A culpada

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Nenhuma literatura está livre de ficção. E nem de verdade.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Isso não devia estar aqui

"Corra atrás dos seus sonhos, dependa só de você mesma, não deixe nada pra depois..." é o que todo mundo diz. É o que todo mundo faz. Mas tá todo mundo reclamando desse tal de mundo injusto. Injusto não sei aonde. Afinal, se é injusto com todo mundo, é completamente justo.
As melhores coisas da vida são de graça. As piores também. Mas a gente paga tão caro pela vida que ela devia compensar.
E a gente só tem a agradecer... Vai entender.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Doce menina

Era uma vez uma doce e linda menina
Que não gostava de acordar cedo
Que brincava na escolinha
E conversava com os seus brinquedos

Era uma linda menina
Que gostava de cachorrinhos
Que corria a casa inteira
E tinha muitos amiguinhos

Era uma linda menina
Que gostava de historinhas
Que se achava uma princesa
E sorria para os passarinhos

Era uma linda menina
Cheia de virtudes e vaidades
Que gostava de se balançar
Nos jardins e parques da cidade

Era uma linda menina
Morena, cabelo curto e bom
Que gostava de passear
E assistir ao "Pokémon"

Ai, que saudades da doce menina
Da menina linda que cresceu
Agora é uma linda mocinha
Esta menina mocinha que Deus me deu.

(Josué Galvão)

domingo, 20 de novembro de 2011

Andava desatento pelas ruas da Gávea e então, acidentalmente, chutei uma pedra. Segui chutando-a por um pequeno trecho do caminho. Sinal fechado. Parei. A pedra estava um pouco a minha frente, tinha formato de coração. Fiquei sorrindo discretamente. O sinal se abriu e, por incrível que pareça, carro algum passou por cima de minha pedra. Ela ficou ali, imóvel. Andei para atravessar a rua mas parei por alguns segundos para observar a pequena pedra. Não era, nem de longe, um coração.
Continuei meu caminho em direção ao bar. Era aniversário do Alfredo, íamos comemorar. Pra falar a verdade, eu nem o conhecia direito, só fui porque a Camila me convidou. A Camila? Ah, a Camila! Éramos amigos há, sei lá, 6 anos? Era linda e doce que só ela. Sempre tive certo interesse nela, mas nunca pareceu recíproco. Quando começou a namorar, isso ficou mais evidente, então deixei as segundas intenções de lado. Mas ela terminou o namoro recentemente, então voltamos a ser tão íntimos quanto éramos antes. Só que agora, além de conversarmos sobre as coisas habituais, ela se abre pra mim. Diz até que só consegue ser tão sincera assim comigo, que me conta tudo e que sou o melhor. Acho que agora o interesse é recíproco, não tem como não ser.
Duas semanas se passaram e eu continuei sendo o amigo atencioso, compreensivo, engraçado e gentil que toda mulher gostaria de ter. Tinha certeza que em pouco tempo sairia da área da amizade, mas não queria forçar nada. De repente, ela começou a se afastar... Pouca coisa, mas se afastou. Fiquei aflito, claro, mas preferi pensar "Ela saiu recentemente de um relacionamento e pode não estar pronta para outro logo tão cedo". Dei o espaço que ela queria. Tentei me manter longe na medida do possível.
Voltou com o ex.
Lembrei-me então da pedra que chutei a caminho do bar na Gávea e então me dei conta do meu maior problema: Eu vejo amor onde não tem.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Um dia perguntaram a mim porque a Denise é minha melhor amiga. "Que pergunta idiota", pensei. Respondi, então:
- Porque entre todas as minhas amigas, ela consegue ser a melhor! Não temos segredos sobre assunto algum, fazemos tudo juntas. Sempre saímos sozinhas para falar besteira, ver filmes, fofocar, fazer compras... Ela tem os mesmos gostos que eu, sabe?
- Sei...
- Não sei explicar... Ela me entende perfeitamente! Mesmo quando to prestes a fazer a maior bobagem da minha vida, ela me apoia, e quando dá errado, ela sempre está ao meu lado pra me consolar e ajudar a recuperar o ânimo.
- Entendi... Mas por que o Fábio é teu melhor amigo?
- Como assim?
- Quero dizer, você não conta tudo a ele. Conta?
- Bom, quase tudo...
- Mas não tudo. Seria estranho uma mulher contar a um homem sobre outros homens ou qualquer tipo de mulherzice.
- Sim, mas mesmo assim, né...
- E suponho que você não saia com ele para fofocar, ver filmes ou fazer compras, porque pelo que eu sei, o Fábio não é gay, não.
- Tá. Aonde você quer chegar?
- E também acho que ele não deve te entender perfeitamente e nem te consolar e apoiar mesmo quando você é burra e faz bobagem. Homens, no geral, tendem a ser menos sensíveis.
- Ok, chegue logo ao ponto que você quer chegar.
- Não to querendo chegar a ponto nenhum. Só não entendo como você (e a maioria das mulheres) diz que se dá melhor com amigos homens, sendo que nem com teu "melhor amigo" você tem tanta afinidade.
- Pra você ver como mulher é insuportável: Não aturamos nossa própria raça.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

