que eu não entendo é: o que veem nessas moças? Aliás, o que elas acham que veem nelas?
Meninas, não estou dizendo para vocês se portarem como machos e começarem a cuspir no chão a cada esquina, pelo contrário, estou dizendo para serem mulheres. Mulher de verdade, que gosta de homem de verdade, que atrai homem de verdade.

O resto é projeto.

sábado, 30 de junho de 2012

Andando pelas ruas eu me senti bela. Talvez não estivesse, mas me senti. E acho que concordavam, já que eu percebia os olhares em minha direção.
Nem resmunguei ao ver que passaria por uma obra, pois estava me sentindo realmente bonita e os elogios seriam aceitos, por mais que aqueles pedreiros tivessem a idade do meu pai.

Após mais ou menos quinze minutos caminhando, parei para pensar: Será que estou realmente bela? Será que sou?
Bem, não estava: Regata branca, cara lavada e uma saia simples; E, bom, não costumo achar que sou, então fiquei encucada. Prossegui durante toda a caminhada bastante séria pensando sobre.

Até que passou uma moça com um filhote de labrador que era a coisa mais linda do mundo. E eu sorri. E depois de brincar com o cãozinho, dei mais uns dez passos com o sorriso no rosto.


E aí voltaram a me olhar.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Eu não sei... Você sabe? Eu não sei. Então eu chorei. Desesperada e descompromissadamente, eu chorei.
Eu não tinha motivos para tal, mas o fiz como nunca havia feito.
E a cada vez que tentava entender o motivo de meu pranto, duas lágrimas escorriam por meu rosto.
Algumas chegavam até o peito, outras iam direto para o chão, assim como quase tudo na vida.
Três.
Quatro.
Cinco.
E a cada dúvida a quantidade de lágrimas era maior.
Dei uma breve olhada pra janela e vi que o dia estava ensolarado. Coloquei o rosto pra fora para confirmar. "Acho que vou à praia!"
Lavei o rosto, me arrumei e fui.


- Que tempo bonito!
Tudo que é bonito tem um quê de tristeza, eu acho.



Agora sei.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Eu amo tendo e dando esperanças.
Eu amo fazendo promessas e acreditando em promessas.
Eu amo criando um futuro, fazendo planos.
Eu amo rumo à eternidade.
Eu amo no pretérito, no presente, no futuro.
Eu amo querendo o mundo.
Eu amo sem parar.

Eu amo magoando.
Eu amo decepcionando.
Eu amo mentindo.
Eu amo cheio de medos e me poupando de muita coisa.
Eu amo pensando mais em mim, em não sofrer.
Eu amo sem querer correr todos os riscos.
Eu amo até quando não amo.


Eu amo assim, como você.
Você.

segunda-feira, 18 de junho de 2012


- Então ele arrastou uma cadeira, sentou-se ao meu lado e chamou o garçom. Pediu um vinho da safra de 72, que dizia conhecer bem e adorar. Bom, pelo menos eu adorei. Jantamos, rimos, conversamos, fizemos aquelas coisas costumeiras que garantem a felicidade, sabe? E aí veio a grande surpresa!
- O que?
- Ele me pediu em casamento!
- Mentira?!
- Sério. O anel tinha um diamante enorme, lindo demais!
- E ele podia pagar por isso?
- Tá, o diamante não era tão grande assim, mas ele pediu de uma forma tão linda que eu comecei a ver tudo como se fosse perfeito, entende?
- Acho que sim... Mas como ele pediu? 
- Estávamos saindo do restaurante, indo em direção ao carro, então ele disse que esqueceu a carteira lá dentro, me deu as chaves e pediu pra eu esperar no carro que ele já voltava. Quando abri a porta do carro, o som começou a tocar. Inicialmente eu me assustei, óbvio, mas enquanto tentava desligar, me dei conta que era nossa música de namoro. Sentei-me e só então vi um bilhete colado no porta-luvas "Escute até o final". Obedeci.
- E aí?
- Ao final da música, uma gravação com a voz dele começou a recitar aquele texto que tanto gosto, até que, no meio do texto, a gravação parou. Não entendi nada. E então ele abriu a porta do carro, ajoelhou-se e completou de onde parou "Descobre que as pessoas com que você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos..." E depois disse "Eu não suportaria a ideia de levar uma vida sem você. Se eu pudesse passar todos os dias da minha vida dizendo que te amo, eu o faria. Eu quero ficar com você até sermos bem velhinhos, e no meu leito de morte eu vou te dizer "eu te amo", e só assim poderia ir tranquilo para o paraíso. Casa comigo?"
- Ai, que lindo! E você chorou muito?

- Não sei, acordei bem na hora.






Bom demais pra ser verdade.

domingo, 10 de junho de 2012

Se eu pudesse tirar o teu ar sem que tu morresses, eu o faria.
Eu moveria mundos e fundos para você parar de fumar, mas você prefere lagar a mim do que esse vício. 
Sei que soa estranho, mas eu queria ser tua irmã. Ou prima, pra não soar tão estranho assim.
Eu invejo o bloco de notas que você rabisca desleixadamente enquanto fala ao telefone sobre algo entediante. 
Eu queria roubar os teus olhos, só pra poder entender o que você sente mesmo quando não estou contigo.

Porque eu tenho ciúme do ar que você respira, do cigarro que encosta em tua boca, das pessoas que passam a vida inteira contigo e puderam presenciar pequenos detalhes que são lembrados sempre por aquela sua tia-avó fofa; Eu queria saber o que se passa em sua mente quando não se passa nada, o que você desenha pra tirar o tédio, e, principalmente, eu queria que você só tivesse olhos para mim.
Só pra mim.
Porque eu não suportaria a ideia de você pensar em outra coisa que não fosse eu, porque eu só penso em você, em como atingir você, em como ter você e como ser cada dia mais sua.

Só sua.