A culpada

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Nenhuma literatura está livre de ficção. E nem de verdade.

domingo, 27 de agosto de 2017

sábado, 5 de agosto de 2017

Feliz insônia

As noites em que me envolve nos teus braços e conversas tem sido as melhores noites-mal-dormidas que se poderia desejar.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Retorno

Tenho dormido tão bem

E respirado também 


O riso reafrouxou-se

O apetite reajustou-se 


Li dia desses que a pressa resulta em acidente

Não sei se falavam dos carros ou se falavam da gente


Sei que vou devagar

Deveras mais contente 


E, sorridente em meu caminhar,

Procupo-me apenas com a canga, que é pra não deixar o mar molhar


De resto, deixa estar.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

sábado, 25 de março de 2017

Eu, o vento e este cigarro amargo

Vim pra varanda fumar pra ver se o sono vinha. 
Por sorte, o vento fumou mais que eu.

Que gosto horrível. 

quinta-feira, 9 de março de 2017

Pouco antes das 7

Não acho que eu escreva bem ou ao menos saiba escrever.
Acho, talvez, que consigo elucidar no papel aquilo que sinto, imagino e projeto.

Costumo gostar do resultado.
Às vezes até acredito.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Eu não sabia nem por onde começar, e acabei quase que sem espaço pra terminar.

Daí ela pediu para eu escrever sobre quem era eu...

Depois de escrever-me, decidi nunca mais voltar ao consultório. 

sábado, 17 de dezembro de 2016

Toda noite na janela

Tem uma estrela
Que para sempre em frente 
à minha janela
É quase certo;
Se no céu não tem nuvem,
lá estará ela.

Lembro de na infância
Pensar que estaria a lua
a me olhar
Respondera minha mãe
Que estava o mundo a girar
E a lua a acompanhar 

E agora, olhando minha estrela e a lua
Não duvido que a da minha janela
Seja a mesma que a tua.

(Talvez por isso sinto-a com a alma tão nua)

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Foi só eu tirar o cigarro do maço para você aparecer. Só pode ser de próposito - pensei. 
E começou a falar da revigorante viagem ao meio do mato que fizera há algumas semanas, de como resolveu o problema do ar do carro (depois de quase três meses) e ficou uns 15 minutos me envolvendo naquelas risadas e naquele jeito estranho de segurar o copo.
E eu até agora com o cigarro na mão. 
Sempre gostei disso de trocar vícios por vícios melhores.

Vou até guardar. 

sábado, 17 de setembro de 2016

Faltavam aproximadamente 15 minutos.
Enquanto observava o verde que nos cercava e fechava os olhos pra sentir o vento no rosto, constatava perplexo o quanto aquelas quase três horas tinham passado lentamente, e, ao mesmo tempo, à jato. E só me restavam 15 minutos.
Fiz uma das minhas tradicionais preces por orientação, sabedoria e calma, mas as mãos ainda suavam. 
Lembro que o céu estava azul, e as nuvens bem desenhadas, tal qual numa pintura - e mais uma vez constatei que as pinturas é que são similares ao céu, não o contrário - e eu desejei que a estrada não tivesse fim.
A música com poucos acordes que tocava no rádio parecia completar toda a saudade melancólia daquele momento que ainda nem acabara. 
Como eram lindos seus cabelos castanhos à luz do sol, e seu sono tranquilo apesar do movimento do carro. Como eu queria tê-la sempre com aquela paz e serenidade, e como eu queria que soubesse.

Chegamos.

Enquanto me perdia em devaneios, chegamos. Aquelas lindas bolotas pretas e brilhantes se abriram, e quase morri ao ser fitado por elas.
E com um sorriso que abrangia também as tais bolotas, ela se despediu.
Dei-lhe um beijo na bochecha e deixei-a ir, sem falar ao menos uma das tantas palavras que desejei ter dito. 

Por que é que a estrada tinha de acabar? 

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Ela disse que não importava. Me olhou fixo e repetiu: não me importa. Virou-se, bateu a porta e foi sabe-se lá pra onde.
Eu fiquei. 
Fiquei e chorei, como de costume. Sentei-me em frente à Tv e fiquei aos prantos por alguns minutos, até que senti pena do reflexo que vira e decidi parar.
Parei.
Parei de chorar e de fazer todo o resto. Tentei evacuar todo aquele turbilhão de pensamentos de minha mente. As boas lembranças e as falsas promessas faziam parecer que aquela angustia rondaria minha cabeça e me apertaria o estômago para sempre.
E ela disse que não lhe importa.... É, ela disse que não lhe importa.

Queria não me importar também, mas eu simples e inevitavelmente o faço. 
Eu poderia dizer que não me importa, isso eu consigo. O que não consigo mais é fechar a porta e deixar-lhe sozinha com seus pensamentos em busca de uma conclusão, porque foi desse jeito que ela parou de se importar.
E agora eu só posso lamentar e esperar ela voltar. 