De repente ouviu alguém o chamar por um apelido que não ouvia desde a faculdade...
- Ô Marconete!
Olhou pra trás assustado e bem surpreso. Fechou um pouco os olhos como quem tenta reconhecer alguém. Em sua direção vinha um homem bastante familiar com os braços abertos.
- Eduardo?
- Porra, achei que não ia me reconhecer!
- Caralho, irmão, como você tá?
- Eu tô bem, e você?
- Também tô!
Um analisou o outro por volta de vinte segundos.
- Mas fala aí, tá indo aonde assim, todo engomadinho?
- Tô indo pro escritório. Resolvi trabalhar com meu pai. E você, tá fazendo o que da vida?
- Ah, eu tô desempregado...
- Pô, que chato, cara.
- Nem tanto, ainda tenho tempo pra pegar aquela praia de sempre - riu descontraído.
- Pois é, eu não descanso há um tempo...
- Imagino. Vamo comer alguma coisa, tem uma lanchonete muito boa aqui por perto.
- Pô, cara, te falar que to mega atrasado... Mas aceito tomar um café.
- Bora, então.
Chegaram no café.
- E ai, tem visto alguém da facul?
- Não... E você? Ah, e a Marcinha, aquela tua namorada, tem notícias dela?
- Tamo junto até hoje, pô.
- Sério?
- Sério!
- Caraca!
Conversaram cerca de 5 minutos...
- Então, cara, tenho que ir pro trabalho.
- Beleza, vai lá. Me dá teu número pra gente marcar alguma coisa!
- Claro! Aqui meu cartão. - Entregou a ele e sorriu cortês.
- Então te ligo esses dias, já é?
- Pode ser! Falou então, cara! Até logo!
- Até...
Viraram as costas e cada um foi pra seu canto... Quarenta segundos se passaram, aproximadamente.
- Marcos!
- Oi! - Virou-se surpreso.
- Tu tá feliz?
- Como assim? Claro que tô.
- Mó solzão e você ai de terno. Não tem tempo pra conversar nem com um bom amigo, acha que tomar um café é o suficiente. Tomar um café leva cinco minutos, e esse é o tempo que você tem disponível no seu dia.
- Não é bem assim, né, cara.
- Não é? Você tá com quantos anos? Trinta e cinco? E não tá de aliança. Trabalha tanto que ainda tá solteiro. Ou tá namorando?
- Não, não... To solteiro mesmo. Mas é porque eu quero!
- Sem essa, cara.
- Ah, e você? Em plena segunda-feira você tá andando na rua de chinelo e bermuda, desempregado, não quer nada da vida... Você realmente acha que tá melhor do que eu?
- Eu tenho tempo pra mim, pra minha esposa...
- Tem tempo até demais.
- Eu sou feliz, cara. Você não tem tempo nem pra isso.

sábado, 22 de outubro de 2011

Não esqueci. Foi o primeiro, não tinha como esquecer.
Sei lá, era um sorriso que me invadia e ao mesmo tempo pedia permissão pra entrar... Cavalheiro até nisso. Todo dia em que nos víamos, chegava em casa, tomava banho sorrindo e cantarolando e depois deitava em minha cama com meu diário e, com o mesmo sorriso do banho, começava a escrever. Ficava ali por horas. As vezes não escrevia nem duas linhas, mas só de lembrar cada detalhe de seu rosto, de seu corpo... Ah, eu sorria. E tinha razão para tal.
O cabelo não recebia os cuidados que deviam, mas ainda assim era uma delícia puxa-los por baixo, bem junto a nuca. Ah, e o sorriso... É, voltei a falar disso. É que só eu sei o quão encantador ele era. Era quase que um convite para dançar agarradinho no baile de formatura. Os braços eram fortes na medida, as costas largas, lisas e, na época, um pouco arranhadas por mim. Hoje em dia não sei mais.
Tô feliz. Ele também está. Encontrou alguém que o ama. Não sei se tanto quanto eu, mas tenho certeza que ama. Impossível não amar. Só me dói pensar que aquele olhar convidativo agora é de outra, que as carícias, os gritos e os sussurros não são mais pra mim...
Lembrei disso tudo porque nos esbarramos hoje na rua. Lembrei não, resolvi contar.
"Tô bem, e você?
Poxa, que bom, fico feliz.
É, maior tempão mesmo...
Vamos marcar alguma coisa qualquer dia desses!
hahaha combinado!
Beijos!"
Isso foi o bastante pra eu me recordar perfeitamente de cada toque, de cada cheiro, de cada gesto, de cada palavra, de cada sorriso... Sorriso esse que não vejo no espelho desde o ultimo adeus.

Mas eu juro que tô bem.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Sem ti

Senti um calor quase que inexplicável para uma tarde de inverno
Senti que mais nada seria impossível
Senti que tudo o que era complicado, se tornaria terno

Senti que a brisa fria que vinha do mar poderia consolar
Senti que a eternidade existe
Senti que não há mal algum que não se possa curar

Senti um vendaval de emoções e gostei
Senti que o medo nem sempre é ruim
Senti que amo essas coisas que não sei

Senti em mim um vazio profundo
Senti que não mais fazia sentido o mundo
Senti cada vez mais longe de mim um alguém que já sentiu isso tudo