Será que volta?
Não sei se volta se nada lhe importa. A vontade que tenho é de abandonar-lhe e nem recebê-la na volta, mas o problema é que tudo sobre ela me importa! 
E aos prantos, constatei que ela realmente não mais se importa, e quase também não suporta. 
 
Até quando ficarei neste sofá, triste, encarando a porta? 

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

O meu dia só é dia quando nele tem você
E quando sei que irei tê-lo
Penso apenas em lhe ver

Não me importam as pessoas
As notícias
A TV
Penso apenas no aconchego
Ao deitar-me com você

Perco o chão
O controle
A cabeça 
E o por quê
E fico a me perguntar
"Será que você não vê?"

Eu gosto do que vejo
Quando eu vejo você
E recebendo teu olhar 
Acho que fiz por merecer 

E do meu amor
Faço questão de falar-te
Pra você não esquecer

Agora vem
Abre os braços
Para então me aquecer
E o resto fica por minha conta
É só esperar pra ver. 

terça-feira, 19 de julho de 2016

Predestinação

Eu amo tanto
Que nem sei
Se já amei
Como um dia
Pensei 

Sei que amo
tanto
Que nunca pensei
Que caberia tanto
amor
Onde já tanto
amei

E é tanto amor
Que vivo a repetir
É chato,
eu sei,
mas quero a certeza
De que lhe falei 

E quando perceber
Que esse amor 
Não tem mesmo
fim
Não vem dizer
Que eu não avisei.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Que coisa
Penosa
Ficar
Mendingando 
Amor

É sério,
querida,
para,
por favor 

Tem coisas
Que acontecem
E não
Se tem 
Muito
A
Fazer 

Espero que 
Não sofra 
Muito 
Quando perceber 
Que a marca 
Que deixei 
Nela,
ela deixou em vc

sábado, 2 de julho de 2016

Vício declarado

No reflexo perdeu o encanto. Como aquele ser apático já fora fonte inesgotável de luz (que se esgotou)? Como aquele olhar vazio ja fora inundado por uma infinidades de emoções que fundidas em sua negritude tinham coloração absolutamente única e hipnótica? 
Como fora tornar-se aquela mulher de sorriso largo, porem caído, da tranquilidade intranquila, e de mente mais doente que o corpo? 

E tosse de novo.

Resta a dúvida: dar mais um trago, ou não mais tragar? 

(E outra dúvida: "não mais" até quando?)

terça-feira, 28 de junho de 2016

De fato, a falta de perdão nos corrói.

É inevitável não praguejar contra o mundo ou contra mim mesmo quando as lembranças me acometem. Lembro do meu choro, tão sincero e aparentemente incessante.
Mas cessou.

Agora são as náuseas que me atormentam. Dificilmente as lembranças me fazem chorar, mas a cabeça e o peito ainda doem, e o estômago logo se revira.

Espero um dia perdoá-los.

Mas para isso tem de haver arrependimento.


Melhor mesmo marcar um médico.
Um homem nessa idade não pode deixar pra lá essas coisas do coração. 

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Às vezes queria perder a facilidade que penso ter de elucidar com palavras as profundidades sentimentais nas quais me inundo.

É que na escrita o sofrimento faz tanto mais sentido que quase me convence que vale a dor. 

E sinto-a.

E quando leio aquela dor eternizada em prosa, nem sempre sorrio satisfeita com a obra que criara: quisera eu não sentir aquilo (ou não passar a sentir).

Sofrer no verbo deixa tudo maior.

Mas às vezes diminui.

E deixa de marcar o rosto com as lágrimas pra passa a marcar com tinta o papel.



Agora, por exemplo, até sorri. 

terça-feira, 21 de junho de 2016

Não nascera para o amor, concluiu aquele dia no quintal.

Enquanto desfrutava dos tragos finais de seu cigarro e almejava um gole de refrigerante, limpou os olhos marejados e respirou fundo.

Era isto: não nascera para o amor.
Não por falta dele. Não por não amar. Não por não ser amada.
É que o amor que não é recíproco não merece ser amado, e parecia-lhe que quanto mais amava seu desamor e via-o amando um outro amor, o sentimento empedrava dentro de si, tornando-lhe firme e quase imóvel.

Quase.

Mas os olhos se mexiam, como sempre, a procura de qualquer notícia, e em toda notícia, buscavam quase que incansavelmente um sinal. 

Quase.

Cansaram. 
Estes olhos exaustos do que veem já não são vistos chorando. Estes, toda noite, cerram-se antes de adormecer numa prece sufocada, implorando para o esquecer.

Mas demora a perceber que o amor da vida do amor da sua vida pode não ser você. 
E é difícil perceber e não arrefecer.
Agora os olhos são opacos.

E agora, que os olhos são opacos, como é que fica?
Será que existe ternura, embora tenha ido todo o brilho, ou aquele olhar está tão vazio quanto baixo?

Não sei mais o que faço.

É tão triste ver uma mulher perdendo seu brilho. É quase como uma estrela caindo.

Será que deixa vítimas nos arredores?